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O pós-parto é um período repleto de desafios tanto para a mãe quanto para o recém-nascido. Neste contexto, o ato de amamentar ganha uma importância única para garantir o bem-estar de ambos. A Organização Mundial da Saúde recomenda que as crianças sejam exclusivamente amamentadas nos primeiros seis meses de vida, continuando a amamentação até os dois anos de idade ou mais. O município de Ribeirão Preto, em parceria com a Coordenadoria de Aleitamento Materno, está empenhado em promover, proteger e apoiar a prática do aleitamento materno (AM). A partir da análise de dados, busca direcionar estratégias e implementar ações promotoras do AM e contribuir para a qualidade de vida da população, seguindo a Política Nacional de promoção, proteção e apoio ao AM. Os resultados dessa política, aliados aos inquéritos nacionais têm demonstrado melhorias nos indicadores de prevalência da amamentação. Com isso, entre 1999 e 2011, destaca-se o projeto nacional Amamentação e Municípios (AMAMUNIC), e, posteriormente, o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN); ambos fornecem informações sobre a prática de amamentação e prevalência do AM. Essa coleta de dados possibilita analisar a tendência do AM, essencial para a identificação dos fatores associados ao AM, auxiliando no diagnóstico e no planejamento de ações. Deste modo, identificar a prevalência da amamentação tornará possível evidenciar o efetivo papel do município em promover, proteger e apoiar o AM.
Apresentar e analisar a tendência de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade no município de Ribeirão Preto entre os anos de 1999 e 2022 a partir de dados fornecidos pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) e pelo Projeto Amamentação e Municípios (AMAMUNIC).
Este estudo descritivo utiliza dados secundários do AMAMUNIC (1999-2011) e SISVAN (2015-2022) para analisar a evolução do aleitamento materno exclusivo (AME) no município de Ribeirão Preto – SP. O AMAMUNIC, realizado nacionalmente em 1999, 2008 e 2011, contribuiu com informações sobre alimentação infantil, sendo um recordatório das últimas 24 horas. A implementação do SISVAN em 2015 permitiu a coleta contínua, focada em menores de 6 meses, usando critérios específicos. Os dados foram organizados em planilhas do Microsoft Excel® e analisados, com destaque para a tendência do AME de 2015 a 2022. A análise considerou as ações da Coordenadoria de Aleitamento Materno (CALMA), criada em 1996, vinculada à Saúde Municipal. A CALMA busca fomentar, incentivar, proteger e apoiar a prática do AM no Município através de capacitação e atendimento de qualidade. Os resultados são cruciais como indicadores, influenciando a eficácia das ações e impactando positivamente as condições sociais, qualidade de vida e saúde da população. O município, em colaboração com os serviços de saúde, utiliza esses dados para estimar a situação atual e implementar estratégias visando aprimorar a saúde materno infantil da comunidade.
Entre 1999 e 2022, em Ribeirão Preto, houve um aumento significativo no aleitamento materno exclusivo (AME) em crianças menores de seis meses, passando de 12,7% para 63%. No período de 1999 a 2008, houve um aumento expressivo de 28,3%, representando um incremento de 193% nas crianças em AME. Os inquéritos do AMAMUNIC entre 1999 e 2011 revelaram que o percentual médio de AME foi de 28,6%. Com a introdução do SISVAN em 2015, houve um aumento significativo para 54,3% das crianças menores de seis meses em AME. Entre 2015 e 2019, o indicador atingiu 65,6% em 2020 durante a pandemia. Entre 2021 e 2022, o percentual de crianças em AME foi de 64,1% e 62,3%, respectivamente, com um aumento no número total de crianças acompanhadas. O SISVAN, que acompanha o indicador em diversos momentos durante a puericultura, registrou um aumento no número de crianças acompanhadas, atingindo 2605 em 2022, representando 52,9% dos nascidos vivos SUS do município. A tendência ascendente do AME ao longo dos anos evidencia o impacto positivo das políticas municipais de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, implementadas pela Coordenadoria de Aleitamento Materno. Em 23 anos, o número de crianças em AME aumentou de 108 para 1641, com o maior crescimento na primeira década (1999-2008) e o segundo maior entre 2011 e 2019. Atualmente, os percentuais aproximam-se das metas estabelecidas pelo Plano Municipal de Saúde 2021-2025 e da OMS para 2030, que visa alcançar 70% de AME em menores de seis meses
Conclui-se que a tendência do AME entre menores de seis meses em Ribeirão Preto, de 1999 a 2022, foi ascendente, demonstrando aumento significativo da prevalência deste indicador, que encontra-se superior ao encontrado no estado de São Paulo, no Sudeste e no país; resultado positivo e que traduz a efetividade de uma Política pública para a promoção, proteção e apoio à amamentação. Destarte, a CALMA e a equipe técnica de Alimentação e Nutrição possuem papel fundamental no tocante à esta política, com o desafio de capacitar amplamente profissionais da rede municipal de saúde, fortalecer as ações da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, bem como solidificar parcerias intersetoriais que possibilitam melhoria da qualidade da assistência, refletindo no aumento da prevalência do AME e atingindo a meta de ter 70% de crianças em AME, o que certamente contribuirá para uma sociedade mais saudável.
Aleitamento materno, Sistemas de Saúde, Tendência.
Lilian Donizete Pimenta Nogueira, Maria Tereza Cunha Alves Rios, Angélica Horácio Serafim de Oliveira, Lívia Caroline Andrade Bomfim, Juliana Cristina dos Santos Monteiro