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A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs) no Brasil (PNPIC) foi aprovada em 2006, com o intuito de implementar ações e serviços no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa implementação abrange um sistema que valoriza a escuta ativa, o cuidado integral, a busca pela promoção da saúde e o desenvolvimento de uma Atenção Básica humanizada e competente no cuidado continuado (BRASIL, 2006). Após reconhecer a crescente utilização de práticas baseadas em conhecimentos tradicionais pela população, a PNPIC passou a ofertar 29 práticas dentro do SUS, a partir das portarias nº 849/2017 e nº 702/2018 (BRASIL, 2017) (BRASIL, 2018). As PICs podem ser consideradas estratégias inteligentes na assistência à saúde, pois, diferenciando-se do modelo biomédico, as PICs, são muito acessíveis à população, possuem poucos efeitos colaterais, tem um potencial para redução do medicamento alopático em uso, respeitam as crenças e filosofias dos usuários da rede e permitem uma participação ativa de todos os envolvidos no cuidado à saúde, desde o usuário ao profissional de saúde (RUELA, 2019). A UBS Cabuçu é uma unidade localizada na região Cantareira de Guarulhos, próxima ao Parque da Cantareira, portanto é uma UBS que apresenta espaço arborizado e Horta Comunitária, com diversidade de plantas medicinais. Além disso, dentro do território está situada a Aldeia Indígena Multiétnica Filhos dessa Terra, onde convivem 8 etnias que utilizam diversas formas de medicina tradicional.
Analisar a influência da utilização das Práticas Integrativas e Complementares na qualidade de vida e na diminuição dos sintomas álgicos em um grupo de pessoas com dores crônicas em uma unidade básica de saúde (UBS), no município de Guarulhos, São Paulo. Identificar o papel da abordagem comunitária na prevenção primária no grupo estudado. Determinar se a utilização das Práticas Integrativas e Complementares de de Aromaterapia, Fitoterapia, Meditação e Yoga podem auxiliar na prevenção terciária e quaternária dentro da atenção primária à saúde. Reconhecer a importância da implementação das PICs na atenção primária à saúde.
Estudo descritivo qualitativo e quantitativo realizado a partir da análise do instrumento de avaliação da qualidade de vida WHOQOL-bref em um grupo de pacientes com dores crônicas na UBS Cabuçu da cidade de Guarulhos. O grupo foi conduzido pela médica de família e comunidade Carla Rafaela Donegá e a residente de medicina de família e comunidade Victória Abreu Gatto, com início em abril de 2023, para proposta de término em abril de 2024. Em abril de 2023, foi formado um grupo de dor na UBS Cabuçu, cujo objetivo é realizar promoção de saúde, tratamento e recuperação da população do território com sintomas álgicos crônicos com aplicação das PICs, sem alívio com tratamentos convencionais. Os critérios de inclusão para participação no grupo foram: pacientes encaminhados pelos médicos de família e comunidade da UBS Cabuçu, com dores crônicas e diagnósticos estabelecidos. Os participantes selecionados foram informados que os encontros aconteceriam uma vez por semana, com práticas de Aromaterapia, Fitoterapia, Meditação e Yoga. O instrumento utilizado para avaliação da qualidade de vida dos participantes foi o WHOQOL abreviado ou WHOQOL-bref, desenvolvido pelo World Health Organization Quality of Life, composto por 26 questões (WHO, 1998). No início da pesquisa, os participantes preencheram o questionário WHOQOL-bref e, ao final, o questionário será aplicado novamente para reavaliação. Foram selecionados 14 pacientes.
A criação do grupo permitiu o fortalecimento dos usuários com o equipamento de saúde, profissionais de saúde e a rede entre participantes, que iniciaram outras práticas, além do horário do grupo instituído. Os participantes passaram a ficar mais engajados em seu processo de autonomia em saúde, passando a participar com maior frequência das atividades da Academia da UBS Cabuçu. Os participantes relataram melhora dos sintomas álgicos, principalmente nos dias em que participaram do grupo. A troca de experiências entre os participantes, ao término de cada sessão, foi importante para o entendimento da experiência subjetiva da dor dentro da abordagem comunitária, relatos de alívio de ansiedade, sensação de relaxamento também proporcionaram discussões sobre o quanto os estados da mente podem afetar na sensação dolorosa. A evitação da tomada das medicações de resgate, com o controle dos sintomas álgicos e prevenção da hipermedicalização foi citada pelas pacientes durante o grupo. Quanto à análise inicial do WHOQOL-BREF, notavelmente, os pacientes tiveram os piores resultados nos domínios psicológicos, relações sociais e meio ambiente, com as classificações das facetas: necessita melhorar e regular. A percepção da qualidade de vida dos pacientes foi avaliada em uma média de 2 a 4, enquanto a satisfação com a saúde em uma média de 1 a 4.
As PICs promovem ações de prevenção e promoção dentro da Atenção Básica, com educação permanente em saúde, estimulando a autonomia do usuário no cuidado em saúde. Ademais, na Estratégia de Saúde de Família, existe o respeito entre as pluralidades culturais, facilitando a troca entre os saberes comunitários e as práticas apresentadas, incentivando a participação popular e fortalecendo o vínculo entre os usuários e a equipe de saúde da família (BRASIL, 2012). Foi possível perceber, até o momento, que o grupo constituiu-se como instrumento de prevenção e promoção à saúde, reabilitação e prevenção de iatrogenia nos pacientes com dores crônicas da UBS Cabuçu. Nota-se, portanto, que a abordagem comunitária de implantação de práticas integrativas e complementares na Atenção Básica, atua nos níveis de atenção: primário, terciário e quaternário.
Dor, Práticas Integrativas e Complementares
Victória Abreu Gatto, Rafael Nunes da Silva, Carla Rafaela Donegá, Amanda Prado Mascari, Mayara Rosangela Pedroso Silva