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O autoteste para HIV integra o conjunto de tecnologias da Prevenção Combinada, abordagem que articula intervenções biomédicas, comportamentais e estruturais com o objetivo de reduzir a transmissão do HIV e ampliar o acesso oportuno ao diagnóstico. Entre essas estratégias incluem-se o uso de preservativos, a testagem convencional e rápida, o tratamento como prevenção, a redução de danos, as vacinações, a prevenção da transmissão vertical e as profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP, respectivamente). Nesse contexto, o autoteste representa uma tecnologia inovadora por ampliar a autonomia dos usuários, garantir maior privacidade, reduzir barreiras relacionadas ao estigma, ao horário de funcionamento dos serviços e à distância territorial, além de favorecer a testagem frequente entre populações-chave e grupos em maior vulnerabilidade social e programática. Evidências internacionais e nacionais indicam que a ampliação do acesso ao autoteste contribui para a identificação precoce de infecções, o encaminhamento oportuno para confirmação diagnóstica e o fortalecimento das estratégias de prevenção combinada. Na cidade de São Paulo, marcada por elevada complexidade territorial e diversidade populacional, a ampliação de modelos inovadores de oferta de autotestes configura-se como estratégia central para qualificar a resposta local ao HIV, ampliar a capilaridade da testagem.
Apresentar a experiência de ampliação da oferta e da distribuição de autotestes de HIV no município de São Paulo, destacando as estratégias de integração com a linha de cuidado da PrEP e PEP, a incorporação de soluções digitais e automatizadas e seus efeitos na ampliação do acesso à testagem e no fortalecimento da prevenção combinada.
Trata-se de um relato de experiência de gestão, de caráter descritivo, baseado na implementação de uma estratégia municipal de ampliação do acesso aos autotestes de HIV. A intervenção envolveu a expansão dos pontos de oferta no território, além dos 29 serviços especializados em HIV, para:38 unidades de saúde da Rede Sampa Trans; 05 Armários automáticos em equipamentos públicos como parques, centros culturais e terminal de ônibus; O autoteste foi integrado à linha de cuidado da PrEP e PEP por meio de consulta online no canal SPrEP. Após a consulta online os usuários podem retirar a medicação em 05 máquinas automáticas localizadas em estações de metrô. O autoteste é dispensado juntamente com a PrEP, garantindo que o usuário já tenha garantida a testagem para um nova consulta, e também nas retiradas da PEP, o que permite incluir posteriormente estes usuários na estratégia da PrEP; Disponibilização do autoteste em todas ações extramuros realizadas pelos serviços especializados em HIV.
Em 2025, foram distribuídos 259.403 autotestes de HIV no município de São Paulo. A proposta buscou ampliar a capilaridade territorial da testagem, reduzir barreiras organizacionais e simbólicas de acesso aos serviços, estimular a testagem regular e fortalecer a articulação entre diagnóstico, prevenção biomédica e cuidado continuado. A diversificação dos pontos de acesso contribuiu para o aumento da capilaridade territorial, a redução de barreiras relacionadas ao estigma, ao tempo de deslocamento e ao horário de funcionamento dos serviços, além de favorecer a integração da testagem às estratégias de prevenção biomédica. Destaca-se ainda a expressiva distribuição em ações extramuros realizadas pelos serviços da Rede Municipal Especializada, cuja diretriz institucional prevê a oferta ativa do autoteste. Em 2025, foram realizadas 1.237 ações extramuros, com a distribuição de 34.590 autotestes, ampliando o alcance da testagem em territórios prioritários e em contextos de maior vulnerabilidade social.
O autoteste configura-se como insumo estratégico para o fortalecimento da prevenção combinada no contexto urbano e metropolitano de São Paulo. A ampliação dos modelos de oferta, associada à incorporação de soluções digitais e automatizadas, promove maior autonomia dos usuários, amplia a equidade no acesso à testagem e fortalece a articulação entre diagnóstico, PrEP e PEP. A experiência evidencia o potencial das estratégias inovadoras de organização do cuidado para qualificar a resposta local ao HIV, ampliar a capilaridade territorial e reduzir barreiras programáticas. Recomenda-se a consolidação e a expansão dessas iniciativas, bem como o monitoramento contínuo de seus impactos sobre o acesso, a vinculação ao cuidado e os indicadores epidemiológicos.
Autoteste, HIV, Prevenção Combinada.
LUIS HENRIQUE MOURA FERREIRA, ADRIANO QUEIROZ DA SILVA, MARCIA APARECIDA FLORIANO DE SOUZA, FERNANDA MEDEIROS BORGES BUENO, NARCISIO RIOS OLIVEIRA, MARIA CRISTINA ABBATE