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A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pelo Treponema Pallidum (TP). A fase primária da doença é caracterizada por uma úlcera indolor (cancro duro) no local de inoculação. Os anticorpos contra TP surgem até 3 dias após a lesão primária e permanecem detectáveis até o tratamento. Entre 2012 e 2018, o Ministério da Saúde observou um aumento nas taxas de detecção de sífilis, tanto em adultos quanto em gestantes, além do aumento na incidência de sífilis congênita. Este crescimento é atribuído ao maior acesso à testagem rápida, à desinformação e ao uso inadequado de preservativos. Além disso, a redução do uso da penicilina devido ao desabastecimento agrava a situação. O rastreamento é uma estratégia para diagnosticar doenças precocemente e permitir tratamentos oportunos, reduzindo a morbimortalidade. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas recomendam o rastreio populacional de sífilis e HIV para pessoas com menos de 30 anos, dada a alta prevalência entre esse grupo. O teste Syphilis Ultra Rapid Test Device, disponível nas Unidades de Saúde da Família, é altamente sensível e específico, com cerca de 99,5% de sensibilidade e 99,8% de especificidade, e é utilizado para detectar anticorpos contra o Treponema Pallidum em sangue, soro ou plasma.
Objetivou-se avaliar a prevalência de sífilis na população não gestante adstrita na equipe III da USF Dr. Carlos Roberto Surian nos meses de maio a dezembro, por meio da realização de testes rápidos em todos os pacientes abaixo de 30 anos de idade que passaram por atendimento em demanda espontânea no período citado. A medida de prevalência possibilitou o atendimento e tratamento oportuno da Sífilis na população, agindo diretamente na cadeia de transmissão da doença. O tratamento foi realizado de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), baseado na classificação da sífilis como primária, latente recente e latente indeterminada. O medicamento de escolha foi a penicilina benzatina com dose adequada de acordo com a classificação da Sífilis pelo protocolo.
Foram analisados os dados de prevalência da sífilis, bem como sexo dos indivíduos testados e uso de preservativo durante a relação sexual. Tais dados foram inseridos em planilhas para possibilitar a construção de gráficos de análise. A importância desta coleta de dados se baseia na formulação de uma estratégia específica para a população adstrita na Unidade de Saúde da Família (USF) “Dr. Carlos Roberto Surian” afim de reduzir a morbimortalidade por Sífilis no território da unidade.
Foram realizados no total 150 testes rápidos para sífilis em pacientes não gestantes adscritos da Equipe III da USF “Dr. Carlos Roberto Surian”, destes, 80 eram do sexo masculino e 70 eram do sexo feminino. Na análise de prevalência da sífilis houveram 6 casos positivos confirmados por sorologia e iniciado o tratamento em tempo oportuno. Quanto ao uso de preservativos, cerca de 50 pacientes fazem uso deste nas relações sexuais, o que se traduz em uma parcela de 33% dos pacientes testados. Na população de gestantes da Equipe III houve 1 diagnóstico de sífilis em um total de 18 gestantes em acompanhamento Pré-Natal, confirmado por sorologia, realizado o tratamento adequado com penicilina e feito o seguimento com titulação de VDRL mensal. A prevalência estimada de detecção de sífilis em gestantes é de 21,5 por 100 mil habitantes segundo dados do Ministério da Saúde, que quando comparado a detecção de sífilis em gestante na equipe III com valores de 5,5% (1 diagnóstico em 18 gestantes) ou 5.555,55 a cada 100 mil habitantes apresenta risco relativo de 258,37 vezes maior de detecção na população da USF. A população total estimada adstrita da Equipe III é de 2664, e destes, 2080 são cadastrados na USF. A prevalência de sífilis dentre os testados foi calculada em torno de 4%.
De acordo com os dados levantados, nota-se que o perfil da população estudada é marcado por intensa vulnerabilidade social com risco relativo de sífilis muito maior que nos dados trazidos para população geral de 2018 pelo Ministério da Saúde. Portanto, se faz necessária a formulação de estratégias para contenção do avanço da Sífilis na população adstrita da unidade, bem como da necessidade de cuidados integrais com a população para assim reduzir a morbimortalidade por sífilis no território. A prevalência de sífilis em gestante foi maior que a média, mas que a prevalência de sífilis na população assistida pela unidade de saúde foi abaixo da média, necessitando de uma abordagem mais ampla para a população assistida para detecção precoce e interrupção da cadeia de transmissão da sífilis no território.
Sífilis, ISTS, diagnóstico, tratamento.
CAROLINE FALCÃO DA CRUZ, EDUARDO TOLEDO RODRIGUES, EDUARDA OLIVEIRA DE ARO MARGONAR