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Este estudo teve como foco analisar a situação de saúde nos territórios abrangidos pelas Unidades Básicas de Saúde de Franco da Rocha, identificando vulnerabilidades sociais e sua influência na população. O objetivo foi contribuir para o Plano Municipal de Resiliência a Desastres, especialmente no setor de saúde. A pesquisa envolveu a revisão de conceitos de vulnerabilidade territorial a partir de materiais acadêmicos, relatórios e dados do e-SUS Atenção Primária. Foram avaliados dois territórios, classificando as vulnerabilidades em Saúde e no Ambiente, alinhadas com a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS). A análise identificou disparidades nos atendimentos das unidades e destacou que, embora os profissionais de saúde reconheçam vulnerabilidades ambientais, elas não são associadas diretamente a riscos à saúde. A principal conclusão apontou a necessidade de identificar áreas geográficas vulneráveis para uma gestão participativa e interdisciplinar. A colaboração entre os setores da prefeitura e as equipes de saúde é essencial para desenvolver estratégias eficazes e melhorar as condições de saúde nas áreas mais vulneráveis, promovendo a equidade e integração no trabalho
Esta pesquisa teve como objetivo contribuir para a formulação do Plano Municipal de Resiliência a Desastres de Franco da Rocha, focando na saúde. Foi realizada uma revisão sobre riscos naturais, ameaças, vulnerabilidade e a situação de saúde em dois territórios da cidade, com base em materiais acadêmicos e dados do e-SUS Atenção Primária. Franco da Rocha, localizada na Região Metropolitana de São Paulo, enfrenta desafios relacionados ao acesso a serviços essenciais, riscos ambientais e sociais, afetando a qualidade de vida da população. O estudo aborda as “Situações de Saúde Intramunicipais”, destacando as desigualdades nos cuidados de saúde dentro do município. A pesquisa explora a relação entre vulnerabilidade territorial e desigualdades de saúde, enfatizando a importância da articulação intersetorial para enfrentar esses desafios, conforme a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS). Franco da Rocha, com uma população de cerca de 144.849 habitantes e 39,3% vivendo com rendimento
Acredita-se que o ambiente físico desempenha um papel decisivo na saúde da população do território e, como resultado, na formação dos riscos socioambientais. Com base nos dados coletados nesta pesquisa, buscou-se como foco principal compreender a análise social e de saúde de dois territórios distintos em Franco da Rocha e os principais fatores sociais que impactam a saúde da população, abarcando tanto os aspectos físicos quanto mentais. Os territórios escolhidos foram os da UBS Centro e Lago Azul por terem localizações distintas. Para isso, nesta pesquisa, foi realizada a revisão dos conceitos de desastres, riscos naturais, ameaças e vulnerabilidade, fundamentada na análise de materiais acadêmicos sobre o município de Franco da Rocha e sites oficiais. Além disso, foram considerados os dados levantados no e-SUS Atenção Primária (e-SUS APS), no Sistema de Notificação de Agravos (SINAN), Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), enriquecendo nossa compreensão desses conceitos. Para atender o objetivo deste trabalho, utilizou-se na pesquisa os métodos qualitativos e quantitativos, fazendo a comparação entre dois territórios de Saúde. Realizou-se um breve resgate histórico da formação do município de Franco da Rocha e do Complexo Hospitalar Juquery. O foco principal deste estudo foi a análise da situação social e de saúde de dois territórios distintos em Franco da Rocha.
A UBS Centro, com 11.428 indivíduos cadastrados, conta com 3 equipes de saúde da família que oferece consultas médicas e de enfermagem, saúde da mulher, pré-natal, atendimento odontológico, exames clínicos, vacinação, grupos de hiperdia, saúde mental e visitas domiciliares. Em caso de enchentes, a UBS não é inundada, mas fica inacessível para a população. Já a UBS Lago Azul com 9.017 indivíduos cadastrados, possui 3 equipes de ESF, oferece os mesmos serviços da UBS Centro. No entanto, em caso de enchentes, a UBS fica inundada e inacessível. A análise das (UBS) Centro e Lago Azul revela diferenças significativas a UBS Centro apresenta uma população idosa, enquanto a UBS Lago Azul tem uma maior população de crianças e gestantes. A prevalência de hipertensão e diabetes é similar em ambas as regiões, com maior incidência de saúde mental na região central. Em termos de atendimento, a UBS Lago Azul enfrenta uma maior sobrecarga para os enfermeiros, já que a escassez de médicos é um desafio devido à localização periférica. Em relação à infraestrutura, o território da UBS Lago Azul enfrenta problemas com o abastecimento de água e esgoto, com uma grande parte da população usando fontes de água não tratadas e baixa cobertura de rede de esgoto. O Centro, por sua vez, tem melhores condições de saneamento e acesso. O município enfrenta alta taxa de óbitos por Doenças Crônica Não Transmissíveis (DCNT). Já a violência e os casos de dengue tem maior incidência no território do Lago Azul.
O estudo destacou a importância da vulnerabilidade territorial e da situação de saúde em Franco da Rocha, temas pouco explorados no município, refletindo na falta de ações de mitigação de riscos. A pesquisa revelou uma exposição significativa a riscos ambientais e fragilidade de saúde, especialmente no território da UBS Lago Azul. As doenças crônicas não transmissíveis foram a principal causa de óbitos em 2022. Também foi identificada uma disparidade nos atendimentos de saúde devido à escassez de médicos no Lago Azul, o que enfatiza a necessidade de reconhecer as vulnerabilidades territoriais. O uso de tecnologias pelos agentes comunitários de saúde, como tablets, tem permitido a coleta de dados que ajudam a formar diagnósticos precisos, considerando as condições habitacionais, de saneamento e fatores sociais. A promoção da saúde coletiva é fundamental para prevenir doenças e promover hábitos saudáveis, reconhecendo as especificidades locais. O estudo também revelou a necessidade de melhorar a compreensão sobre vulnerabilidade territorial e integrar essa perspectiva nas práticas de saúde.
Vulnerabilidade em Saúde, Social, Desastre.
ANA PAOLA MANDRI