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A disseminação do escorpião amarelo no Estado de São Paulo e consequentemente no município de São Paulo, vem sendo um desafio na Saúde Pública. No Estado de São Paulo chama a atenção devido à alta incidência. Em 2024, o Estado registrou 42.307 notificações de acidentes, sendo 05 óbitos. As faixas etárias dos adultos são as mais acometidas por picada de escorpião. No entanto, o grupo etário que mais sente a ação do veneno e evolui para o quadro clínico grave e morte é o das crianças, chegando a 10,4% de gravidade clínica. Em se tratando de óbitos, as faixas etárias mais acometidas são de 2 a 4 anos e de 5 a 10 anos, respectivamente. Os escorpiões desempenham papel importante no equilíbrio ecológico, no entanto, algumas espécies, como o Tityus serrulatus (escorpião amarelo) são extremamente adaptadas a ambientes urbanos encontrando facilmente abrigos subterrâneos e falta de controle por predadores naturais. Na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde (UBS) Cidade Nova São Miguel, administrada pelo Santa Marcelina Saúde em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, tem registrado o aparecimento e notificado acidentes com a espécie Tityus serrulatus. A presença do animal no território e o perfil demográfico consolidado por alto número de crianças e idosos motivou a elaboração um projeto no âmbito do Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS) com coordenação dos profissionais do Núcleo de Vigilância em Saúde na Atenção Básica (NUVIS-AB).
Reduzir a ocorrência de acidentes por escorpiões na área de abrangência da UBS Cidade Nova São Miguel, especialmente entre crianças menores de 10 anos e pessoas idosas, por meio de ações educativas voltadas ao gerenciamento e manejo dos fatores socioecológicos que favorecem a presença do animal e fatores de proteção individual, domiciliar e comunitário e estratificação das áreas de risco pelas equipes de saúde para subsidiar estratégias de vigilância, prevenção e promoção da saúde.
A metodologia do projeto baseou-se na realização de intervenções educativas por meio de visitas domiciliares casa a casa e ações direcionadas a grupos prioritários, como famílias com crianças, pessoas idosas, acamados, além de profissionais de escolas e creches. Nessas atividades, foram abordadas orientações sobre prevenção, identificação de riscos e medidas de proteção individual e domiciliar. Paralelamente, houve intensificação das ações de manejo ambiental em locais considerados vulneráveis, como áreas com descarte irregular de resíduos sólidos, terrenos baldios, áreas verdes abandonadas e regiões sujeitas a alagamentos e inundações, especialmente nos períodos chuvosos, quando há maior proliferação e dispersão dos escorpiões. A utilização de mapas e painéis das áreas de risco também foi utilizado como instrumentos de monitoramento e vigilância e ferramentas de participação comunitária através da notificação do aparecimento ou avistamento dos escorpiões nas residências ou nas vias públicas.
Elaboração de um Painel de Risco da Área de Abrangência da Unidade Básica de Saúde e regiões do entorno, visando apoiar os profissionais de saúde durante as consultas assistenciais com suspeita de acidentes por animais peçonhentos. A implementação de um protocolo de vigilância permanente nas áreas de risco foi fundamental para redução dos acidentes das áreas vulneráveis para o escorpionismo. As visitas educativas e sanitárias realizadas pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e pelo Agente de Promoção Ambiental (APA) possibilitaram um monitoramento eficaz da presença de escorpiões, promovendo a sensibilização da população sobre os riscos e as medidas de prevenção através da vistoria domiciliar e o incentivo a instalação de barreiras físicas, sendo 1760 famílias orientadas e a realização de 57 intervenções em áreas de riscos. Foram realizadas 04 atividades educativas em grupos, com 48 pessoas participantes, priorizando a participação das gestantes nos encontros. Realizada uma capacitação para os educadores do Centro de Educação Infantil sobre o protocolo assistencial em casos de acidentes. A redução do avistamento de escorpiões na área monitorada, evidenciada pelos relatos dos moradores durante as visitas domiciliares e a diminuição na entrega de escorpiões na unidade de saúde é um indicativo claro da eficácia das estratégias implementadas. Outro dado relevante é que, após a implantação do projeto, não houve nenhum acidente notificado relacionado ao escorpionismo.
O projeto estabeleceu um modelo de atuação que pode ser replicado em unidades de saúde com o mesmo perfil epidemiológico. A colaboração entre os profissionais de saúde e a comunidade é essencial para a promoção de ambientes mais seguros. Além disso, é importante destacar que a experiência adquirida ao longo do projeto reforçou a importância da educação sanitária como ferramenta de promoção. A sensibilização da população sobre os riscos do escorpionismo e as medidas de proteção adotadas demonstraram ser fundamentais para a redução dos casos e para a promoção do cuidado e prevenção de agravos, principalmente em idosos, gestantes e crianças. Outro aspecto a ser considerado é a necessidade de um monitoramento contínuo e envolvimento do governo local para apoio na limpeza de áreas e eliminação de abrigos favoráveis. A atualização dos protocolos de atuação, garante que as estratégias permaneçam eficazes diante das mudanças nas condições ambientais e sociais, principalmente em áreas e equipamentos com a presença dos grupos vulneráveis. O monitoramento constante dos dados epidemiológicos pelo Núcleo de Vigilância em Saúde (NUVIS) foi fundamental para direcionar as intervenções e para o aprimoramento das visitas domiciliares.
Enfrentamento do escorpionismo;
ALMIR DOS SANTOS AMORIM, ANA CLAUDIA PINHEIRO PADILHA, AMANDA DE SOUZA LOPES, KAREN CRISTINA DOS SANTOS BORGES