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A experiência faz parte das ações da AcS junto à eCnaR de Atibaia. Em agosto, recebemos uma demanda relacionada a uma gestante em situação de rua, acompanhada pela ESF. Conforme a PNAB 2011, o CnaR “visa ampliar o acesso da população em situação de rua aos serviços de saúde, ofertando, de maneira mais oportuna, atenção integral à saúde para esse grupo populacional, o qual se encontra em condições de vulnerabilidade e com os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados.” Nesse sentido, se constrói o PTS com representantes do eCnaR e eAP, o CnaR realiza o acompanhamento de pré-natal e promove busca ativa compartilhada para a construção de vínculo, considerando CnaR inaugurado em maio de 2024. Durante uma das abordagens, encontramos a gestante roçando a grama da calçada. Nessa abordagem, não quis fazer vínculo com a equipe, mesmo assim, aceitou um garrafão com água e produtos de higiene. Na perspectiva da RD, os insumos de cuidado em saúde possibilitam a abertura de diálogo para o ACS, funcionando como um meio potente de promoção do acesso à saúde. Através da Lei 10.507, o ACS possui entre suas atribuições a prevenção de doenças, a ampliação do acesso da comunidade assistida às ações de promoção social e de proteção da cidadania. Com vínculos sendo construídos no turbilhão da gestação em alta complexidade social e alto risco em saúde, articulamos com a RAPS para garantir a integralidade do cuidado da mãe e do bebê, promovendo um acompanhamento contínuo e humanizado.
Com protagonismo do agente comunitário em saúde; Assegurar o desenvolvimento saudável da gestação; Assegurar o direito da gestante; Oferta de Carta de Serviços SUS; Garantia de acesso: Mapeamento e identificação de Serviços disponíveis; Articulação em REDE RAS; Articulação em RAPS municipal; Articulação com SADS municipal; Ação de articulação de cuidado em rede; Acompanhar e garantir acesso ao pré-natal da gestante sem rede de apoio; Construir pontes familiares para cuidado compartilhado; Articulações intersetoriais a fim de ampliar acesso a políticas sociais e beneficiárias; Construção de futuro e garantia maternal no território; Articulações em Saúde Regionais em casos de alta complexidade em saúde; Articulação com a rede socioassistencial intermunicipal; Articulação em rede de saúde intermunicipal; Articulação intermunicipal entre CnaR´s.
Por meio de reuniões intersetoriais, a ACS do CnaR acompanha a gestante e garante seu acesso às redes de atenção. Sempre que a gestante apresentava uma nova demanda, o cuidado era direcionado conforme sua necessidade. O CnaR atua com cuidado in loco, recebendo e articulando ações de promoção à saúde. A ACS constrói vínculo e promove o cuidado, apresentando a carta de serviços do SUS e participa dos matriciamentos. Esse processo ocorre por meio da educação permanente, tornando o CnaR um ordenador do cuidado e uma porta de entrada ao SUS. Com o avanço da gestação e o aumento da complexidade, o CnaR busca novos serviços, conduzindo e promovendo ações compartilhadas no PTS em rede. O acesso era articulado considerando os princípios da universalidade e da hierarquização dos níveis de atenção no SUS. De acordo com a portaria do CnaR, A depender da necessidade do usuário, as equipes de CnaR também devem atuar junto aos CAPS, aos serviços de Urgência e Emergência e a outros pontos de atenção da rede de saúde e intersetorial. Considerando as especificidades dessa população, a estratégia de RD esteve presente de forma transversal em todas as ações realizadas pela eCnaR. A construção do PTS garantiu equidade no atendimento das demandas e no acesso aos serviços, respeitando a complexidade. O cuidado se apoiou na lógica da integralidade e da longitudinalidade, sendo articulado pelos ACs e por outros profissionais multidisciplinares, com integração entre os serviços interSUS e interSUAS.
Os resultados das articulações do CnaR Atibaia e da atuação da ACS se refletem nos benefícios oferecidos à gestante, garantindo seu acesso à rede de atenção e possibilitando o melhor cuidado para sua situação. A inserção da paciente na rede de atenção foi alcançada por meio de estratégias de educação permanente, matriciamento e cuidado compartilhado, garantindo seu acesso a diferentes serviços. Com seis meses de acompanhamento, a gestante estava vinculada a uma rede de cuidado composta pelos seguintes serviços em Atibaia: ESF Cerejeiras (território de referência da gestante), ACS da ESF Cerejeiras, equipe multiprofissional (Emulti), CAPS AD, CASAMAR, Centro POP, CRM e Casa de Passagem de Atibaia. Devido à alta complexidade de seu caso, também passou a ser acompanhada pelo CAISM (Campinas), com suporte da ACS durante as consultas. Além disso, foram garantidos atendimento, bem como orientações sobre os acessos aos serviços, ações de Redução de Danos (RD). A paciente teve uma passagem pelo Pe. Haroldo (Campinas) e foi articulado seu acompanhamento também pelo CnaR Campinas, garantindo continuidade do cuidado. O acompanhamento integral possibilitou o RETORNO ao território em uma gestação esteja ocorrendo com acesso adequado à saúde, equidade e preservação de direitos. Esse processo contribuiu para a reconstrução de vínculos familiares e para o planejamento de vida, possibilitando uma estrutura de proteção para a criança em gestação, com suporte das políticas do SuS e SuAS.
A experiência do CnaR Atibaia evidencia a potência do cuidado intersetorial na garantia de direitos e acesso à saúde para populações em alta vulnerabilidade. Como aponta Nery Filho, construídO Pontes para o Impossível, a construção de redes e vínculos foi essencial para transformar a realidade, permitindo que o cuidado ultrapasse barreiras estruturais e sociais. A atuação da ACS foi decisiva na mediação entre os serviços, no fortalecimento do PTS e na implementação de estratégias de Redução de Danos, possibilitando um acompanhamento longitudinal e humanizado. A complexidade do caso reforça a necessidade de articulação entre SUS e SUAS, ampliando a integralidade do cuidado e a utilização de metodologias como o matriciamento e a educação permanente, para a garantia da REDE de promoção e cuidados. A trajetória dessa gestação comprova que, com estratégias bem estruturadas, é possível ressignificar trajetórias marcadas pela exclusão da população em situação de RuA. A inserção na rede de atenção não apenas garantiu o acesso à saúde, mas também promoveu reconstrução de vínculos familiares e planejamento de vida, reafirmando o papel do CnaR como TRANSformadores para o cuIDADO, PROMOVEndo a equidade das pessoas.
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NATHAN LINO DOS SANTOS, ROSA MARIA DA SILVA