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O envelhecimento populacional impõe novos desafios ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no cuidado a pacientes idosos com doenças crônicas complexas, como o câncer. No contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), observa-se a ausência de ambulatórios especializados em Nutrição Oncológica e o uso limitado de instrumentos validados para rastreamento nutricional, como o Mini Nutritional Assessment (MNA), nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). No município de Guararapes-SP, foi possível encontrar pacientes oncológicos com prevalência idosa, esses chegavam tardiamente aos serviços especializados, frequentemente com risco nutricional ou desnutrição instalada, impactando negativamente o prognóstico e a qualidade de vida. Diante disso, foi implementado um Ambulatório de Nutrição Oncológica na APS, com início em junho de 2025, integrando uma comunicação entre a sala de regulação e a equipe de nutrição. A experiência envolveu nutricionistas, equipe da APS e pacientes adultos e idosos oncológicos, beneficiando diretamente usuários do SUS em acompanhamento, aguardando tratamento oncológico ou em remissão, fortalecendo a linha de cuidado e o envelhecer com mais qualidade.
Implementar um Ambulatório de Nutrição Oncológica na Atenção Primária à Saúde para realizar rastreamento nutricional precoce, utilizando instrumento validado não rotineiro na UBS (MNA), avaliar consumo alimentar e promover acompanhamento nutricional contínuo, com foco em pacientes oncológicos, predominantemente idosos, visando qualificar o cuidado, prevenir agravos nutricionais e fortalecer o envelhecimento saudável no SUS municipal.
: Trata-se de um trabalho de campo, desenvolvido no município de Guararapes-SP, entre junho e setembro de 2025. A experiência consistiu na implementação de um protocolo de acolhimento e acompanhamento nutricional para pacientes oncológicos vinculados à APS. Os pacientes foram identificados por busca ativa a partir da sala de regulação municipal, no momento do encaminhamento ao Centro de Tratamento Oncológico. Após contato telefônico, eram agendados para atendimento nutricional na UBS. As atividades realizadas incluíram avaliação antropométrica, recordatório alimentar, avaliação de consumo por marcadores do e-SUS, avaliação intestinal e aplicação do Mini Nutritional Assessment (MNA). O consumo alimentar foi analisado com apoio de software nutricional, utilizando tabelas oficiais. Participaram da experiência nutricionistas da APS, equipe administrativa e pacientes adultos e idosos, sendo a maioria composta por idosos.
: Foram avaliados 35 pacientes oncológicos, com predominância de idosos em ambos os sexos. Observou-se elevada frequência de sobrepeso pelo IMC; entretanto, a aplicação do MNA revelou que 25,7% dos pacientes apresentavam risco de desnutrição e 14,3% desnutrição, evidenciando discrepância entre IMC e risco nutricional real. Os resultados indicaram perfil compatível com obesidade sarcopênica, especialmente na população idosa, condição frequentemente subdiagnosticada na APS. A análise do consumo alimentar mostrou ingestão energética próxima ou abaixo das recomendações, com inadequação proteica e de micronutrientes. A implementação do ambulatório possibilitou identificação precoce de risco nutricional, direcionamento de condutas individualizadas e maior vínculo do paciente com a UBS, fortalecendo o cuidado longitudinal. O uso do MNA demonstrou ser ferramenta efetiva e aplicável na APS, qualificando o acompanhamento nutricional do paciente idoso oncológico.
A experiência demonstrou que a implementação de um Ambulatório de Nutrição Oncológica na Atenção Primária é efetiva, inovadora e estratégica para o SUS municipal, especialmente no contexto do envelhecer. O uso de instrumento validado como o MNA, ainda pouco utilizado na UBS, ampliou a capacidade de identificação de riscos nutricionais ocultos em pacientes idosos. O trabalho reforça o papel da APS no cuidado oncológico, mostrando que ações estruturadas de rastreamento, acolhimento e acompanhamento nutricional contribuem para melhor qualidade de vida, funcionalidade e prognóstico dos pacientes. A expectativa é ampliar e consolidar o protocolo, fortalecendo a linha de cuidado e promovendo envelhecimento com mais dignidade no SUS.
Nutrição oncológica, desnutrição e atenção básica
CAROL RODRIGUES, NYCOLY DO CARMO GARCIA