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A hipertensão arterial sistêmica (HAS) e o diabetes mellitus (DM) são comorbidades crônicas de alta prevalência mundial e fatores de risco para complicações cardíacas e cerebrovasculares (BRASIL, Secretaria Municipal da Saúde de Guarulhos, 2023). Segundo o Ministério da Saúde (2023), o diagnóstico de DM é feito por avaliação clínica e laboratorial. Clinicamente, suspeita-se de DM quando há poliúria, polidipsia, polifagia e perda involuntária de peso. Laboratorialmente, a Sociedade Brasileira de Diabetes define DM com glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5%, TTGO 1h ≥ 209 mg/dL e 2h ≥ 200 mg/dL. A hipertensão arterial sistêmica é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, as quais têm sido as principais causas de mortalidade global na última década (Silva et al., 2016). O diagnóstico é baseado em medidas elevadas e sustentadas de pressão arterial, com PA ≥ 140×90 segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (BRASIL, Secretaria Municipal da Saúde de Guarulhos, 2023, p. X). Dada a importância do tratamento e acompanhamento dessas comorbidades, foi identificado um déficit na assistência à saúde na área 93 da Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim Acácio. Assim, foi implementado um grupo educativo sobre HAS/DM para promover saúde, orientar sobre as comorbidades e monitorar o tratamento.
Ao realizar análise do território e da população da micro área 93 de abrangência da UBS Jardim Acácio, foi identificado, devido a população numerosa da área, a agenda médica não comportava a demanda, consequentemente, muitos pacientes portadores de HAS e DM ficavam muito tempo sem renovar receitas e/ou acompanhar o quadro clínico das doenças. Visto o cenário inicial, foi criado um grupo para atendimento de pacientes portadores de DM e HAS com o objetivo principal é dar vazão a demanda de pacientes sem cuidados contínuos a saúde e, consequentemente receitas atrasadas , além disso, comparar com dados fornecidos pelo PREVINE BRASIL compartilhado pelo município se o grupo seria uma estratégia eficaz para tal objetivo.
O presente estudo quantitativo teve como objetivo avaliar a efetividade da implementação de um grupo voltado para pessoas com HAS e/ou DM na microárea 93 da UBS Jardim Acácio. A UBS atende 23.879 pessoas em seu território, com 5 equipes responsáveis. A equipe da área 93 tem 4.802 cadastros, dos quais 1.245 são hipertensos e 1.196 diabéticos, conforme a antiga ferramenta PREVINE Brasil (não distingue casos com ambas as comorbidades, como visto no gráfico 1). Além disso, há planilhas com 104 hipertensos e 30 diabéticos autorreferidos (PREVINE BRASIL, 2023). Dada a alta demanda e a falta de atendimento recente (mínimo de 6 meses) para pacientes com essas comorbidades e a inexistência de um grupo específico de HAS/DM, foi criado um grupo para reduzir a demanda. O estudo compara o acompanhamento das planilhas do 2º e 3º quadrimestres de 2024, geradas pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde e compartilhadas com os gestores das unidades. Vale destacar que a pesquisa enfrenta limitações devido à transição das ferramentas de avaliação, o que permitiu o acesso apenas às planilhas do 2º e 3º trimestres para hipertensos e do 2º trimestre para diabéticos na área 93.
O estudo abrangeu os meses de dezembro de 2023 e janeiro de 2024, focando nos primeiros meses do grupo de HAS e DM. Foram realizados 4 encontros com 40 vagas disponíveis, mas 22 pacientes faltaram, resultando em 18 participantes efetivos. A seleção dos pacientes priorizou aqueles listados no PREVINE BRASIL e nas planilhas de hipertensos e diabéticos autorreferidos. No entanto, muitos na lista estavam fora da área de cobertura, sem comorbidades ou com contatos desatualizados. Assim, a equipe fez uma busca ativa e encontrou pacientes com HAS e/ou DM sem acompanhamento regular na UBS. Nos encontros, foram abordadas palestras sobre as comorbidades e a importância do tratamento adequado. Cada paciente recebeu atendimento individual para avaliação, renovação de receitas e solicitação de exames. Inicialmente, houve dificuldade para marcar consultas, mas, após a criação do grupo, dos 18 pacientes que estavam sem acompanhamento por mais de 12 meses, 15 mantêm consultas regulares (pelo menos uma a cada 6 meses) na unidade. A outra parte do estudo comparou as planilhas do PREVINE BRASIL dos segundos e terceiros quadrimestres para avaliar a eficácia do grupo em atender a demanda. Encontraram-se problemas como a substituição do programa PREVINE BRASIL, planilhas desatualizadas, principalmente para DM, e discrepâncias na lista de hipertensos. Apesar disso, observou-se um aumento de 5% na lista de hipertensos entre o segundo e o terceiro quadrimestre de 2023 (dados até dezembro de 2023).
A partir do presente estudo, apesar das dificuldades em relação à coleta de dados, foi possível analisar a efetividade da implementação de um grupo para suprimir a demanda da população. Apesar do singelo aumento de atendimentos a população hipertensa da área 93 da UBS Jardim Acácio, cabe lembrar que o estudo foi realizado em um curto período de dezembro a janeiro, e os dados atualizados disponíveis são até 31/12/2023, justificando o número de aumento. Todavia, ao ter resultado positivo sobre a implementação do grupo, abre a possibilidade de expansão do grupo, tanto como oferecer mais vagas e também realizar diferentes atividades, como inserir o profissional de educação física da equipe eMulti da unidade, assim enfatizando a importância da atividade física para controle das comorbidades. Sendo assim, o presente estudo mostra a efetividade de implantação de grupos nas unidades básicas de saúde com finalidade de dar vazão para as demandas necessárias e também aproximar e criar vínculo com os cadastrados da área de abrangência. Contudo, é de extrema importância serem disponibilizadas ferramentas precisas para coleta e tratamento de dados.
Grupo, HAS, DM, demanda, estratégia em saúde
CAMILA ESTEVES FIGUEIRA