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O envelhecimento populacional global apresenta variações epidemiológicas conforme a localização do indivíduo. No Brasil, considera-se pessoa idosa quem tem 60 anos ou mais. Fatores genéticos, ambientais e sociais influenciam a fragilidade e a perda de autonomia dos idosos. Este trabalho descreve a atuação de uma equipe multidisciplinar na Atenção Primária à Saúde (APS), focando em atividades com idosos hipertensos, com idades entre 60 e 79 anos, através de atividades extramuros. A hipertensão arterial é definida por pressão sistólica ≥ 140 mmHg ou diastólica ≥ 90 mmHg. Para avaliar a fragilidade, utilizou-se o Índice de Vulnerabilidade Clínico Funcional-20 (IVCF-20) e o escore de Framingham, que ajudam a desenvolver estratégias para reduzir riscos de doenças cardiovasculares em dez anos.
O objetivo deste trabalho é descrever a atuação de uma equipe multidisciplinar na atenção primária à saúde através de atividades extramuros realizadas com pessoas idosas e hipertensas, com média de idade entre 60 e 79 anos. Objetivos específicos 1. Identificar o grau de autonomia e independência do público alvo. 2. Facilitar a integração dos usuários através de grupos de apoio às práticas de prevenção de doenças crônicas e promoção do autocuidado.
A seleção dos usuários foi realizada por meio de triagem eletrônica utilizando o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), filtrando por hipertensão, gênero e idade. As atividades ocorreram no município de Franco da Rocha de fevereiro a setembro de 2024, com 56 participantes, todos idosos cadastrados na UBS Adilson Gomes de Sá, com encontros semanais. Ao final, restaram 27 participantes, sendo 21 mulheres e 6 homens. Escalas como IVFC-20 e Framingham foram aplicadas para identificar padrões de fragilidade e risco cardiovascular (RCV), permitindo um acompanhamento personalizado. As principais estratégias incluíram: 1) Educação em saúde para promover autocuidado e uso correto de medicações; 2) Uso de tecnologias leve e leve dura para fortalecer o vínculo com os usuários; 3) Aproveitamento de espaços comunitários para facilitar a presença de pessoas com mobilidade reduzida. A comunicação foi feita em linguagem coloquial, com adesivos nas caixas de medicamentos para indicar horários (dia e noite). Embora familiares tenham sido contatados, a maioria não participou de nenhuma das atividades, e a equipe multidisciplinar atuou como a própria rede de apoio para esses participantes.
A iniciativa nos propiciou desvelar comportamentos e condições que contribuem para a perda da autonomia e independência de pessoas idosas favorecendo o desenvolvimento de doenças crônicas. Após sete meses de encontros identificou-se que uma das causas de persistência de HA foi a não aderência completa às medicações, seja pela ausência de sintomas, dificuldade de acesso à farmácia ou rede de apoio ineficaz da pessoa idosa. A presença de sarcopenia e osteoporose foi considerada como fator limitante a introdução de atividades físicas no cotidiano dos participantes. Sendo assim, foi preciso adaptar as atividades de acordo com as limitações individuais, sendo um ponto crucial para a permanência de todos os participantes no grupo. Outro fator importante e exitoso foi incentivar a participação dos usuários como sujeitos protagonistas de suas vidas. Pactuamos que a cada encontro seriam dialogadas experiências vivenciadas no cotidiano que lhes permitiam concluir suas atividades, mesmo com auxílio de terceiros. Fomentar ações de incentivo ao autocuidado e acompanhamento da saúde dos participantes nos permitiu concluir que a funcionalidade está diretamente relacionada ao estilo de vida das pessoas. Ainda que as redes de apoio familiares e sociais estejam fragmentadas, o papel da equipe multidisciplinar é se tornar a própria rede de apoio para melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas com hipertensão arterial.
É preciso correlacionar a prática assistencial à transversalidade dos temas de saúde e educação para alcançar as metas preestabelecidas, que visam prevenir o desenvolvimento de doenças e agravos, e possibilitar maior autonomia e independência das pessoas. Pressuposto que exige conhecimento dos profissionais de saúde sobre o que se deseja alcançar, e a quem se remete o cuidado prestado. A frase escrita pelo filosofo Aristóteles “Os homens tornam-se arquitetos construindo e tocadores de lira tangendo seus instrumentos” remete a ideia de transformação do ambiente e dos seres que o habitam com objetivo de aperfeiçoar suas práticas. A metáfora idealizada por uma equipe de saúde que atua na assistência às pessoas com hipertensão arterial, remete a pensar que o indivíduo ao se conscientizar sobre a importância da modificação do estilo de vida, e sobre o impacto positivo que isto lhe causará, diminuindo as chances de desenvolvimento de doenças crônicas, passa a ser sujeito transformador de sua própria saúde.
Envelhecimento populacional, Autonomia
DENIS BRANDÃO CARDOSO, LOREDANA HEGEDUS, PRISCILA REGINA DE CASTRO POLIDO