Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O envelhecimento populacional brasileiro impõe ao Sistema Único de Saúde (SUS) o desafio de garantir não apenas maior expectativa de vida, mas anos vividos com autonomia, funcionalidade e participação social. A longevidade digna está diretamente relacionada à manutenção da capacidade funcional, considerada atualmente um dos principais indicadores de saúde na população envelhecida. As condições musculoesqueléticas configuram-se entre as principais causas de dor, incapacidade e perda de independência, afetando de forma mais intensa populações em situação de vulnerabilidade social. A ausência de intervenção precoce favorece a cronificação, amplia desigualdades e gera maior demanda por serviços especializados. Nesse contexto, a ampliação da atuação do fisioterapeuta na APS configura-se como estratégia de gestão capaz de fortalecer a resolutividade territorial, reduzir iniquidades no acesso ao cuidado especializado e promover longevidade com equidade. Ao garantir atendimento oportuno no próprio território, a APS reafirma seu papel como ordenadora da rede e coordenadora do cuidado.
●Objetivos GERAIS -Avaliar o impacto da ampliação da atuação do fisioterapeuta na resolutividade da APS. -Analisar a redução de encaminhamentos para média complexidade como indicador de racionalização da rede. -Contribuir para a promoção da longevidade digna com equidade no território adscrito. ●Objetivos Específico da formação dos profissionais -Capacitar a equipe multiprofissional para identificação precoce de risco funcional e manejo conservador de condições agudas. -Implementar protocolos baseados em evidências para dor musculoesquelética na APS. -Fortalecer o apoio matricial e o cuidado interdisciplinar com foco na funcionalidade. -Sensibilizar os profissionais quanto à funcionalidade como eixo estruturante do cuidado no envelhecimento.
Trata-se de estudo descritivo, retrospectivo, caracterizado como relato de experiência com análise comparativa de indicadores assistenciais em dois períodos: -Período pré-intervenção: fisioterapeuta atuando duas vezes por semana; -Período pós-intervenção: fisioterapeuta atuando cinco dias por semana. Foram analisados os seguintes indicadores: -Número mensal de atendimentos fisioterapêuticos; -Número de encaminhamentos para ortopedia e reabilitação especializada; -Tempo médio de espera para avaliação fisioterapêutica; -Percentual de resolução de casos agudos na priópria UBS; -Perfil etário e principais queixas. Os dados foram obtidos por meio de registros institucionais e planilhas de monitoramento interno da unidade.
Após a ampliação da atuação do fisioterapeuta, observou-se: -Aumento de 150% na oferta mensal de atendimentos, passando de 49 para 179 atendimentos; -Redução de 80% nos encaminhamentos para ortopedia; -Redução de 60% nos encaminhamentos para reabilitação especializada; -Diminuição do tempo médio de espera de 60 para 5 dias; -Resolução de 85% dos casos agudos na própria APS, sem necessidade de encaminhamento. A maioria dos usuários atendidos (58%) possuía idade superior a 50 anos, evidenciando impacto direto na população em processo de envelhecimento. As principais demandas foram lombalgia (34%), cervicalgia (21%), entorses (18%) e tendinopatias (15%). A ampliação do acesso local ao cuidado fisioterapêutico favoreceu usuários em maior vulnerabilidade socioeconômica, reduzindo barreiras ao atendimento especializado e promovendo equidade.
A ampliação da atuação do fisioterapeuta de dois para cinco dias semanais demonstrou impacto positivo nos indicadores assistenciais da UBS, com aumento da resolutividade, redução significativa de encaminhamentos e diminuição do tempo de espera. A experiência evidencia que a inserção estratégica e contínua da fisioterapia na Atenção Primária constitui medida de gestão capaz de fortalecer a organização da rede, promover equidade no acesso ao cuidado e contribuir para a construção de uma longevidade digna no âmbito do SUS.
Envelhecimento, SUS, Fisioterapeuta
LETÍCIA PEREZ PARDO DIAS