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Gravidez na adolescência configura-se como um importante desafio para a saúde pública. As gestantes adolescentes vivenciam esse período em um contexto de intensas transformações físicas, emocionais e sociais, muitas vezes marcadas por vulnerabilidades socioeconômicas, fragilidade dos vínculos familiares, baixa escolaridade e acesso limitado à informação. Esses fatores podem impactar diretamente a adesão ao pré-natal, a compreensão das orientações em saúde e o preparo para o parto e a internação hospitalar. O acompanhamento no pré-natal de alto risco torna-se ainda mais relevante para essa faixa etária, e o atendimento às gestantes adolescentes exige uma abordagem diferenciada, pautada no acolhimento, na escuta qualificada e no respeito às especificidades dessa fase do desenvolvimento. Nesse contexto, a equipe do Serviço Social (SS) da Maternidade Amador Aguiar, que já atua no acompanhamento das gestantes adolescentes durante a internação, identificou que muitas dessas pacientes chegavam ao serviço pouco preparadas para o processo de internação, apresentando dificuldades relacionadas à documentação necessária e sem nenhum suporte familiar e desconhecendo as rotinas hospitalares. Essa realidade evidenciou a necessidade de ampliar a atuação do SS no atendimento ainda durante o pré-natal de alto risco, fortalecendo o vínculo com as adolescentes antes do momento da internação e contribuindo para Articulações de rede que viabilizassem melhor preparo social para o nascimento do bebê
•Prestar atendimento sistemático às adolescentes em pré-natal de alto risco; •Promover acolhimento, criação de vínculo e escuta qualificada, com foco na orientação social, no acesso aos serviços de saúde e à rede de proteção social; •Contribuir para o preparo para a internação, o parto e o cuidado materno-infantil.
O trabalho é desenvolvido na Casa da Mulher da Maternidade Amador Aguiar, a partir da articulação entre a coordenação do Serviço Social e a coordenação de Enfermagem do pré-natal de alto risco. O processo iniciou-se com reuniões entre as coordenações, com o objetivo de definir o fluxo de identificação e acompanhamento das gestantes adolescentes atendidas no serviço. A identificação das gestantes menores de idade é realizada pela equipe de enfermagem, que comunica ao Serviço Social através de e-mail institucional, informando os dados necessários para o acompanhamento. A partir dessa sinalização, a Supervisão Técnica do Serviço Social organiza o agendamento das consultas com a equipe de assistentes sociais, priorizando os mesmos dias das consultas de pré-natal, de modo a aproveitar a presença da gestante na unidade e facilitar o acesso ao atendimento. Durante as consultas, são realizadas ações de acolhimento, escuta qualificada e orientação, abordando aspectos sociais, familiares e institucionais, bem como informações relacionadas à documentação, direitos sociais e preparo para a internação hospitalar. Esse fluxo possibilitou a ampliação da atuação do Serviço Social no pré-natal de alto risco, fortalecendo o cuidado integral, a vinculação precoce das gestantes adolescentes com o serviço e a articulação multiprofissional, contribuindo para uma assistência mais humanizada e contínua.
Desde a implantação do fluxo de acompanhamento pelo Serviço Social no pré-natal de alto risco, observou-se um fortalecimento significativo do vínculo entre as gestantes adolescentes e a equipe multiprofissional. As adolescentes passaram a chegar à maternidade mais preparadas para o processo de internação, com a documentação organizada, maior compreensão acerca das etapas do parto e maior adesão às orientações de saúde. A realização de atendimentos junto aos responsáveis pelas adolescentes evidenciou uma melhor compreensão sobre o pré-natal, as consultas de puerpério e o papel da família no suporte à adolescente e ao recém-nascido. A partir desse acompanhamento, o Serviço Social passou a identificar e intervir em variáveis sociais que poderiam prolongar desnecessariamente a internação do binômio mãe-bebê, contribuindo para uma assistência mais eficiente. Destaca-se que o acompanhamento social desde o início do pré-natal possibilita a identificação precoce de situações de vulnerabilidade social e o acionamento da rede de proteção social, como CRAS, CREAS, Conselho Tutelar e CAPS, promovendo intervenções intersetoriais que contribuem para a redução de riscos sociais e para a proteção da maternidade e da infância. Além disso, a parceria entre o Serviço Social e a Enfermagem consolida um canal de comunicação efetivo, otimizando a identificação precoce das adolescentes e garantindo o acompanhamento integral desde o início do pré-natal.
A experiência demonstra que a inserção do Serviço Social no acompanhamento das gestantes adolescentes durante o pré-natal de alto risco é uma estratégia potente para o cuidado integral e humanizado. O acolhimento, a escuta e a orientação social prévia possibilitam uma aproximação mais efetiva, captando melhor a dinâmica social, fortalecendo o vínculo com o serviço e promovendo a corresponsabilização das famílias no processo gestacional. A articulação entre os diferentes setores da maternidade e da rede intersetorial mostrou-se essencial para enfrentar as vulnerabilidades que atravessam a adolescência e a gestação precoce. Esse trabalho multiprofissional reafirma a importância do olhar ampliado sobre as determinantes sociais da saúde e da promoção da equidade no acesso e na qualidade da atenção prestada às adolescentes grávidas. Assim, o ambulatório multiprofissional de adolescentes se consolida como uma prática exitosa de cuidado dentro da instituição, como também em rede, contribuindo para a redução de desigualdades, ampliando o acesso a direitos e para a efetivação dos princípios do SUS.
Gravidez na Adolescência; Pré-natal de Alto Risco
PAMELA MAIARA JACOME DE OLIVEIRA, NILVÂNIA CARZOLA IECKS DOS ANJOS, VINICIUS SANTOS PEREIRA, LARISSA SOUZA DE ARAUJO