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Diante da implantação do Ambulatório TRAVESSIAS – Espaço multidisciplinar de cuidado para pessoas com Variabilidade de Gênero no Município de Santo André iniciou-se discussões junto a rede de atenção à Saúde do Município, para a sensibilização da necessidade de promover uma saúde inclusiva e abrangente. É imperativo reconhecer que a conscientização sobre o câncer de mama durante o Outubro Rosa deve se estender para além das fronteiras binárias de gênero. A campanha que historicamente tem sido centrada nas experiências das mulheres cisgênero, deve ser ampliada para abraçar e atender também as necessidades específicas da população trans. Esta ampliação não apenas reconhece a diversidade de identidades de gênero, mas também aborda disparidades significativas no acesso aos cuidados de saúde e na conscientização sobre o câncer de mama que afetam as pessoas trans. A articulação de rede, destacando o Hospital da Mulher e a regulação do Município, (serviços que foram essenciais para a construção de um fluxo), foram cruciais para assegurar os cuidados adequados as mulheres Trans no mês do 0utubro Rosa. Esta ação culminou na elaboração de um fluxo permanente para o atendimento das mulheres Trans no Hospital da Mulher, garantindo um acesso humanizado, reconhecendo e respeitando sua identidade de gênero e suas necessidades de saúde.
Estabelecer protocolos de atendimento e encaminhamento para a rede de serviço para a população trans do Município de Santo André, abarcando a compreensão da identidade de gênero e não do sexo biológico nas campanhas de cuidado a saúde. Promover sensibilização e treinamento aos profissionais de saúde sobre sexualidade, identidade de gênero e orientação sexual, integração de serviços e combate aos estigmas, desafiando estereótipos de gênero relacionados à saúde que possam desencorajar as pessoas trans de procurarem cuidados de saúde preventivos e de tratamento.
As discussões mensais do GT de Saúde da População LGBTQIA+, e ao qual o Ambulatório Travessias faz parte, identificaram lacunas e necessidade de implantação de políticas de atendimento à população trans. Foram identificadas duas lacunas importantes para a construção de políticas de implantação ou reformulação do atendimento à população trans no município. A 1ª foi o sistema de informatização e coleta de dados, para que se garantisse a inclusão de um campo na identificação do usuário no sistema, constando identidade de gênero: mulher trans, homem trans ou não binário. A 2ª, relacionada ao Sistema de Regulação no qual procedimentos são cadastrados em função do sexo biológico, estando a população trans impedida de realizar exames caso o nome e o sexo estejam retificados no sistema. A equipe do Ambulatório fez formação sobre sexualidade, identidade de gênero e orientação sexual, auxiliando a condução dos trabalhos que resultou em melhorias dos sistemas e fluxo junto à Regulação. Após, discutimos a garantia do atendimento da população trans pela identidade de gênero que despertou ações específicas no Outubro Rosa. O Ambulatório se responsabilizou pelo encaminhamento das mulheres trans, a Regulação em garantir à inclusão das mulheres no sistema e o Hospital da Mulher o atendimento. As usuárias do Ambulatório foram convidadas para roda de conversa sobre atendimentos e exames disponibilizados pelo SUS, pautando-se no vínculo como potência para a produção do cuidado em saúde.
Foi garantido atendimento humanizado as mulheres trans no Hospital da Mulher do de Santo André no Outubro Rosa, respeitando a identidade de gênero e seguimento deste cuidado caso necessário. Esse processo permitiu estabelecer um fluxo permanente entre a Regulação do Município, Hospital da Mulher e Ambulatório Travessias, garantindo que todas as pessoas tenham acesso igualitário aos cuidados de saúde, promovendo a diversidade, inclusão e conscientização sobre os cuidados preventivos. As usuárias demonstraram a importância do vínculo com a equipe do Ambulatório baseada na centralidade da experiência vivida pelas usuárias. A equipe do Hospital da Mulher trabalhou na desconstrução de modelos de atenção possibilitando que novas pactuações operassem na gestão do cuidado. Poucas mulheres compareceram, mas para estas buscou-se a longitudinalidade do cuidado, a construção de vínculo e a responsabilização das profissionais e das usuárias de modo contínuo. Para aquelas que não puderam comparecer criou-se o espaço, por meio do acolhimento, para novos encontros como práticas de saúde. Ao implementar essa estratégia de cuidado, entendemos que a rede de Saúde de Santo André, refletiu e colocou em prática a importância do desenvolvimento de protocolos de atendimento para a população trans, estendendo para o atendimento dos homens trans no Novembro Azul e a continuidade das discussões e implementações de protocolos para as demais estratégias de atendimento a esta população.
No decorrer deste trabalho observamos que muito ainda a de ser feito para a garantia de políticas públicas, inclusão e combate ao estigma da população trans. Avaliamos que a garantia do atendimento de saúde da mulher trans pela sua identidade de gênero, por exemplo, ainda percorre desafios a serem desbravados. Precisamos de ações efetivas dos Governos Federais, Estaduais e Municipais em relação a informatização de dados que ainda é binário, formação ampliada sobre sexualidade, inclusão, diversidade e saúde integral, garantindo os pilares do SUS; universalidade, equidade e integralidade. Apesar dos desafios, entendemos que a rede de saúde do Município de Santo André conseguiu estabelecer fluxo e protocolos de atendimento a população trans que garante o acesso e cuidado ampliado respeitando a identidade de gênero e consequentemente produzindo a promoção da autonomia corporal e autodeterminação de gênero desta população. Em suma, um atendimento de qualidade para a população trans requer uma abordagem abrangente e centrada no paciente, que reconheça e respeite a diversidade de identidades de gênero, promoção a inclusão e equidade, e garanta acesso a serviços de saúde abrangentes culturalmente sensíveis.
População LGBTTQIAPN+, Prevenção, Trabalho em Rede
Almir Francisco Brianez, Andréia De Conto Garbin, Helen Vivili Santana Carmona, Antonio Sergio Faria