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A acumulação de vulnerabilidades, que englobam fragilidades de saúde mental, afeta muitas pessoas em nossa sociedade, como os transtornos de acumulação (TA). Além do sofrimento a que o usuário está submetido há o impacto considerável em saúde pública, sobretudo controle de vetores, o que traz prejuízos para todo a comunidade adjacente. Assim, para promover um cuidado mais eficaz e humanizado, é essencial integrar ações de diferentes setores, como saúde, assistência social, educação, segurança e obras. Entre os serviços de saúde destaca-se a ação integradas das equipes de endemias, estratégia Saúde da Família, além dos Fiscais Sanitários. Somado a estes, situações mais críticas necessitam do amparo legal do departamento jurídico do município. Sendo assim, este relato de experiência visa descrever as ações realizadas diante da a situação da paciente J.L.S., morador de bairro periférico do município de Araçatuba/SP, acompanhada sobre a problemática pela equipe de endemias desde 2020, tendo desfecho em fevereiro de 2024.
Realizar intervenções em casos de pessoas com TA, a fim de prevenir, promover e recuperar a dignidade destas. Fortalecer a articulação das ações de vigilância e assistência à saúde e contribuir para a organização e qualificação dos serviços da rede de atenção à saúde, objetivando a integralidade do cuidado, bem como o apoio matricial para a gestão do trabalho em saúde; Garantir a formação e educação permanente de profissionais e gestores para planejamento e execução das ações e serviços necessários ao atendimento às pessoas em situação de acumulação; Proporcionar o acesso das pessoas em situação de acumulação e vulnerabilidade social aos benefícios assistenciais e aos programas de transferência de renda, na forma da legislação específica.
Após ter identificação o TA no momento da visita domiciliar, foi acionado a ESF(equipe de estratégia Saúde da família) daquela área para discussão do caso e encaminhamentos para a rede de acordo com sua gravidade. No local, havia a existência de uma escola de educação infantil (com crianças de 0 a 6 anos) vizinha ao imóvel, e ameaça à saúde da comunidade local, foi também contatados fiscais sanitários e de postura, além de secretaria de obras. Neste período várias tentativas foram realizadas, porém sem sucesso. Sendo assim e após sessar todas as possibilidades, foi acionado departamento jurídico, que solicitou um relatório circunstanciado, elencando todas as ações do período. Mediante gravidade da situação foi autorizado ingresso forçado, mediante Decreto municipal nº 15.030 de 30/04/2010 para retirada dos objetos. Na residência é composta por 3 quartos, cozinha e banheiro em que moravam um casal de idosos, 4 jovens e 3 crianças, menores de 8 anos. Esta ação foi realizada em 5 dias úteis, contou com 7 equipes de endemias, estratégia Saúde da Família e eMULTI do território, Vigilância Sanitária, Oficial de Justiça, Secretaria de Obras, Planejamento, Guarda Civil Municipal, Policia Militar e equipe de Urgência e Emergência. Em que foram retiradas 70 toneladas de inservíveis, cadáveres de animais, galinhas, escorpiões, milhares de baratas, incontáveis ratos, 2 saruês e 1 cobra, além do atendimento dos animais doentes no local. Entre outros um quantitativo grande de roupas.
As ações de ingresso forçado, de forma geral, são a última tentativa realizada nos casos de TA, porém em condições de extremo risco sanitário, em que foram exauridas todas as possibilidades de acesso, estas medidas se fazem necessárias. A partir de então outras medidas para cuidado integral dos moradores foram tomadas como o apoio da Secretaria de Ação Social para reposição dos bens em bom estado de conservação, reparo da infra estrutura de risco, como muro e entrada do imóvel, além de acompanhamento da ESF, eMULTI e acionamento de outros equipamentos. Após a ação o casal de idosos decidiu morar em outra cidade com parentes que poderiam fornecer maior amparo, os outros membros da família permaneceram no local que mantem-se em condições salubres sem acumulo de objetos e acompanhamento da equipe do território. Durante a ação o vínculo entre as equipes e os moradores foi estabelecido, embora a medida seja considerada invasiva, o preparo dos profissionais envolvidos foi essencial para o sucesso da atividade, trazendo mudança de vida para toda população local. Além deste caso, o município possui outros acumuladores acompanhados, por isso foi estabelecido um Plano de Ação para Pessoas em Situação de Acumulação, que estabelece diretrizes para as atividades e quais equipamentos são acionados, dessa forma pode haver sistematização do cuidado aos pacientes. Sendo assim, a integralidade do atendimento, formado pelas ações intersetoriais, garante acesso da população à Uma Só Saúde.
Em meio a tantas dificuldades e pensando na dignidade e ofertando apoio e serviço humanizado, vários atores foram importantes nessa ação, o relato de experiencia fortalece a importância de ações integradas no âmbito do SUS, principalmente no que tange as questões de vulnerabilidade, como o TA, em que o paciente necessita de apoio multiprofissional da rede. Esse olhar ampliado considera questões epidemiológicas e psicossociais que afetam a comunidade como um todo, pela disseminação de vetor de enfermidades endêmicas, ou ainda pelo odor que atrai outras pragas como ratos. Portanto, a busca por ações assertivas deve ser objetivo das equipes da ponta, no que se considera as diretrizes do SUS, fortalecendo a equidade.
HUMANIZAÇÃO, DIGNIDADE, INTEGRALIDADE.
ELISABETE CRISTINA VELLO, GRAZIELA GON DA SILVA, FERNANDO HENRIQUE THONHON DE CAMILO MELOTI, PRISCILA NOGUEIRA DE MORAIS CESTARO, TALITA CAROLINA BRAGANÇA DE OLIVEIRA, RUTE MARA FLORIANO PAULINO