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O Programa PET-Saúde Equidade tem como propósito fortalecer a integração entre ensino, serviço e comunidade por meio de práticas que promovam a equidade no SUS. Nesse contexto, foi desenvolvido o Projeto “Fortalecendo a integração entre ensino, serviço e comunidade: PET-Saúde Ribeirão Preto-SP pela equidade para as trabalhadoras do SUS” – Grupo de Trabalho 5 (GT5)”, fruto da parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Universidade de São Paulo. No Sistema Único de Saúde (SUS), as mulheres representam a maioria da força de trabalho, porém enfrentam diversas formas de violência institucional, desde a invisibilização de suas necessidades no ciclo gravídico-puerperal até a negação de direitos. A maternagem é frequentemente deslegitimada nos espaços laborais, impactando diretamente a saúde mental, o bem-estar e a permanência dessas profissionais nos serviços de saúde. A experiência iniciou-se em maio de 2024, no âmbito da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, envolvendo trabalhadoras gestantes, puérperas, lactantes e estudantes do PET. A proposta promoveu acolhimento, valorização e escuta qualificada, com disseminação de informações sobre direitos e fortalecimento de espaços institucionais humanizados. A iniciativa justifica-se pela necessidade de fomentar a equidade de gênero no cotidiano laboral do SUS, contribuindo para a humanização das relações de trabalho e impactando positivamente a qualidade da assistência prestada à população.
Relatar a experiência do GT5 do PET-Saúde Equidade no acolhimento, escuta e valorização de trabalhadoras gestantes, puérperas e lactantes da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto. Promover espaços de diálogo por meio de rodas de conversa que estimulem a escuta ativa, a troca de vivências, o protagonismo das trabalhadoras e o fortalecimento de redes de apoio, além da divulgação de materiais educativos sobre direitos relacionados à maternagem e formas de violência contra pessoas que gestam. Contribuir para a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos, equitativos e humanizados no SUS municipal.
A experiência foi desenvolvida por meio de rodas de conversa presenciais realizadas no auditório da Secretaria Municipal da Saúde, organizadas pelo GT5 do PET-Saúde Equidade, com participação de estudantes, docentes e preceptoras vinculadas à SMS e as trabalhadoras da rede municipal. Foram realizadas duas rodas de conversa temáticas. A primeira, “Gestação e Amamentação”, abordou desafios relacionados à gestação, amamentação e retorno ao trabalho, como insalubridade, adequação do aleitamento e apoio institucional. A segunda, “Maternar é um recomeço: puerpério, rede e escuta”, discutiu puerpério, saúde mental, reconstrução da identidade profissional e redes de apoio, sendo estruturada a partir da avaliação do encontro anterior. Utilizaram-se metodologias participativas, leitura de relatos disparadores, dinâmicas reflexivas e registro sistematizado das falas. As participantes responderam formulários avaliativos, permitindo análise qualitativa das experiências compartilhadas. Paralelamente, foram elaborados dois e-Books educativos, sobre direitos das servidoras municipais e sobre violência obstétrica, construídos a partir das demandas emergentes das rodas e fundamentados em legislações federais, estaduais e municipais, incluindo o Estatuto dos Servidores Municipais. O processo contou com apoio institucional da SMS e articulação com setor de Recursos Humanos para qualificação das informações. Os materiais serão disponibilizados digitalmente à rede municipal.
As rodas de conversa evidenciaram sentimentos recorrentes de sobrecarga, invisibilidade, insegurança quanto aos direitos trabalhistas relacionados à maternagem e dificuldades no retorno ao trabalho, incluindo ausência de estrutura para amamentação e falta de apoio institucional. Ao mesmo tempo, as participantes relataram fortalecimento emocional, sentimento de pertencimento, acolhimento e valorização ao compartilharem vivências em um espaço seguro de escuta e partilha. A experiência demonstrou a relevância desses espaços como estratégia de cuidado e promoção da equidade no SUS municipal, sendo identificada a demanda pela continuidade dos encontros e ampliação das temáticas, especialmente em relação a abrir o convite para as suas redes de apoio. Observou-se impacto positivo na cultura institucional ao inserir a maternagem como pauta legítima da gestão do trabalho, promovendo reflexões sobre direitos, equidade e humanização das relações laborais. Os dois eBooks produzidos consolidaram-se como instrumentos de informação e sensibilização, com linguagem acessível e fundamentação legal, apresentando potencial de ampla disseminação digital na rede municipal. Um deles foi divulgado no XIV Encontro Municipal de Aleitamento Materno de Ribeirão Preto. A experiência também contribuiu para a formação crítica das estudantes envolvidas, fortalecendo competências em pesquisa, educação em saúde, comunicação, articulando aprendizado acadêmico às necessidades do SUS e da comunidade.
A experiência evidenciou que o acolhimento de trabalhadoras do SUS durante a maternagem constitui uma potente estratégia de humanização das relações de trabalho e de promoção da equidade. A maternagem, frequentemente invisibilizada, precisa ser reconhecida como dimensão legítima da vida laboral das trabalhadoras e pessoas que gestam. As rodas de conversa e os eBooks consolidaram-se como ferramentas eficazes para o empoderamento, disseminação de direitos e fortalecimento de redes de apoio. O processo revelou que muitas trabalhadoras desconhecem seus direitos ou não recebem orientação e suporte adequados para garanti-los, reforçando a importância da escuta qualificada, informação acessível e do apoio institucional. A integração ensino-serviço mostrou-se essencial para qualificar práticas e ampliar o compromisso com a equidade no SUS municipal. Recomenda-se a continuidade das rodas de conversa, a ampliação dos materiais educativos para outras categorias e a institucionalização de iniciativas semelhantes nas políticas de gestão do trabalho e educação permanente, reconhecendo que maternar é um direito que deve ser respeitado, protegido e valorizado nos espaços de trabalho.
Educação Permanente, Maternagem.
FERNANDA GARCIA DE OLIVEIRA BARUFFI, VITÓRIA LEMOS, ALINE SANTOS DA SILVA BARBOSA, JANAINA BOLDRINI FRANÇA, NICOLLE VILAS BOAS ROCHA, LUIZ CARLOS GARCIA, LUANA PINHO DE MESQUITA LAGO