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Este é um relato da prática de atendimento de acupuntura sistêmica com associação da meditação guiada, musicoterapia e laserterapia em pacientes adultos com sequela de patologias neurológicas e psiquiátricas atendidos no CER (Centro Especializado de Reabilitação). No período de 28/03/2025 a 06/11/2025 que foram realizados 166 atendimentos, no total de 25 pessoas. O CER realiza atendimentos de pacientes neurológicos, psiquiátricos, pediátricos de média complexidade em equipe multidisciplinar contendo fisioterapia, fonoaudiologia, TO (terapia ocupacional), enfermagem, psicologia e fisiatria. A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) de 2006, tem promovido a ampliação do acesso a práticas integrativas na rede de reabilitação no Brasil. Visa incorporar e implementar práticas integrativas e complementares no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na prevenção de agravos e na promoção e recuperação da saúde. A política tem contribuído para a inclusão de diversas práticas, como acupuntura, meditação, entre outras, no SUS. Conforme Resolução nº 580 de 24 de outubro de 2023 (COFFITO) O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional que reconhece a Acupuntura como especialidade da Fisioterapia e estabelece diretrizes para sua prática.
A equipe multidisciplinar observou que os pacientes estavam referindo dores no corpo, instabilidade emocional, complicações intestinais, que acabam interferindo na assiduidade, no desempenho e engajamento das terapias preconizadas. O objetivo da prática foi de oferecer um melhor engajamento nas terapias recorrentes, o bem estar, a promoção e a recuperação da saúde. As Práticas Integrativas e Complementares (PICS) têm demonstrado um potencial significativo para melhorar a adesão às terapias convencionais e a qualidade de vida de pessoas com doenças crônicas neurológicas. A implementação de PICS, como acupuntura e meditação, tem mostrado eficácia na redução do estresse, na melhoria da qualidade do sono e no fortalecimento do sistema imunológico, fatores essenciais para a saúde geral.
Os pacientes foram incluídos por indicação da equipe multidisciplinar do CER. Realizou-se avaliação prévia para verificação da elegibilidade, considerando condição clínica estável e integridade da pele. O tratamento ocorreu uma vez por semana, com duração de cinquenta minutos, totalizando sete vagas semanais. Os atendimentos foram individualizados e humanizados, realizados em ambiente organizado, com som ambiente, tablado, travesseiros e coxins. As intervenções incluíram acupuntura sistêmica associada à meditação guiada, musicoterapia e laserterapia. •PATOLOGIAS E FAIXA ETÁRIA Foram atendidos pacientes com patologias neurológicas diversas, incluindo: AVC, Parkinson, TCE, demência senil, discinesia, ataxia, miopatia mitocondrial e herpes zoster, totalizando 25 usuários. A faixa etária variou de 30 a 89 anos, com maior concentração entre 60 e 79 anos. •QUEIXAS PRINCIPAIS As queixas mais frequentes foram dor lombar, dor em ombro, joelho ou perna, constipação intestinal, ansiedade, cefaleia, distúrbios do sono e manifestações motoras como ataxia e discinesia.
Os resultados foram avaliados por meio de questionário de satisfação aplicado ao paciente ou cuidador ao final do tratamento. Observou-se que 88% relataram melhora quase total (80–90%) e 12% boa melhora parcial (60–70%), sem relatos de baixa satisfação. Os dados indicam alta aceitabilidade, boa adesão e percepção positiva dos efeitos terapêuticos, mesmo em quadros neurológicos crônicos. Além de relatos da diminuição das queixas recorrentes, da melhora da convivência, da relação de cuidador-paciente, da diminuição das instabilidades e maior engajamento nas demais terapias.
A acupuntura mostrou-se uma prática integrativa segura, de baixo custo, bem aceita e com mínima dor, aplicável a diferentes faixas etárias e a pacientes com múltiplas patologias. Os resultados, baseados em relatos espontâneos e questionários, evidenciaram redução significativa da dor, ansiedade, agitação, instabilidade emocional, distúrbios do sono e alterações intestinais, além de promover sensação de acolhimento, relaxamento e segurança. Observou-se melhora na relação cuidador–paciente, maior engajamento e assiduidade nas terapias convencionais, redução de fatores limitantes ao desempenho terapêutico e fortalecimento do trabalho interdisciplinar. A acupuntura consolidou-se como estratégia complementar, não concorrente, às terapias tradicionais, contribuindo para a organização do cuidado no CER. A ampliação do modelo integral e humanizado alinhado à PNPIC e a melhoria da continuidade e dos resultados globais da reabilitação.
acupuntura, terapia, integrativa, medicina chinesa
ALEXANDRE DE ARAUJO