Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Febre Maculosa Brasileira (FMB) apresenta elevada letalidade no município de São Bernardo do Campo/SP, configurando-se como agravo prioritário na agenda da Vigilância municipal. Entre 2001 e 2024, foram confirmados 41 casos autóctones, com 28 óbitos e letalidade de 68%, caracterizando cenário de alta gravidade epidemiológica. Embora a série histórica contemple o período de 2001 a 2024, a institucionalização do modelo como instrumento permanente de gestão ocorreu a partir de 2025, quando passou a integrar o Plano de Ação, Manejo e Controle de Febre Maculosa. O acometimento predominante de crianças e adolescentes evidencia vulnerabilidade precoce, exigindo respostas estruturadas e sustentáveis no âmbito do SUS municipal.Diante desse cenário, estruturou-se modelo de enfrentamento, fundamentado na ecoepidemiologia e na integração entre vigilâncias, análise espacial e avaliação da fragmentação ambiental. A experiência superou a lógica reativa tradicional, baseada apenas na notificação de casos, e incorporou análise territorial estratégica como instrumento permanente de planejamento e governança sanitária. A classificação do território em áreas de transmissão, risco e silenciosas permitiu estratificação de vulnerabilidade epidemiológica e reorganização das prioridades assistenciais e preventivas. Ao transformar série histórica de dados em ferramenta ativa de gestão, o município fortaleceu a capacidade preditiva, qualificou a tomada de decisão e ampliou a proteção coletiva.
Desenvolver e institucionalizar modelo municipal de análise ecoepidemiológica para identificação e monitoramento de áreas de transmissão, áreas de risco e áreas silenciosas da Febre Maculosa Brasileira no território de São Bernardo do Campo/SP. Integrar dados epidemiológicos, entomológicos e ambientais de forma analítica e territorial capaz de subsidiar planejamento contínuo, definição de prioridades, organização das ações intersetoriais e qualificação da resposta assistencial. Fortalecer a governança da Vigilância em Saúde por meio da incorporação de ferramenta permanente de monitoramento espacial, ampliando a capacidade preditiva do SUS municipal e reduzindo vulnerabilidades territoriais. Qualificar a suspeição clínica, reduzir o tempo entre início dos sintomas e notificação, orientar ações educativas direcionadas aos territórios prioritários e estruturar estratégia sustentável voltada à diminuição da letalidade e à proteção de populações vulneráveis.
Realizou-se estudo ecológico descritivo com abordagem ecoepidemiológica, analisando todos os casos autóctones de Febre Maculosa Brasileira registrados no município entre 2001 e 2024. Foram examinadas fichas de notificação, perfil sociodemográfico, evolução clínica, local provável de infecção e variáveis relacionadas à exposição ambiental. Procedeu-se análise estatística descritiva e construção de tendência temporal por média móvel, permitindo observar padrões de ocorrência e variações ao longo da série histórica. Para análise espacial, utilizou-se estimativa de densidade de Kernel, possibilitando identificar clusters de maior intensidade e classificar o território em áreas de transmissão, áreas de risco e áreas silenciosas. A análise paisagística foi realizada por meio de imagens de satélite e métricas ambientais, considerando fragmentação florestal, proximidade de áreas urbanizadas e raio de 2 km a partir da borda urbana, parâmetro fundamentado na dinâmica de circulação de cães semidomiciliados e de vida livre, reconhecidos como elo central na cadeia de transmissão envolvendo o carrapato Amblyomma aureolatum. A metodologia integrou Vigilância Epidemiológica, Zoonoses, Vigilância Ambiental e laboratório entomológico municipal, consolidando fluxo técnico permanente de atualização territorial e incorporação dos achados ao planejamento estratégico da gestão.
Entre 2001 e 2024 foram confirmados 41 casos autóctones, com 28 óbitos (letalidade de 68%), predominando em indivíduos menores de 20 anos. A análise espacial identificou quatro áreas prioritárias, sendo três classificadas como áreas de transmissão e uma como áreade risco, além da delimitação de áreas silenciosas com potencial epidemiológico relevante.O mapa de densidade evidenciou concentração de casos em regiões caracterizadas por pequenos fragmentos florestais inseridos em áreas de adensamento populacional, reforçando a associação entre fragmentação ambiental, interface urbano-florestal e ocorrência da doença. Entre 203 carrapatos identificados nas investigações entomológicas, 23,2% correspondiam a Amblyomma aureolatum, principal vetor regional.Antes da institucionalização, as ações eram predominantemente reativas e desencadeadas após notificação de casos. Com a adoção do modelo territorial, as intervenções passaram a ser planejadas de forma prospectiva e contínua. A incorporação do modelo ao planejamento municipal promoveu reorganização das práticas institucionais, com intensificação da vigilância ativa nas áreas de transmissão, estruturação de intervenções preventivas nas áreas de risco e implementação de monitoramento sistemático nas áreas silenciosas.Houve ainda ações de mobilização social nos territórios prioritários e capacitação de profissionais de saúde, ampliando a suspeição clínica nas unidades localizadas nessas áreas e reduzindo o intervalo
A experiência consolidou modelo municipal integrado de Vigilância em Saúde baseado na integração entre epidemiologia, entomologia e análise ambiental, transformando conhecimento científico em ferramenta estruturante de gestão pública. Ao incorporar a ecoepidemiologia como instrumento permanente de planejamento territorial, o SUS municipal ampliou sua capacidade preditiva, fortaleceu a governança da vigilância em saúde e qualificou a resposta assistencial diante de agravo de alta letalidade. O modelo foi formalmente incorporado ao Plano Municipal de Vigilância em Saúde e ao Plano de Controle da Febre Maculosa, consolidando a análise territorial estratégica como diretriz técnica permanente e estruturante da gestão do SUS municipal. A experiência demonstra que a ecoepidemiologia aplicada à gestão municipal é capaz de antecipar cenários de risco e orientar decisões estratégicas de forma territorializada. A iniciativa apresenta sustentabilidade institucional, potencial de replicabilidade em municípios com interface urbano-florestal e aplicabilidade para outras doenças transmitidas por vetores, demonstrando que integrar ciência, território e gestão pública é estratégia fundamental para proteger populações vulneráveis e fortalecer
ANÁLISE TERRITORIAL ESTRATÉGICA NO ENFRENTAMENTO
MARCO AURÉLIO FERREIRA, CRISTIANE RIBEIRO DA SILVA