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A Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil, baseada na integralidade, equidade e universalidade, exige trabalho em equipe, especialmente em áreas vulneráveis. A integração entre Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Promoção Ambiental (APA) é essencial para abordar determinantes sociais e ambientais da saúde. Mendes et al. (2019) destacam essa necessidade, enquanto dados do IBGE (2021) mostram que a Estratégia Saúde da Família (ESF) cobre 65% da população, sendo crucial para alcançar comunidades isoladas. Neste contexto, este relato apresenta um caso de sucesso no tratamento da tuberculose em um paciente com Transtorno de Acumulação, acompanhado pela UBS Conquista III e pelo Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS) em São Mateus, Zona Leste de São Paulo. O Transtorno de Acumulação é uma condição complexa que pode agravar o curso de doenças infecciosas, dentre elas, a tuberculose. O paciente apresentava resistência ao tratamento da doença, além de apresentar acumulação compulsiva de entulhos, comportamento este agravado pela sua situação de adicto. Dessa forma, entendeu-se ser necessário um olhar humanizado para a família, por parte da Agente Comunitária de Saúde e da Agente de Promoção Ambiental do território, com vistas à uma abordagem empática, enxergando o núcleo familiar como uma unidade, proporcionando apoio e tratamento integral para reconhecer a complexidade do problema e tratá-lo da maneira mais adequada.
Este relato tem o objetivo de ilustrar a relevância da integração entre diferentes áreas do cuidado, como a promoção ambiental e a Atenção Primária à Saúde (APS), no enfrentamento dos desafios impostos pelos determinantes sociais da saúde. Também busca destacar a importância da abordagem familiar e do fortalecimento do vínculo entre as equipes de saúde e a comunidade para promover maior adesão ao tratamento, especialmente em populações em situação de vulnerabilidade.
O estudo ocorreu na UBS Conquista III, na Atenção Primária à Saúde, acompanhando um paciente com tuberculose e Transtorno de Acumulação. A abordagem humanizada e intersetorial envolveu a ACS, a APA e a equipe de enfermagem. Desde julho de 2023, visitas domiciliares mensais monitoraram o tratamento e auxiliaram na organização do ambiente. Inicialmente, houve resistência, exigindo uma abordagem gradual para fortalecer o vínculo. Com o tempo, as visitas se tornaram mais próximas, garantindo um acompanhamento efetivo. O paciente também compareceu à UBS para exames e consultas durante 6 meses, para realizar o tratamento e receber o tratamento e acompanhamento da tuberculose. Nestas ocasiões, a equipe abordou não só a tuberculose, mas também os fatores sociais e ambientais que impactavam a adesão ao tratamento, incluindo higiene e descarte de resíduos. Os registros médicos permitiram analisar o impacto das intervenções, destacando como a atenção primária integrada e humanizada pode ser decisiva no tratamento de casos complexos em populações vulneráveis.
Os resultados da intervenção realizada pela equipe da UBS Conquista III evidenciam o impacto positivo de uma abordagem integrada e humanizada no enfrentamento de desafios complexos. A adesão ao tratamento da tuberculose foi alcançada com sucesso, marcando uma transformação significativa na saúde do paciente e no ambiente familiar. A construção de confiança entre os profissionais e a família foi essencial para superar a resistência inicial, demonstrando o papel central do vínculo no cuidado contínuo. Além disso, houve uma redução expressiva no acúmulo de resíduos na área e melhorias nas condições sanitárias do local, promovendo maior segurança e qualidade de vida para toda a comunidade. A conscientização dos vizinhos sobre o descarte adequado de resíduos foi outro ponto de destaque, rompendo o ciclo de práticas prejudiciais que perpetuavam o problema ambiental. As ações de promoção da saúde ambiental, lideradas pela Agente de Promoção Ambiental (APA) e pela Agente Comunitária de Saúde (ACS), resultaram no controle de vetores e na prevenção de zoonoses, beneficiando não apenas a família atendida, mas também os moradores do entorno. A experiência reforça o papel transformador da APS ao integrar saúde pública e questões ambientais, mostrando que estratégias intersetoriais podem impactar diretamente a saúde e o bem-estar da comunidade.
Este relato de experiência demonstra o alcance de resultados exitosos no tratamento da tuberculose e no manejo do Transtorno de Acumulação enaltecendo a abordagem contínua e humanizada como estratégia de promoção à saúde de forma integral, isto é, cuidado dos aspectos que envolvem a saúde física, mental e ambiental. Tal vivência reforça a importância da promoção da saúde ambiental, intensificada pelo PAVS, que conecta questões ambientais à saúde comunitária, prevenindo zoonoses e melhorando as condições sanitárias. Além disso, o trabalho em equipe, ilustrado pela parceria entre Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Promoção Ambiental (APA) é essencial nesse processo e possibilitou a sensibilização da família e da comunidade sobre o descarte adequado de resíduos e os cuidados ambientais, mostrando que a APS requer cuidados que integrem os determinantes sociais e ambientais que impactam a saúde e transformam comunidades.
agente, ambiental, tuberculose, acumulação
LUCIANA RAMALHO LIMA DA SILVA, JULIANA AGUILAR DE CARVALHO LOPES, CAROLINA QUEVEDO, MÁRCIA SIMONE SALATIEL, FABÍOLA LUIZA SARAUZA, ALEXANDRA CORRÊA DE FREITAS, ANA HONORATO, AUGUSTO VERSURI, KARINA FERREIRA DA SILVA