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: A violência interpessoal e a violência autoprovocada constituem relevantes problemas de saúde pública, com impactos expressivos na morbimortalidade e na saúde física e mental da população. A violência interpessoal, que engloba agressões físicas, psicológicas e sexuais nos contextos familiar e social, e a violência autoprovocada, incluindo tentativas de suicídio e automutilação, apresentam elevada prevalência em diferentes faixas etárias, exigindo respostas oportunas e articuladas da rede de serviços públicos. A notificação desse agravo é instrumento fundamental para subsidiar o planejamento, a implementação e o monitoramento de ações de prevenção. Além de permitir a identificação precoce dos casos, a notificação fortalece a articulação intersetorial entre saúde, educação e assistência social, favorecendo respostas integradas e qualificadas. Entre 2023 e 2025, Ubatuba implementou um projeto voltado à ampliação e qualificação da notificação compulsória de violência interpessoal e autoprovocada, com ênfase na capacitação das equipes de saúde, das unidades escolares e do CREAS, bem como no fortalecimento da integração interinstitucional. A iniciativa buscou aprimorar os processos de identificação, acolhimento, notificação e encaminhamento das vítimas à rede de atenção especializada. Este trabalho relata a experiência dessa implementação, destacando os resultados alcançados e as contribuições para o fortalecimento das estratégias de enfrentamento da violência.
Analisar a experiência de ampliação da notificação compulsória de violência interpessoal e autoprovocada em Ubatuba com foco na capacitação das equipes de saúde, educação e assistência social e na articulação interinstitucional, visando o aprimoramento das estratégias de saúde pública no município. Capacitar os profissionais das educação e CREAS para a notificação de violência interpessoal e autoprovocada, com foco na identificação precoce e no encaminhamento adequado das vítimas, fortalecer a articulação entre os serviços de saúde, educação e assistência social, visando uma resposta mais ágil e coordenada, avaliar o impacto da ampliação da notificação compulsória de violência na melhoria da qualidade da informação
A metodologia adotada para a implementação deste projeto segue uma abordagem com ênfase na capacitação das equipes, monitoramento dos dados e avaliação contínua dos resultados. A intervenção foi estruturada em três fases principais: planejamento e capacitação, implementação da rede de notificadores e monitoramento e avaliação dos resultados. Foi realizado um levantamento epidemiológico sobre a prevalência de casos de violência interpessoal e autoprovocada, com base nos dados disponíveis em unidades de saúde, escolas e CREAS. Este diagnóstico identificou lacunas significativas na notificação de violência, especialmente no contexto de violência doméstica e suicídio, o que justifica a necessidade de intensificação das práticas de vigilância. Foram elaborados e implementados capacitações para os profissionais das escolas e CREAS, com ênfase na identificação precoce de sinais de violência interpessoal e autoprovocada, assim como nos fluxos de notificação e no acolhimento das vítimas. A capacitação incluiu o uso de protocolos padronizados para a notificação compulsória, além de orientações sobre os procedimentos de encaminhamento para serviços especializados. Durante todo o processo, foi realizado o monitoramento constante das notificações, com coleta de dados sobre o número de casos de violência interpessoal e autoprovocada identificados e os resultados dos encaminhamentos para serviços especializados
Aumento da Notificação de Casos de Violência: Entre 2024 e 2025, o município observou um aumento substancial nas notificações de violência interpessoal e autoprovocada. O número de notificações realizada pelos outros equipamentos aumentou em 50% indicando que a capacitação dos profissionais e a melhoria no fluxo de informações resultaram em maior conscientização e identificação precoce desses casos. A implementação de uma rede integrada de notificadores contribuiu para a redução do tempo de resposta às vítimas. A ampliação da notificação compulsória permitiu uma análise mais detalhada da prevalência de violência interpessoal e autoprovocada no município. Com esses dados, foi possível desenvolver estratégias de prevenção direcionadas, como campanhas de conscientização sobre saúde mental e violência, além de melhorar os protocolos de acolhimento e acompanhamento de vítimas em unidades de saúde e assistência social. Mais de 350 profissionais foram capacitados ao longo dos anos. A maioria dos profissionais relatou um aumento significativo na confiança para identificar sinais de violência e para utilizar adequadamente os fluxos de notificação estabelecidos.
A experiência de ampliação da notificação compulsória de violência interpessoal e autoprovocada em Ubatuba demonstrou que a integração dos serviços e a capacitação contínua dos profissionais são fundamentais para o sucesso das estratégias de saúde pública voltadas ao enfrentamento da violência. O aumento significativo nas notificações e a melhoria na resposta aos casos indicam que a vigilância ativa, acompanhada de um sistema de acolhimento e encaminhamento eficaz, tem um impacto direto na proteção das vítimas. Além disso, os dados gerados pelo processo de notificação possibilitaram o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento, alinhadas com as necessidades da população. Para a continuidade do projeto, é fundamental investir em monitoramento contínuo e fortalecimento das parcerias entre saúde, educação e assistência social, promovendo uma saúde pública mais justa e equitativa
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