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Embora a atenção básica (AB) seja a porta de entrada para diversas demandas fonoaudiológicas, é de suma importância identificar e direcionar quando um caso necessita de um nível maior de atenção conforme sua complexidade. A crescente procura pelo serviço de fonoaudiologia na AB de Suzano impulsionou a criação de um protocolo de acesso para este nível de atenção. O protocolo contemplou os seguintes pontos: padronização dos serviços em relação ao dimensionamento de atendimentos/dia; fluxo de encaminhamento e abrangência do atendimento; prioridade de atendimento; modalidades de acompanhamento (individual ou em grupo, frequência e limitação de quantidade de sessões); critérios de alta e instituição de termo de compromisso para o atendimento fonoaudiológico. A implementação de mudanças em um serviço de saúde, ainda que positivas, pode gerar desafios que dificultem a efetivação das reorientações, sendo necessário um estudo do cenário para a proposição de melhorias.
Este trabalho tem por objetivo descrever os avanços e desafios encontrados pelos fonoaudiólogos alocados nas UBSs de Suzano/SP durante a implementação do protocolo de acesso a este serviço no município.
A implementação do protocolo foi iniciada em outubro de 2023 pelos 05 fonoaudiólogos que atuavam na atenção básica, especificamente nas UBSs. Em setembro de 2024, uma profissional foi incorporada à equipe em virtude da transferência de uma fonoaudióloga para a atenção especializada. Durante o período de 12 meses, os profissionais pontuaram e discutiram os avanços e desafios encontrados em reuniões mensais de equipe para a organização de um documento único que proporcione uma visão geral da situação do serviço no município.
Todos os fonoaudiólogos encontraram avanços e desafios semelhantes. Enquanto avanços, observaram que, muito embora não houve eliminação da fila de espera já existente, o estabelecimento de um fluxo organizou melhor o serviço e casos complexos que eram encaminhados exclusivamente para a AB passaram a ser direcionados para serviços de atenção especializada, anteriormente pouco acionados. Além disso, ao estabelecer como porta de entrada os serviços de saúde, houve uma redução no número total de encaminhamentos e os mesmos foram qualificados. Os desafios elencados foram: dificuldades burocráticas para direcionamento de casos complexos ou incomuns para centros especializados dentro e fora do município, por questões contratuais e referenciais, fragilidades no cumprimento dos seus protocolos ou restrições para encaminhamentos; escassez de equipamentos de atenção especializada municipal ou regional e/ou falta de fonoaudiólogos nestes centros; dificuldades no esclarecimento e compreensão pela gestão, demais profissionais da rede e pela população do papel do fonoaudiólogo na AB; patologização da infância nas escolas (de crianças com desenvolvimento típico ou atípico), sobrecarregando os serviços de saúde; e descumprimento do termo de compromisso por parte da população.
Entende-se que casos complexos necessitam de direcionamento para serviços especializados, dentro ou fora do município, que contemplem outros níveis de atenção à saúde. Essa compreensão deve ser compartilhada com a gestão, população e demais profissionais de saúde e/ou educação que direcionam a população para o serviço de fonoaudiologia. Faz-se necessário um alinhamento com os serviços especializados do município para o cumprimento de contratos e protocolos já estipulados, bem como a criação de outros serviços de atenção especializada com número de profissionais compatível com a demanda. É fundamental que a população compreenda a sua corresponsabilidade no tratamento e respeite o compromisso firmado. Há muito o que se empenhar para que haja a compreensão do papel da fonoaudiologia na AB de Suzano, não só do ponto de vista da recuperação de saúde, mas também da promoção e prevenção. Embora existam desafios, os avanços obtidos até o momento evidenciam que o protocolo foi uma grande conquista para o setor. Espera-se que este relato de experiência contribua para a maximização dos avanços, superação dos desafios encontrados e dê subsídios para a revisão periódica do protocolo de acesso à Fonoaudiologia na Atenção Básica do Município.
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VANESSA FALBO SIMÕES MARIANO, ALINE ROBERTINA DOS SANTOS UEDA, RENATA DA SILVA GONÇALVES MOTA, ROBERTA BERALDINELLE CRIVELLI, ROBSON RODRIGUES, KELLY HITOMI UEDA