Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Considerando a saúde como “direito de todos e dever do Estado”, segundo a Constituição federal de 1988¹ e compreendendo que, o acesso universal e igualitário as ações e serviços para promoção, proteção e reabilitação da saúde são princípios fundamentais que garantem ao usuário ingressar a rede de assistência à saúde, sendo a Atenção Primária a Saúde(APS) a porta de entrada, que por sua vez tem potencial para ampliar o acesso devido a sua localização geográfica na comunidade. Em dezembro de 2021, período pós pandemia SARS COV 19, iniciamos a reorganização do processo de assistência a pessoas com lesões de pele. Ao analisarmos o cenário constatamos: Dificuldade de acesso pelo paciente ao serviço especializado em decorrência da distância até o serviço especializado, mobilidade prejudicada do paciente em decorrência da lesão e custo elevado para locomoção; • Falta de conhecimento dos colaboradores em relação ao encaminhamento do paciente para a atenção especializada; • Ausência de protocolos e fluxos; • Internações recorrentes; • Acesso tardio ao serviço especializado levando a internações prolongadas, antibioticoterapias, amputações menor/maior ou até mesmo a óbito; • Custo elevado do município relacionado a internações prolongadas, tratamento e reabilitação; • Despreparo das equipes em relação ao tratamento das lesões; • Uso inadequado de antibioticoterapia; • Uso inadequado das tecnologias.
Diante do exposto, apresentamos um novo modelo de atenção com foco não apenas no cuidado curativo, mas principalmente na promoção, prevenção e modelos de cuidados que facilitem o acesso do paciente ao tratamento e tecnologias adequadas as suas necessidades. Nosso principal objetivo visa ampliar o acesso do paciente ao cuidado especializado e para isso estipulamos alguns objetivos secundários a serem observados: Organizar o fluxo dos pacientes entre a APS, SAE e Atenção hospitalar do município do Guarujá; Elaborar e implantar o Manual de Protocolos e Normas e Rotinas da CTF do município; Empoderar as equipes de APS, cuidadores e familiares através de treinamentos periódicos; Inserir familiares e usuários no processo de cuidado; Discussões de casos complexos e apoio as equipes por meio da ferramenta de Whatsapp; Discriminar e padronizar materiais disponibilizados pela Prefeitura Municipal de Guarujá (PMG); Discussão de casos complexos.
Levantamento de dados Epidemiológicos mostrando o panorama mundial de pacientes com feridas crônicas: • 6% da população a nível mundial está acometida por lesões de pele 2019.² • +50 milhões de pessoas com lesão com idade ≥65 anos até 2050.² • O custo com feridas nos EUA, em diagnóstico primário é de 28 milhões USD/ano e diagnóstico secundário 31,7 milhões de USD/ano.² • O tratamento de feridas na Europa é responsável por 4% das despesas com saúde.² • Pessoas com diabetes e uma UPD demandam 5 vezes mais gastos com saúde quando comparadas àquelas com diabetes e sem UPD.4 • 16,4% das prescrições de antibióticos são atribuídas ao tratamento de feridas;² • Pessoas que sofrem de diabetes mellitus têm uma incidência de 15 a 25% ao longo da vida de desenvolver uma úlcera de pé diabético (UPD).3 • Amputação em pessoas com diabetes é de 10 a 20 vezes mais comum quando comparado a pessoas sem diabetes.4 • A cada 20 segundos ocorre uma amputação de membro ou parte dele.3 • (Insuficiência Renal Crônica), a taxa é de 74% em 2 anos.3 • A UPD e AMI (Amputação de Membros Inferiores) são fatores de risco independentes associados à morte prematura; Reuniões para avaliação do cenário e identificar os gargalos que dificultam o acesso do paciente; Organizar o fluxo dos pacientes entre APS, SAE e Unidade Hospitalar; Treinamento da equipe, usuários e familiares; Discussão de casos complexos. Elaboração e implantação do Manual de Protocolos e Normas e Rotinas da CTF do município.
O fluxo foi reorganizado responsabilizando a APS pelo paciente em sua área de abrangência desde a avaliação do paciente em risco para lesão, tratamento e encaminhamento precoce para o SAE, que avalia o usuário e compartilha a gestão do cuidado com a APS agendando retornos periódicos ao SAE. O serviço Hospitalar recebe o usuário proveniente das UPAS, que por sua vez, atende os pacientes provenientes da APS, Serviço de Internação e Assistência Domiciliar (SIAD), SAE e encaminham a unidade Hospitalar. Após alta esses pacientes são referenciados a APS. Os treinamentos iniciaram após o gerente de cada unidade indicar um enfermeiro e um técnico como responsável pelo tratamento de feridas da unidade. No ano de 2022 a 2023 foram realizados treinamentos em loco, nas instituições de ensino com especialistas e na central de tratamento de feridas com foco em lesões vasculogênicas. Os treinamentos foram direcionados a médicos, enfermeiros, técnicos e usuários. Diariamente, através da ferramenta de Whatssap ocorre discussão de casos, apresentação de artigos científicos, guidelines e priorizado acesso de casos complexos ao serviço especializado. Em 2023, foi desenvolvido o primeiro manual de tratamento de feridas do município que neste momento aguarda avaliação, aprovação e publicação da secretária de saúde do município.
No período de 2022 a 2023 foi possível capacitar a equipe de UBS e USAFA, usuários e familiares. Com isso, observamos a remissão de lesões de 5 anos ou mais, as quais custavam caro não apenas para o indivíduo com lesão, mas também para o município devido a quantidade imensurável de coberturas utilizadas inadequadamente, tratamentos com antibioticoterapia e internações de repetição. O conhecimento associado ao acesso amplo e irrestrito ao tratamento adequado proporcionou não apenas um alivio no bolso do usuário, mas trouxe de volta sua dignidade, pois devido a dor e ao odor causado pelas lesões muitos deixam de ter uma vida social. O usuário passou a confiar na equipe e aderiu ao tratamento, antes só passava na unidade a procura de material para fazer a troca do curativo em casa, já que não via resultado no tratamento. Os treinamentos foram e são de extrema importância no processo de descentralização do cuidado, além de mitigar custos e riscos à saúde do usuário e alcançamos o resultado desejado. A descentralização realizada de forma responsável, amplia o acesso do paciente a rede de atenção e melhora a interação entre APS e SAE através de uma gestão do cuidado compartilhado.
Descentralização, Ampliação do acesso, SAE, APS
Luciana de Souza Saião, Carlos Eduardo Pereira