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O modelo de cuidados colaborativos, conhecido como Apoio Matricial (AM), propõe uma organização da saúde, integrando diversas equipes no cuidado aos pacientes. O matriciamento envolve profissionais que oferecem suporte às equipes da Atenção Básica (AB) e Atenção Hospitalar (AH), para melhorar a assistência terapêuticas e atividades pedagógicas. É uma prática interdisciplinar, na qual diferentes áreas trabalham juntas para qualificar o cuidado, estimular a troca de saberes e ampliar suas abordagens sobre o adoecimento e tratamento (Fagundes; Campos; Fortes, 2021). O cuidado holístico no SUS, fundamenta-se em que a saúde não é exclusiva de uma única categoria profissional, visto que as ações assistenciais envolvem espaços de escuta e acolhimento entre os diversos envolvidos no processo de cuidado. Ressalta-se a importância de atuar de forma articulada em rede com outros profissionais, para um atendimento integral e de qualidade, onde o trabalho colaborativo potencializa o cuidado e favorece melhores resultados para os pacientes (Coelho; Nunes; Feitosa, 2023). Este artigo justifica-se pela necessidade de aprimorar o matriciamento da saúde mental em Ituverava, com foco na qualificação do atendimento na AB e AH. O Apoio Matricial promoveu a integração das equipes do CAPS, da AB e da AH, estimulou o trabalho colaborativo e corresponsabilidade no cuidado. A prática interdisciplinar ampliou as abordagens, garantindo um atendimento completo e humanizado, alinhado aos princípios do SUS
O objetivo deste artigo é analisar a implementação do modelo de Apoio Matricial (AM) na saúde mental do município de Ituverava, destacando sua contribuição para a qualificação do atendimento na Atenção Básica e da Atenção Hospitalar. Busca-se entender como a integração das equipes do CAPS, da AB e da AH promoveu o trabalho colaborativo, a corresponsabilidade no cuidado e a redução de encaminhamentos desnecessários. Além disso, o artigo objetiva avaliar o impacto da prática interdisciplinar na ampliação das abordagens sobre o adoecimento e no fortalecimento do cuidado integral e humanizado, conforme os princípios do SUS.
Até fevereiro de 2023, o matriciamento estava centralizado no CAPS, onde os psicólogos da AB se deslocavam a cada 15 dias para discussões de casos (referência e contrarreferência) com a equipe do CAPS. No final de fevereiro de 2023, houve uma mudança na gestão do CAPS, com a entrada de uma Assistente Social que acabara de concluir a Residência Multiprofissional em Saúde Mental, trazendo experiência na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de São Paulo. De março a dezembro de 2023, foi designado um técnico da equipe multiprofissional do CAPS para cada ESF e AH, denominado matriciador. Esse profissional passou a ser responsável por fazer a ponte entre a Atenção Básica e a Atenção Especializada, com foco nas demandas de saúde mental. Para tanto, foi estabelecido um cronograma de encontros mensais entre os matriciadores e os psicólogos da Atenção Básica nas unidades de saúde. Durante esse período, observou-se uma resistência inicial por parte dos profissionais da Atenção Básica, que viam a presença dos profissionais do CAPS como uma sobrecarga de trabalho. Contudo, com a continuidade dos encontros e a sensibilização sobre a importância dessa nova ferramenta, a resistência foi gradualmente diminuindo. O vínculo entre as equipes foi se fortalecendo, criando um espaço de troca e aprendizado mútuo. Ao final de 2023, ao avaliar o impacto do matriciamento, percebeu-se a necessidade de reorganizar o processo de trabalho para melhor atender às demandas tanto das equipes quanto do usuário
Após avaliação do modelo de matriciamento, foi criado para 2024 um novo formato com quatro abordagens principais: Matriciador vai até a ESF e AH, o técnico do CAPS visita a ESF, leva casos e contrarreferências, e discute cuidados compartilhados, PTS e questões cotidianas; a ESF vai até o CAPS para capacitação, o CAPS organiza formações para a Atenção Básica, abordando temas do matriciamento; o médico da ESF vai ao CAPS para interconsulta com o psiquiatra, o médico da ESF acompanha consultas psiquiátricas no CAPS, promovendo aprendizado e discussão de casos; Psiquiatra vai até a ESF/unidade hospitalar, o psiquiatra do CAPS, com o matriciador, realiza discussões de casos e interconsultas, especialmente para pacientes com dificuldades de locomoção. A reorganização garantiu a transição colaborativa do cuidado, com responsabilidades compartilhadas entre CAPS, Secretaria de Saúde, Atenção Básica e Atenção Hospitalar. Foram criados instrumentos como atas, cronogramas e protocolos, e a Portaria 002/2024 instituiu o Grupo Condutor Municipal da RAPS para fiscalização. Nos encontros regionais da RAPS da DRS VIII de Franca, foi apresentada a organização de Ituverava, destacada no 2º Simpósio de Saúde Mental. No dia 10/04/2024, foi realizada a primeira Assembleia com os pacientes do CAPS, que avaliaram positivamente a organização do serviço e o acesso à atenção básica para suas demandas de saúde mental.
O modelo de Apoio Matricial (AM) implementado em Ituverava tem se mostrado eficaz na qualificação do atendimento à saúde mental na Atenção Básica e na Atenção Hospitalar. A integração das equipes do CAPS e da Atenção Básica fortaleceu o trabalho colaborativo e a corresponsabilidade no cuidado, promovendo uma abordagem mais holística e alinhada aos princípios do SUS. Embora tenha ocorrido resistência inicial por parte dos profissionais da Atenção Básica e da Atenção Hospitalar, a sensibilização e o fortalecimento dos vínculos entre as equipes facilitaram a adaptação ao novo modelo. As mudanças realizadas em 2024, como capacitações, discussões de casos e visitas compartilhadas, contribuíram para um atendimento mais integrado, especialmente para pacientes com dificuldades de locomoção. A resposta positiva dos pacientes do CAPS reforça a eficácia do modelo, destacando melhorias no acesso e na organização dos serviços. A colaboração entre as equipes e as novas práticas têm permitido um atendimento mais abrangente e personalizado, essencial para fortalecer a saúde mental na comunidade e garantir a qualidade do cuidado, conforme os princípios do SUS.
Trabalho colaborativo, Integração,Cuidado integral
JÉSSICA CRISTINA CARETTA TEIXEIRA, SARAH TELINI GARCIA, FLÁVIA CRISTINA DOS SANTOS MENDONÇA, EDUARDO FIGUEIREDO JORGE, RAQUEL DE PAULA SOUZA REZENDE, SÉRGIO RENATO MACEDO CHICOTE