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O paciente com dor física ou emocional se sente fragilizado, sensível e isso interfere na sua rotina diária, cabe aos profissionais de saúde, o reconhecimento dos diferentes recursos para o seu controle e tratamento, incluindo as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). O trabalho é desenvolvido pela Estratégia de saúde da Família (ESF), que se fundamenta no trabalho de equipes multiprofissionais em um território adstrito e desenvolve ações de saúde a partir do conhecimento da realidade local e das necessidades de sua população. Os ensinamentos da Medicina Chinesa presente em Huang Di, diz respeito a descrição da anatomia energética do corpo humano por meio de meridianos ordenados que interligam as estruturas do corpo ligando o exterior ao interior do corpo conduzindo energia vital (BELTRÃO, 2017). A auriculoterapia e acupuntura tem ganhado espaço como tratamento de transtornos emocionais e manejo da dor. E grande parte da população faz o uso de plantas medicinais e é visto como integrada na história do povo, portanto é necessário garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos. A UBS Jardim Lourdes destaca-se pelo presente trabalho integrado de práticas de acupuntura, auriculoterapia, plantas medicinais/fitoterapia aliados a educação em saúde no manejo da dor emocional e da dor física com abordagem sem medicamentos.
Proporcionar bem-estar e qualidade de vida a pacientes que fazem o uso de medicamentos e tenham comorbidades, dores agudas, crônicas, e fatores emocionais em uma abordagem multiprofissional por meio de PICS
A metodologia aplicada teve início em abril/2024 até dezembro/2024, se iniciou com reunião de equipe de Estratégia de saúde da família (ESF) que consiste em: médica, enfermeira, auxiliar de enfermagem, farmacêutica, assistente social, agentes comunitárias de saúde e agente de promoção ambiental, para uma construção coletiva multiprofissional sobre os pacientes com dores físicas e emocionais. Os médicos de saúde da família e/ou equipe multi faz o encaminhamento de acupuntura para os dores agudas, crônicas e fatores emocionais. Seguido de avaliação da dor. Os pacientes fazem 10 sessões de PICS, dentre elas: acupuntura, auriculoterapia e plantas medicinais/fitoterapia, seguindo a fila da regulação. Em paralelo, enquanto os pacientes estão aguardando, há também uma abordagem de educação em saúde, baseada no diálogo, oportunizando trocas de experiências, sobre o cultivo de plantas medicinais, o uso de chás e abordagem em fitoterapia essa prática possibilita a ampliação de perspectivas para o rompimento de paradigmas quanto aos cuidados de saúde e as PICS. A troca de saberes e a relação entre o saber popular e científico sobre as plantas medicinais e chás se dá durante as abordagens sensoriais das plantas, métodos de cultivo dessas ervas e o uso de cada uma delas. Após o término das 10 sessões o paciente retorna à equipe de ESF para reavaliação, para manter cuidados em saúde e se necessários encaminhamentos externos.
A coleta de dados e processos envolvidos nas sessões de tratamento, como a contagem do tempo e a retirada das agulhas podem realmente consumir bastante tempo e demandar mais profissionais, o que limitava o atendimento a mais pacientes. Diante disso, as agentes comunitárias de saúde, enfermeira da equipe e a farmacêutica se organizaram para assumir esses processos, incluindo a prática de auriculoterapia, portanto conseguindo atender aproximadamente 70 pacientes por grupo, totalizando mais de 200 pacientes atendidos neste período de 2024. Durante o tempo do paciente em espera, a farmacêutica e a agente de promoção ambiental Programa Ambientes Verdes e Saudáveis realizavam abordagens de educação em saúde com os temas: rodas de chás, fitoterápicos, medicamentos inapropriados para idosos, descarte correto de medicamentos e cultivo de plantas medicinais e aromáticas. Esses foram importantes para o enriquecimento cultural, diminuição de interações medicamentosas, sensibilização quanto aos fitoterápicos, aumento do vínculo dos paciente e profissionais de saúde. Após o término das 10 sessões os pacientes retornam à equipe de ESF para reavaliação, para manter cuidados em saúde e se necessários encaminhamentos externos. Uma paciente relata após 2 meses de tratamento: “Me sinto muito bem, não tenho mais dores, como se fosse mágica. Até na minha depressão ajudou. Depois de 6 anos vou voltar a trabalhar vendendo plantas. Sou uma nova mulher.
Os profissionais da ESF são os protagonistas na aplicação da PICS na Atenção Básica e isso garante um leque terapêutico e de promoção a saúde. Essa é uma ação que se configura na ampliação de acesso e qualificação dos serviços, na perspectiva da integralidade da atenção à saúde da população. A eficácia de uma ação sólida e sustentável se deu por meio do protagonismo de diversos profissionais de saúde que compõe o grupo com suas responsabilidades e o cuidado com as práticas ofertadas. A proposta futura é ter horta comunitária com plantas medicinais e aromática para valorização do saber popular e educação em saúde quanto ao uso de chás e plantas medicinais. Portanto, é possível assegurar que o trabalho realizado na UBS Jardim Lourdes, na oferta de práticas integrativas complementares na Atenção Básica foi importante na redução da medicalização, melhora do vínculo terapêutico, espaço para sociabilização, redução de sintomas físicos e mentais, trazendo empoderamento e resgate da autonomia dos sujeitos.
Acupuntura, auriculoterapia, educação em saúde
SIMONE BASTOS PEREIRA, RAFAELA JACOB VASCONCELOS, ELIANE DA SILVA SPINA, JANAÍNA BATISTA MACHADO, ERICKA PAULA CORDEIRO LIMA, NAYARA NAJLA DOS SANTOS ARAGÃO, VANESSA LEONEL PETERKA, VALDENE DANTAS DOS SANTOS