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A sífilis congênita permanece um desafio significativo para a saúde pública no Brasil, exigindo abordagens clínicas e epidemiológicas eficazes para seu controle. Em 2023, a Coordenadoria de Vigilância em Saúde do município de São Paulo atualiza o Protocolo de Prevenção da Transmissão Vertical da Sífilis com o objetivo de melhorar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos casos. Paralelamente, as unidades de vigilâncias iniciaram um movimento de capacitação e atualização dos profissionais de saúde, visando à implementação dessas diretrizes na prática clínica. Este relato descreve a experiência de acompanhamento de crianças expostas à sífilis e com sífilis congênita após a adoção dessas medidas, destacando os resultados observados até 2024.
Relatar a experiência de profissionais da Vigilância Epidemiológica da UVIS Butantã sobre o acompanhamento de crianças expostas à sífilis e com Sífilis Congênita após a implementação do novo protocolo clínico e das ações de capacitação dos profissionais de saúde, destacando os avanços e desafios observados.
Trata-se de um relato de experiência baseado na prática clínica e epidemiológica desenvolvida em unidades de saúde da área de abrangência da Unidade de Vigilância em Saúde Butantã, após a atualização do Protocolo de Prevenção da Transmissão Vertical da Sífilis pela COVISA, 2023. Foram analisados dados de acompanhamento de crianças cujas mães receberam notificação de sífilis durante a gestação, com foco nos resultados dos testes treponêmicos realizados antes dos 18 meses de vida. As capacitações dos profissionais de saúde foram realizadas ao longo de 2023 e 2024, com ênfase na aplicação do novo protocolo e no monitoramento dos casos.
Após a implementação do novo protocolo e das ações de capacitação, observou-se uma melhoria significativa no acompanhamento das crianças expostas à sífilis. Em 2023, foram encerrados 42 casos de crianças nascidas entre 01/06/2022 a 01/06/2023. No ano seguinte, o período de monitoramento foi de 01/07/2023 a 01/07/2024, com o encerramento de 80 casos. Além disso, muitos desses lactentes apresentaram resultados não reagentes nos testes treponêmicos antes dos 18 meses de idade, o que possibilitou o encerramento precoce dos casos. Esse resultado reflete a eficácia das novas diretrizes clínicas e da qualificação dos profissionais, que passaram a adotar condutas mais assertivas no manejo desses pacientes. Além disso, a notificação e o monitoramento dos casos tornaram-se mais precisos, contribuindo para a redução de subnotificações e para a melhoria da qualidade do cuidado.
A experiência relatada demonstra que a atualização dos protocolos clínicos e a capacitação dos profissionais de saúde são estratégias efetivas para melhorar o acompanhamento de crianças expostas à sífilis e com Sífilis Congênita. Os resultados observados em 2024 reforçam a importância de investir em educação permanente e na implementação de diretrizes baseadas em evidências. A continuidade dessas ações pode contribuir para a redução da transmissão vertical da sífilis e para a melhoria dos indicadores de saúde pública.
sífilis congênita, vigilância epidemiológica
FABIANE DA ROCHA, NANCY MARÇAL BASTOS, LILIANA RENATA TORRES CARDOSO, OZINEI ALVES ROSDRIGUES, ELIZABETH OLIVEIRA SANTOS, PIERÂNGELA ROSA MARIA CORBETTA