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O perfil territorial da UBS Caxingui é composto por uma população idosa, com alta prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). Em junho de 2024, a análise de indicadores revelou um baixo número de avaliações de pé diabético e estratificações de risco, especialmente entre pacientes diabéticos. Isso exigiu a criação de estratégias para melhorar o acompanhamento dessa população. A justificativa para este estudo está na importância epidemiológica das DCNTs, que são responsáveis por 60% das mortes e 43% da carga global de doenças. No Brasil, a diabetes mellitus (DM) afeta 21,6% da população acima de 65 anos (SMS-SP, 2020). A diabetes é uma condição de início silencioso, associada à baixa adesão terapêutica e alto número de casos não diagnosticados; o que contribui para o descontrole da doença e aumenta o risco de desfechos desfavoráveis. Na UBS Caxingui, entre fevereiro e maio de 2024, foram identificados 16 pacientes com hemoglobina glicada alterada e cerca de 880 usuários com DCNTs, nem todos em acompanhamento regular. Além disso, não há registros atualizados sobre o acompanhamento de pacientes diabéticos, evidenciando a necessidade de aprimorar o monitoramento desses pacientes.
1- Intensificar as ações de acompanhamento dos pacientes com Diabetes Mellitus (DM), com foco especial nos casos de descompensação, por meio da implementação de estratégias de monitoramento contínuo e acompanhamento regular, visando reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. 2- Mapear todos os indivíduos com Diabetes Mellitus no território atendido pela UBS Caxingui, utilizando dados de registros de saúde e realização de exames, para garantir um diagnóstico preciso e um acompanhamento adequado dos casos, incluindo aqueles que ainda não estão em acompanhamento. 3- Realizar ações de prevenção de morbimortalidade entre os usuários com DM já identificados, implementando estratégias educativas e de autocuidado, além de promover o acesso a cuidados preventivos, como exames periódicos, estratificação de risco cardiovascular e avaliação do pé diabéticos, para minimizar o risco de complicações associadas à doença.
Foram implementadas ações com o objetivo de intensificar o acompanhamento dos pacientes diabéticos, especialmente os que estavam descompensados ou com acompanhamento desatualizado. A metodologia foi dividida nas seguintes etapas: 1. Agendamento de consultas médicas e de enfermagem: Foram agendadas consultas para os pacientes com DM identificados com descompensação glicêmica e/ou que não estavam com o acompanhamento de saúde atualizado. 2. Estratificação de risco cardiovascular e avalição do pé diabético: pacientes passaram por avaliações do pé diabético e estratificação de risco cardiovascular, além de receberem orientações sobre alimentação saudável, administração de medicamentos e cuidados com a doença. 3. Busca ativa de exames alterados: Foi realizada a busca ativa de exames de hemoglobina glicada alterados, com base nas informações coletadas na UBS, utilizando uma planilha específica para organizar e acompanhar os exames alterados. 4. Cruzamento de dados: Utilizou-se o cruzamento de dados entre os registros dos pacientes e os exames realizados para identificar os usuários ativos da UBS em acompanhamento por DM. Esse cruzamento permitiu a identificação de pacientes que necessitavam de maior atenção e acompanhamento contínuo. Essa abordagem permitiu monitorar e acompanhar de forma mais eficaz a população com DM na UBS Caxingui, promovendo um cuidado mais integrado e preventivo.
A sensibilização e mobilização da equipe permitiram alcançar um aumento significativo no número de consultas de enfermagem para avaliações de pé diabético, estratificações de risco e consultas médicas para pacientes com Hb Glicada alterada. No primeiro semestre de 2024, foram realizadas apenas 4 avaliações de pé diabético e 60 estratificações de risco cardiovascular. No segundo semestre, após as intervenções, o número de avaliações de pé diabético aumentou para 80 e as estratificações de risco cardiovascular para 183. A estratificação do risco cardiovascular foi crucial para a identificação dos pacientes de maior risco, permitindo personalizar o acompanhamento. Essa abordagem contribuiu para a redução das complicações graves, facilitando a implementação de medidas preventivas, como controle rigoroso da glicose, controle da pressão arterial e uso adequado de medicamentos. Além disso, a alocação eficiente de recursos permitiu que os pacientes mais críticos recebessem atenção especializada, otimizando o cuidado. A avaliação do pé diabético se mostrou essencial para prevenir complicações graves, melhorar a adesão ao tratamento e promover a saúde e qualidade de vida dos pacientes. Esse avanço refletiu a importância da abordagem integrada e preventiva no manejo da diabetes.
A partir dos resultados obtidos, percebemos que podemos melhorar os indicadores de saúde da população idosa atendida pela UBS Caxingui. A intensificação do acompanhamento de pacientes com DM, incluindo a realização de avaliações periódicas do pé diabéticos e a estratificação do risco cardiovascular, tem se mostrado eficaz para prevenir complicações graves e promover um controle mais eficaz da doença. Além disso, a intervenção tem mostrado um impacto positivo na adesão ao tratamento e na redução de descompensações. A continuidade das ações propostas não só ajudará a melhorar os indicadores de saúde, como também contribuirá significativamente para a prevenção de agravos relacionados à diabetes mellitus. Acreditamos que a manutenção desse acompanhamento regular e integrado é essencial para alcançar resultados duradouros e uma melhoria contínua na qualidade de vida dos pacientes.
diabetes Mellitus, doenças crônicas
MARIANA DE SALES DIAS, INGRID RIEGER ROCCI