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A Sífilis é uma infecção sexualmente transmissível, curável e causada pela bactéria Treponema pallidum. A sífilis possui três classificações: primária e secundária que são os estágios mais agudos da infecção e terciária que é o estágio mais avançado. Há também a fase estacionária ou fase latente, que é dividida como recente (até um ano de infecção) e tardia (mais de um ano de infecção) em que a pessoa contaminada apresenta-se assintomática. Os principais sinais e sintomas de acordo com cada classificação da Sífilis são: – Sífilis primária: lesões (cancro duro) indolores na região de mucosa (boca e genitais). – Sífilis secundária: lesões por todo o corpo, principalmente na região palmar e plantar, febre e aumento dos linfonodos. – Sífilis terciária: pode surgir de 2 a 40 anos da infecção seus sintomas incluem lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas. Além da contaminação sexual (adquirida), há a Sífilis Congênita, e através de objetos perfuro cortantes contaminados. A maioria dos diagnósticos de sífilis acontecem nas UBSs, através do teste rápido treponêmico. Após o resultado do teste rápido, sendo reagente, é realizado o teste não treponêmico (VDRL). Havendo resultado reagente, acima de 1:8, considera-se como uma sífilis ativa. Iniciar o tratamento com o medicamento Benzilpenicilina, sendo que a quantidade das doses depende do estágio ou da classificação da infecção.
O acompanhamento do controle de cura da sífilis adquirida é feito com exames de VDRL periódicos, até que não sejam detectadas mais infecções. No contexto apresentado de buscas ativas e diagnóstico de sífilis, o tratamento medicamentoso é essencial, por isso, o objetivo principal deste relato é apresentar a estratégia construída para o acompanhamento farmacoterapêutico de forma a apresentar a eficácia do tratamento, detectar reinfecção e prevenir contaminação em gestantes e diminuição ou eliminação da Sífilis congênita.
Este é um relato de experiência exitosa de uma estratégia desenvolvida na UBS Recanto Verde Sol, localizada em São Mateus, Zona Leste de São Paulo, gerenciada pela OSS FUABC – Contrato São Mateus. O acompanhamento farmacoterapêutico se dá por consultas periódicas realizadas pela farmacêutica após o diagnóstico de Sífilis Adquirida, seguindo-se o protocolo de prevenção da transmissão vertical da sífilis do município de São Paulo. Para tanto, primeiramente é feita uma anamnese farmacêutica para avaliar sinais e sintomas da sífilis, à partir de exames clínicos e físicos, e avaliação da prescrição médica das doses de Benzilpenicilina, para averiguação e adequação à classificação da sífilis que o paciente recebeu no diagnóstico médico. Feito isso, são realizadas todas as orientações sobre a sífilis, sobre o tratamento com Benzilpenicilina de acordo com a prescrição médica e orientações das datas de administração das doses do medicamento. Na consulta é solicitado retorno trimestral do paciente para acompanhamento da sorologia/VDRL controle, e em cada retorno é solicitado o exame VDRL pelo médico. O paciente é acompanhado durante um ano e até a titulação do VDRL diminuir para 1:2 ou Não Reagente. Com a finalidade de monitoramento do tratamento, no momento da dispensação da Benzilpenicilina, todos os dados dos pacientes são registrados em uma planilha, a qual é avaliada diariamente pela farmacêutica para averiguar se todas as doses de Benzilpenicilina foram realizadas nos dias corre
Todos os pacientes que realizam o acompanhamento de controle de cura da sífilis são inseridos em uma planilha específica para controle dos resultados da sorologia/VDRL, na qual constam as seguintes informações: nome do paciente, número do prontuário, número do SINAM, datas das consultas, valor da titulação do exame VDRL e status do tratamento. Através deste acompanhamento é possível avaliar se há necessidade de retratamento, seguindo-se os seguintes critérios: Aumento de duas titulações em qualquer momento do seguimento e não redução de duas titulações em seis meses. Este monitoramento dos pacientes pela farmacêutica acontece durante um ano até a alta, quando for constatado que a infecção se tornou cicatriz sorológica ou cura total da sífilis, como preconiza o Protocolo Municipal de São Paulo. Desde que foi iniciado o acompanhamento farmacoterapêutico pela farmacêutica da UBS Recanto Verde Sol, desde 2021, notou-se adesão aos retornos periódicos dos 4 pacientes, e por consequência, maior percentual de tratamentos completos e adequados. A exemplo, em 2024, de 85 pacientes com diagnóstico de sífilis adquirida, 71 realizaram tratamento completo, demonstrando taxa de adesão de 83,5% dos pacientes.
Através deste acompanhamento do controle de cura da sífilis adquirida realizado pelo farmacêutico, conseguimos de forma efetiva impactar na transmissão da sífilis. No acompanhamento direcionado ao diagnóstico da sífilis adquirida, a experiência demonstrou uma melhora na adesão ao tratamento, e a importância de realizar o acompanhamento até o fim. Realizando o segmento adequado, de acordo com os protocolos disponíveis, podemos assim, diminuir a incidência de sífilis em gestantes e consequentemente a diminuição ou a total eliminação da sífilis congênita no território, a longo prazo no município de São Paulo, com vistas no controle da doença em todo o Brasil.
farmacoterapêutico, sífilis
PATRICIA STEFANI SOUSA, ANA PAULA VACCARO BACHIM, FRANCISLEINE DE OLIVEIRA MARTINES, ALEXANDRA CORRÊA DE FREITAS, ANA HONORATO, AUGUSTO VERSURI, KARINA FERREIRA DA SILVA