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O Agente Comunitário de Saúde – ACS tem um papel fundamental na atenção primária à saúde, suas atribuições são essenciais para o funcionamento eficaz das equipes de saúde da família – ESF e para a promoção da saúde dos indivíduos e da comunidade sob sua responsabilidade. O ACS é um membro essencial dentro da ESF, sendo o principal elo entre a comunidade e o serviço, identificando situações de risco e vulnerabilidade. Trabalhando ações individuais e coletivas de prevenção de doença e promoção da saúde no território junto a equipe. O ACS é parte daquela comunidade, conhecendo seus hábitos e costumes, trazendo linguagem e o olhar característicos da população a qual ele representa. Visto isso duas ACSs Emilia e Daniela lotadas na Unidade Básica de Saúde –do município de Araçatuba – SP, estudantes de pedagogia tiveram a iniciativa após identificaram em suas microáreas jovens adultos com necessidade de alfabetização devido suas dificuldades de autonomia tais como: tomar os medicamentos de forma correta, dependência de terceiros para pegar condução e para ver preço no mercado. A alfabetização de adultos envolve multi fatores por se tratar de um campo complexo educacional, relacionado a situação de desigualdades socioeconômicas em que se encontra grande parte da população do nosso país, refletindo na independência, na qualidade de vida, nos aspectos social, econômica, político e cultural da popul econômica, tendo consciência das limitações.
O objetivo desse trabalho é demostrar que as atribuições dos ACSs vão além das descritas em sua categoria profissional, considerando que a empatia e o amor pelo próximo com ótica dessas ACSs, visaram promover a independência aos adultos por meio da alfabetização em busca por autonomia e a constituição de uma relação com o saber de uma sociedade que valoriza a escrita e a informatização.
Conforme as visitas domiciliares na micro área iam sendo realizadas foram identificados quatro pacientes com dificuldades de alfabetização, que criavam obstáculos nas suas atividades de vida diárias e no seu cotidiano. Para essa atividade as ACSs fazem as visitas domiciliares no período da tarde, de acordo com agenda programada semanal conforme classificação de risco. Foram criados cadernos 96 folhas capa dura encapados com o nome dos pacientes em letra de forma feitas com eva, nesse caderno são montamos aulas individuais personalizadas, conforme grau de dificuldade de cada “aluno”, pois cada um tem seu tempo e evolução de aprendizado diferentes, as ACSs deixam as tarefas coladas nas páginas para que eles façam sozinhos ou com apoio dos familiares. Na próxima visita domiciliar realizam esclarecemos das dúvidas e o ponto de ensinamento parte desse princípio, fazem a correção para que eles identifiquem os erros e até mesmo se animem com os acertos incentivando-os a continuar. Nas tarefas são parabenizados com escritos de parabéns, coração, são elogiados e abastecidos com muito carinho para nossos grandes “alunos”, que venceram a vergonha e estão se mobilizando para um futuro melhor em suas vidas com mais independência.
Esse projeto teve iniciativa em abril de 2023 com a participação de quatro pacientes que viraram “alunos” das ACSs, sendo eles: MLG 58 anos, ROA 55 anos, OS 66 anos e AP 72 anos, esses pacientes relatam resistência em frequentar o supletivo por diversos motivos pessoais. Levando em consideração a vontade que eles apresentam em aprender sendo um sonho no qual eles achavam impossível. Dois dos “alunos” MLG 58 anos e ROA 55 anos, conseguem realizar leitura sozinhos e dois OS 66 anos e AP 72 anos conseguem ler com mais dificuldades. Relato das ACSs “O resultado nos deixou emocionadas e motivadas a continuar esse trabalho que nos faz brilhar os olhos e que traz essa autonomia na rotina dos nossos pacientes/alunos”. Destaca-se que em fevereiro de 2024 tiveram a adesão de mais quatro novos “alunos” sendo eles: ZMC 52 anos, FMC 36 anos, SBS 57 anos e ABS 54 anos. A importância da leitura na vida das pessoas se evidencia em todos os momentos do dia a dia desses indivíduos, portanto é um contexto desafiador de sobrevivência para aqueles que não sabe ler.
Ser alfabetizado é ir além é se apropriar de novas formas de pensar e interagir com esse novo mundo letrado. Depoimento de um paciente “Quem não sabe ler é cego das letras, agora não sou mais analfabeta. Destaca-se, que nas vivencias durante as visitas domiciliares, o quanto os pacientes se sentem distantes de criar essa autonomia por meio da leitura. Dirigir o olhar para essa questão é perceber que a leitura faz a diferença na vida das pessoas, contribui para sua autoestima e autonomia nas atividades simples rotineiras do dia a dia. Desenvolveu-se uma perspectiva individual, respeitando a trajetória e o conhecimento de cada um, sendo eles protagonistas atuantes de suas próprias histórias.
Alfabetização, independência, leitura
Naiara da Silva Campos Albino, Gabriela Peres Teruel, Thamiris Naiasha Minari Ramos, Lea Lofego Garcia, Carmem Silva Guariente, Emilia Fonseca Zechetto, Daniela Pereira de Almeida