Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O Sistema Único de Saúde- SUS constitui-se enquanto ação teórico – prática, efetiva e resolutiva, referenciada socialmente em princípios e valores transversais inseparáveis que estão intrinsecamente relacionados com a defesa e garantia dos direitos humanos; do bem viver; da diversidade e pluralidade. Sobretudo, o SUS é uma invenção dos que ousaram e ousam sonhar por uma saúde pública universal; equânime; e com perspectiva de integralidade. Portanto, organizar os serviços ofertados pelo Sistema de Saúde em Atibaia a partir da organização da Redes de Atenção em Saúde – RAS é tarefa que exige protagonismo da gestão pública, dos movimentos sociais, dos trabalhadores da saúde, dos conselhos de saúde, da rede intersetorial, e é fundamental para o fortalecimento das políticas públicas articuladas em rede, na perspetiva da valorização da vida e a dignidade humana, assim como a oportuna e necessária militância de seus trabalhadores na construção e defesa diária dos princípios legais e doutrinários da política de saúde pública. Neste sentido, pensar Atenção Primária em Saúde enquanto Ordenadora de Cuidado em Saúde Mental em rede e seu caráter longitudinal numa perspectiva de referência e contra referência entre os serviços de especialidades é o desafio da APS do futuro. E o que é ordenar cuidado em rede? Sobre qual modelo de saúde estamos estabelecendo nossas expectativas de cuidado integral?
Ordenar cuidado em Saúde Mental a partir da APS; Enfatizar o território nas relações de cuidado adotando estratégia de tecnologias leves na horizontalidade do cuidado da pessoa e seus pares em sofrimento psíquico potencializado o auto cuidado e a reintegração biopsicossocial. Promover educação em saúde mental; ]Exercitar a associação livre; Fortalecer habilidades de escuta e fala não violentas sob uma ótica de horizontalidade das relações a partir do território; Pontuar e avaliar outras tecnologias em saúde a que se tem acesso na dinâmica territorial; Incentivar a potência do cidadão enquanto sujeito do autocuidado em sua capacidade de desenvolver e refinar recursos psíquicos.
A fim de construir cuidado em saúde mental a partir do território da Unidade de Saúde USF Ana Nery, localizada no Jd. Imperial, área adensada populacional em Atibaia-SP, que reúne cerca de 24 mil pessoas com realidades singulares e em situações de vulnerabilidade social, a aposta de cuidado tem sido a escuta e acolhimento das demandas dos sujeitos em sofrimento mental; o fortalecimento e resolutividade da ESF contando com matriciamento sistemático do Serviços de Saúde mental que compõem a RAPS: CAPS II; CAPS AD; CAPSiJ; Ambulatório de Saúde mental e Serviço Conveniado com APAE Habilitar Reabilitar. Assim a escolha em organizar grupos de apoio enquanto tecnologia leve para resolução de cuidados em saúde mental apoia-se em promover os encontros no âmbito da APS. As reuniões são subdivididas em 3 fases com enfoque na escuta e apoio aos familiares e ao indivíduo do território. A tecnologia dispõe de encontros semanais em que é oferecido café da manhã aos participantes, que se reúnem em torno da mesa e conversam sobre temas correlatos à saúde mental enquanto partilham alimentos. Além de protagonistas do território, os encontros contam com a participação da equipe multidisciplinar. A estratégia apoia-se na lógica da integralidade e longitudinalidade do cuidado e atenção à saúde mental, revisando com criticidade o modelo bio tecnicista e assistencial historicamente preconizado nas relações de cuidado em saúde.
Os esforços do Sistema Único de Saúde a partir de sua criação e regulamentação da LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990, que dispõe sobre as condições a fim de promover saúde, e organização assim como o funcionamento dos serviços correspondentes afirma como prioritário esforços na concentração e aposta no modelo do Programa Estratégia de Saúde da Família para ampliar cuidado em saúde- Portaria Nº 648, de 28 de março de 2006, para reorganização da Atenção Primária em Saúde, a partir da territorialização. Logo a escolha estratégica da territorialização do SUS em Atibaia tem permitido o planejamento, a programação descentralizada e o desenvolvimento de ações setoriais e intersetoriais com foco em um território específico, com impacto na situação, nos condicionantes e determinantes da saúde das pessoas e coletividades que constituem aquele espaço. A APS Atibaia é composta por 12 Unidades de Saúde da Família – USF, composta por 18 equipes de Saúde da Família; e 6 Unidades Básicas de Saúde – UBS com 26 equipes de Atenção Primária. Tal organização é aposta de modelo centrado na ESF potencializando as ações de cuidado em saúde mental, uma vez que as ações descentralizadas e tendo o território enquanto sujeito quebra a lógica da referência médico centralizada e medicamentosa, a fim de referenciar outras tecnologias de cuidado, utilizar outras ferramentas na condução de cuidado em saúde mental, implicação das outras políticas sociais para assistência no campo da proteção social.
Os Territórios são destinados para dinamizar a ação em saúde pública, o estudo social, econômico, epidemiológico, assistencial, cultural e identitário, é ferramenta importante para possibilitar ampla visão de cada unidade geográfica e subsidiando a atuação na Atenção Básica, para atender a necessidade da população adscrita e ou as populações específicas, em considerar o sujeito e sua singularidade, complexidade, integralidade e inserção sociocultural. Deve-se sublinhar o desafio que é referenciar novas tecnologias de cuidado em saúde mental mediante cenário reacionário e de retrocessos no âmbito das políticas públicas, tendo em vista a resistência e descrença dos protagonistas do campo da saúde mental em relação a atividades coletivas, sobrevalorização da figura médica, fragmentação das linhas de cuidado em saúde e a dificuldade. A APS do futuro, ao ordenar e coordenar cuidado biopsicossocial, reitera o modelo do SUS Universal, Equânime e Integral e desenvolve assim ações de educação permanente em saúde, priorizando espaços de participação da comunidade no território de saúde mental.
APS ordenadora de cuidado; Saúde Mental; PSF
Fabiana Rita de Cássia magro, Grazielle Cristina dos Santos Bertolini, Rafael Antonio Ferreira, Deise da Mota Pimenta