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A acupuntura médica, como parte das práticas em Medicina Tradicional Chinesa, apresenta indicações em terapias complementares a diversos tratamentos, sendo indicada em pacientes ambulatoriais e hospitalizados. As doenças cerebrovasculares são responsáveis por grande parte da mortalidade mundial e pode levar a sequelas graves e incapacitantes. A acupuntura médica é descrita como tratamento coadjuvante na reabilitação das sequelas do acidente vascular cerebral isquêmico.
O objetivo deste trabalho é descrever a acupuntura como tratamento coadjuvante em paciente com sequela de acidente vascular encefálico cerebral isquêmico em globo pálido, no Serviço de Acupuntura Médica do Município de Santana de Parnaíba.
Paciente de 48 anos, iniciou quadro de gastroenterite (vômitos, diarreia e febre) e foi levada ao hospital. Evoluiu com sepse, choque séptico, coma e parada cardiorrespiratória, tendo permanecido intubada por 12 dias. Teve insuficiência renal (IR) dialítica e acidente vascular encefálico isquêmico nos globos pálidos bilateralmente. Há 1 mês, tinha retornado ao domicílio. Apresenta cansaço intenso, dores pelo corpo, tontura, lentificação na fala, movimentos coreicos em mãos e pés, movimentos estereotipados em face, déficit de memória recente, dificuldade de deambulação com fraqueza global, insônia e limitação para realizar atividades básicas de vida diária. Língua: desviada, trêmula. Pulso: rápido, fino, profundo; AP: anemia hemolítica; plaquetopenia; hepatoesplenomegalia; depressão. HD: Sequela de Acidente Vascular Encefálico Isquêmico nos globos pálidos bilateralmente; IR melhorada; Bicitopenia; Hepatoesplenomegalia HD MTC: Deficiência do Rim; Golpe de Vento; Deficiência do Xue. Tratamento: Acupuntura Auricular em 4 sessões. Os pontos utilizados foram Rim, Fígado, Baço, Shen Men, Simpático, Subcórtex, Ansiedade e Felicidade. Foi utilizada a Escala Visual Analógica da Dor (EVA), Escala de Atividades Básicas de Vida Diária (AVDs) Katz e Barthel, Escala de Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs) Lawton&Brody, Escala para Avaliação de Depressão de Hamilton para avaliação e seguimento do quadro.
Com relação ao grau de dependência pela escala de Katz, na 1ª sessão a paciente era dependente(n=1) e após o tratamento houve independência para AVDs (n=6). À escala de Barthel, havia dependência total(n=10) e ao final independência(n=100). Ao Índice de Lawton, no início dependência para todas as AIVDs das 9 avaliadas (dependência total para 100%) e na quarta sessão dependência para 4 AIVDs (dependência parcial para 44%). A Escala Visual Analógica para dor da paciente iniciou com 10 e ao realizar a quarta sessão foi para 5. A paciente quanto à percepção do seu estado de saúde considerou muito ruim na primeira e boa na quarta sessão de acupuntura auricular. A Escala para Avaliação de Hamilton de 17 itens somou em princípio 42 pontos, o que indica paciente gravemente deprimida e após tratamento somou 10 pontos (levemente deprimida). Devido às condições clínicas, a paciente evoluiu com síndrome consumptiva e houve ganho de peso de 12,76% após o início das sessões (peso inicial de 47kg e final de 53kg). No início, a paciente ingeria líquidos através do canudo, tendo conseguido se alimentar sozinha sem uso de dispositivos ao final, com melhora dos movimentos e força para segurar objetos. Atualmente, consegue pentear o cabelo, realizar atividades domésticas como varrer o chão, lavar a louça e dobrar a roupa.
A paciente apresentou melhoria das sequelas do acidente vascular encefálico isquêmico nos globos pálidos, com aumento da funcionalidade e humor ao realizar acupuntura auricular. Além disso, houve redução da escala visual analógica da dor, melhoria dos movimentos e coordenação motora, bem como recuperação das atividades básicas e instrumentais de vida diária.
acupuntura médica, auriculoterapia, AVE
Adriana Tamie Irikawa, Claudia Vasco de Paula Misorelli, Jose Carlos Misorelli