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A Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS) se baseia em três princípios: a inseparabilidade entre a atenção e a gestão da saúde, a transversalidade e a autonomia e protagonismo dos sujeitos. Com o aumento da expectativa de vida, impulsionado pelo acesso ampliado à saúde, as pessoas têm vivido mais, mas também cresceu a prevalência de doenças crônicas: demências, doenças oncológicas e orgânicas. Embora se discuta mais sobre viver com qualidade, as questões relacionadas à morte ainda estão distantes da rotina das equipes de saúde, pacientes e suas famílias. Em casos de doenças crônicas, a fragilidade da atenção primária leva os pacientes a recorrerem às emergências, que são mais acessíveis e funcionam 24 horas. Nesses momentos, há a expectativa de uma assistência resolutiva, compassiva e individualizada. No entanto, estudos apontam que as equipes ainda encontram dificuldades em lidar com pacientes no final da vida. Embora não seja o local ideal para iniciar cuidados paliativos, as emergências devem integrar o manejo de sintomas nas descompensações agudas e na fase terminal, focando em um atendimento humanizado e empático, que vá além da doença e da cura. A literatura já aponta medidas eficazes para implementar cuidados paliativos na emergência. Portanto, é essencial que as equipes de saúde nas emergências reconheçam a importância dos cuidados paliativos, redirecionando o foco do tratamento da vida a qualquer custo para a preservação da dignidade humana.
Relatar a experiência da UPA 24h na assistência do paciente em cuidados paliativos avaliando os óbitos ocorridos na unidade no ano de 2024 com um comparativo ao ano de 2022 em concomitância ao desenvolvimento de ações em educação permanente junto à equipe assistencial multiprofissional, uma vez que estas iniciaram em 2022 e permanecem até hoje, em constante atualização.
Trata-se de uma análise observacional, com delineamento retrospectivo a partir da análise dos dados dos óbitos ocorridos na UPA 24h de janeiro a dezembro de 2024 comparando-os aos óbitos ocorridos nesse mesmo local no período de janeiro a dezembro de 2022.
No ano de 2024 ocorreram 42 óbitos na UPA 24h, sendo 50% deles de pacientes em cuidados paliativos (21 pacientes), os quais, apresentavam média de idade de 83 anos, sendo 57,14% mulheres e 42,86 % homens. Quanto a mobilidade, 48 % dos pacientes não apresentavam restrição ao leito, os demais, 52% encontravam-se acamados. Previamente à procura do serviço de emergência os pacientes que apresentavam o perfil de doença neurológica correspondiam a 65% e doença oncológica 25%, sendo os demais doenças orgânicas, Em geral, pacientes em cuidados paliativos buscam emergência por intercorrências agudas, geralmente relacionadas à descompensação de sintomas. A análise do perfil dos óbitos ocorridos na unidade em 2022 revelou a necessidade de ampliar a abordagem do tema com a equipe, que, em muitos momentos, se sentia insegura e desconhecia o processo de morte além dos trâmites burocráticos. Foi necessário qualificar a equipe multiprofissional, tanto no aspecto técnico quanto humano, para sensibilizá-la e promover o melhor tratamento possível ao paciente e sua família nos últimos momentos de vida. Em outubro, durante a comemoração do Dia Mundial de Cuidados Paliativos e como parte da retomada dos treinamentos contínuos, foi realizada uma gincana multiprofissional, com adesão de funcionários de todos os setores. O resultado foi significativo em relação a 2022, com melhorias nos indicadores e na assistência, beneficiando tanto os pacientes em cuidados paliativos quanto suas famílias.
O estudo realizado na UPA 24h mostra que o cenário de emergência é visto como algo resolutivo e curativo, o que torna um obstáculo para iniciar medidas de conforto e abordagem da morte em pacientes paliativos. Contudo, muito deve-se a falta de preparação proporcionada a equipe em relação a esse tema. Sendo assim, é fundamental que a equipe valide a importância dos cuidados paliativos no cenário da urgência/emergência e reconheçam a morte como parte do ciclo da vida. Apesar das limitações, espera-se que com treinamento e reflexões sobre o tema, os profissionais de saúde consigam proporcionar para pacientes e familiares um fim de vida com empatia, conforto e dignidade. Ou seja, humanizando o atendimento para proporcionar alívio do sofrimento ou até mesmo para as medidas finais da vida do indivíduo.
Cuidado Paliativo, UPA, Óbitos, Multiprofissional.
AUDREY CAROLINE AREM, BEATRIZ DOS SANTOS THIMÓTEO, EVANDRO NEVES, NELSON ALVES PINHEIRO NETO, TIAGO JOSÉ AIO DE FREITAS