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O grupo Alecrim: alegria na infância surge diante do aumento de encaminhamentos de crianças de 0 a 5 anos e 11 meses ao CAPS II IJ, que chegam ao serviço, muitas vezes com queixas inespecíficas do comportamento ou desenvolvimento. Reconhecendo a primeira infância como fase fundamental para intervenções e a fim de evitar práticas individualizantes e patologizantes, o serviço estruturou uma triagem coletiva que considera as culturas infantis, a interação entre pares e o contexto familiar, evitando leituras descontextualizadas e contrárias aos princípios da Reforma Psiquiátrica. O grupo responde a demanda do território, de maneira sistematizada, oferecendo espaço multidisciplinar de observação e avaliação, o qual permiti compreender não apenas os sintomas apresentados, mas do contexto integral da criança, promovendo intervenções mais assertivas e alinhadas à lógica psicossocial.
Realizar triagem estruturada do desenvolvimento psicossocial de crianças até 6 anos incompletos, observando-as em convivência com seus pares, a partir da reflexibilidade investigativa (SARMENTO & PINTO, 1997) e com olhar multidisciplinar. Identificar e qualificar possíveis diagnósticos, compreendendo as necessidades singulares de cada criança e avaliando a pertinência para inserção regular no CAPS IJ. Identificar sinais precoces de transtornos próprios da faixa etária, e/ou comprometimento grave na área do desenvolvimento psicossocial; Estabelecer fluxo eficiente e qualificado de devolutivas aos profissionais de referência, bem como aos familiares/responsáveis;Direcionar cada criança aos atendimentos mais adequados às suas necessidades, articulando-se de forma efetiva com outros pontos da rede, fortalecendo as ações intersetoriais e o cuidado territorial.
O grupo foi organizado em ciclos de três encontros mensais, realizados às quartas-feiras, das 9h30 às 10h30, com as seguintes etapas: I.Planejamento e recepção: Convocação das crianças e cuidadores selecionados para a triagem; Orientação inicial às famílias sobre o funcionamento do grupo e seus objetivos. II.Encontros de avaliação (3 encontros de 1h cada): Observação e registro do comportamento da criança em interações individuais e grupais; Aplicação de instrumentos de avaliação do desenvolvimento, quando necessário;Discussão de casos pela equipe multidisciplinar, considerando aspectos biopsicossociais. III.Devolutiva para os profissionais de referência: Elaboração de um relatório para cada criança avaliada; Reunião com os profissionais de referência para apresentação dos resultados e encaminhamentos. IV.Devolutiva às famílias/responsáveis: Os profissionais de referência são responsáveis por realizar reuniões individuais com as famílias para compartilhar os resultados da avaliação e orientações sobre os próximos passos.
Observou-se que aproximadamente 70% do público atendido foi composto por meninos, o que permite refletir sobre dinâmicas de desenvolvimento e aspectos de saúde mental que atravessam diferentes expressões de gênero na primeira infância. Do total de crianças avaliadas, cerca de um terço permaneceu em acompanhamento no CAPS IJ, enquanto as demais foram encaminhadas para a Atenção Básica, reforçando a assertividade dos critérios de triagem e o alinhamento entre as necessidades identificadas e o ponto de cuidado mais adequado na rede. A dinâmica grupal fortaleceu a integração da equipe multiprofissional, ampliando decisões compartilhadas e aprimorando a qualidade técnica das avaliações. No cuidado às crianças e seus responsáveis, o grupo favoreceu a identificação precoce de necessidades e possíveis transtornos, possibilitando intervenções mais alinhadas à singularidade de cada caso. Para as famílias, o processo garantiu orientações claras e acessíveis, ampliando a compreensão sobre o percurso terapêutico e fortalecendo a corresponsabilidade no cuidado, além de reduzir a ansiedade pela maior previsibilidade e acolhimento no processo avaliativo. Para a rede de atenção, a proposta contribuiu para otimização dos recursos do CAPS IJ e fortalecimento das articulações intersetoriais com saúde, educação e assistência social, qualificando o fluxo entre os diferentes pontos da rede.
O grupo Alecrim: alegria na infância tem se consolidado como uma importante estratégia no processo de triagem de crianças até 6 anos incompletos, qualificando o acesso ao CAPS IJ e fortalecendo o cuidado territorial, garantindo intervenções qualificadas e alinhadas às reais necessidades da população. A proposta reforça o compromisso do serviço com o cuidado integral e a efetividade das ações em saúde mental na infância, reafirmando os princípios da Luta Antimanicomial.
Rede de Cuidados, Infância, Despatologização
MARSOL OLIVEIRA ROCHA, ANAÍZA ALINE DA COSTA BORGES OLIVEIRA, ANA PAULA SANTANA OLIVEIRA, ARIANA APARECIDA DA SILVA