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O presente trabalho apresenta um relato de experiência de uma prática exitosa que surgiu de um momento de ambiência em um Centro de atenção Psicossocial (CAPS II) na cidade de Assis, SP, e que foi capaz de sair dos portões do CAPS e invadir praça pública e Teatro Municipal. Segundo a Política Nacional de Humanização do SUS, a ambiência tem a função de “criar espaços saudáveis, acolhedores e confortáveis, que respeitem a privacidade, propiciem mudanças no processo de trabalho e sejam lugares de encontro entre as pessoas.” A partir de uma conversa na área coletiva, sentados em cadeiras confortáveis, enquanto esperavam o horário da próxima oficina, e enquanto a psicóloga fazia uma ambiência, deu-se o início de um projeto que ganharia forças extramuros, e que traria para dentro do CAPS alunos da rede pública e privada, universitários, grupo de idosos, vizinhos e imprensa local. Através do acolhimento de uma demanda espontânea do grupo, surgiu a Oficina Tecendo Afetos, e o fruto dela foi a Árvore dos Desejos.
O Objetivo do presente trabalho é demonstrar a importância da escuta ativa por parte da equipe, a importância da utilização de recursos disponíveis ( mesmo os que pareçam improváveis), a importância de se fortalecer o protagonismo dos usuários e de possibilitar que as produções realizadas dentro de um CAPS se tornem visíveis, sejam compartilhadas e admiradas para além dos portões. Além disso, pretendemos expor outra questão importante, sobre a capacidade que essa experiência teve de criar um espaço de diálogo entre vários setores da sociedade, podendo colocar em discussão e até certo modo fazer um trabalho educativo sobre o que é Saúde Mental, o que é CAPS, quem frequenta CAPS, o que se faz em um CAPS. Com a participação de escolas, CRAS, universidade e vizinhança, desmistificamos várias questões e colocamos luz em uma temática que muitas vezes é deixada de lado por preconceito, medo, insegurança ou vergonha.
A partir de uma cena inicial, onde usuários aguardavam no quintal do CAPS o horário da próxima oficina e nessa espera surge o assunto sobre as formas que tentaram suicídio. A psicóloga que circulava pelo espaço ficou atenta à conversa e conseguiu intervir, pois percebeu que alguns usuários mostraram-se desconfortáveis. Ela acolheu essa demanda de falarem sobre suas tentativas e pôde conduzir a conversa a fim de ter um desfecho saudável. Porém, tal conversa gerou crises em usuários durante a semana. Na semana seguinte, no mesmo local, no mesmo horário, com os mesmos usuários, um galho morto da árvore caiu. Isso gerou um transtorno, todos querendo tirar aquilo do caminho. Foi quando a psicóloga pensou em transformar aquele local, com aqueles usuários e aquele galho morto em uma oficina, onde pudessem trazer vida de volta para aquele galho, e para eles mesmos. A ideia fez sentido para os usuários, e assim nasceu a Árvore dos Desejos. Semanalmente eram confeccionados adereços para a árvore, que ganhava cor e ‘vida’ a cada encontro. Os usuários também puderam usar daquele espaço de construção para se reestruturarem e criarem novos modos de subjetivação. Eram frequentes comentários que demonstravam sentimento de pertença e de organização interna a cada adereço pendurado na árvore. Segundo Lima (2004), as oficinas podem ser “produção de vida e criação de mundos”, uma “clinica sempre atenta àquilo que propicia a criação e potencializa os processos de transformação do cotidiano.”
A partir de uma cena inicial, onde usuários aguardavam no quintal do CAPS o horário da próxima oficina e nessa espera surge o assunto sobre as formas que tentaram suicídio. A psicóloga que circulava pelo espaço ficou atenta à conversa e conseguiu intervir, pois percebeu que alguns usuários mostraram-se desconfortáveis. Ela acolheu essa demanda de falarem sobre suas tentativas e pôde conduzir a conversa a fim de ter um desfecho saudável. Porém, tal conversa gerou crises em usuários durante a semana. Na semana seguinte, no mesmo local, no mesmo horário, com os mesmos usuários, um galho morto da árvore caiu. Isso gerou um transtorno, todos querendo tirar aquilo do caminho. Foi quando a psicóloga pensou em transformar aquele local, com aqueles usuários e aquele galho morto em uma oficina, onde pudessem trazer vida de volta para aquele galho, e para eles mesmos. A ideia fez sentido para os usuários, e assim nasceu a Árvore dos Desejos. Semanalmente eram confeccionados adereços para a árvore, que ganhava cor e ‘vida’ a cada encontro. Os usuários também puderam usar daquele espaço de construção para se reestruturarem e criarem novos modos de subjetivação. Eram frequentes comentários que demonstravam sentimento de pertença e de organização interna a cada adereço pendurado na árvore. Segundo Lima (2004), as oficinas podem ser “produção de vida e criação de mundos”, uma “clinica sempre atenta àquilo que propicia a criação e potencializa os processos de transformação do cotidiano.”
A árvore morta, caída bem ali no lugar onde se havia falado tanto em suicídio, se tornou ferramenta de trabalho clínico e prática social. Ela cumpriu o papel que se espera de uma oficina em um CAPS, como diz LIMA ( 2004), que é o de ‘criação de novos modos de existência, construir significados coletivos para essas novas formas de existência e suas produções materiais. O que possibilita também a inclusão do indivíduo em grupos e redes de interação social.” Ela criou um senso de pertencimento entre os participantes. Ela estava morta, assim como eles se sentiam por dentro, mas ela pôde brilhar novamente, e eles também! Eles puderam resgatar suas potencialidades, seu protagonismo, sua autonomia, até “puderam passar na TV local, olha que chique!”, como disse uma usuária. É possível ter vida, num lugar de tanto sofrimento, e é possível trazer o mundo pra dentro do CAPS. Já dizia a lenda, todo desejo feito debaixo se uma árvore se torna realidade. O nosso se realizou!
Saúde Mental, transformação social, prática social
THAISSA MANZINI, VANIA LÚCIA PELEGRINI, GUILHERME GONZAGA DUARTE PROVIDELLO, VANESSA DE OLIVEIRA SILVA CARVALHO, ANA PAULA MALAGOLI DUARTE DA SILVA, GABRIEL TAO MEDICI STEIN, DENISE TEIXEIRA DE OLIVEIRA CALÔNICO, VALÉRIA CRISTINA DOS SANTOS CARVALHO