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Este relato apresenta a experiência do grupo terapêutico Arte no Pano, desenvolvido no CAPS Adulto Felício Gaspar, no município de Osasco – SP. Trata-se de um grupo em andamento, considerado tradicional no serviço, com encontros semanais realizados às terças-feiras, no período da tarde, com duração aproximada de uma hora. O grupo é composto por cerca de 20 usuárias do CAPS Adulto, atualmente todas mulheres, e tem como proposta a realização de atividades artesanais, como pintura em pano de prato e crochê, articuladas a rodas de conversa sobre acontecimentos da vida cotidiana, vivências no CAPS e temas relacionados à saúde mental. A experiência surge da necessidade de ofertar um espaço terapêutico que favoreça a autonomia, o fortalecimento de vínculos, a convivência e a participação social, reconhecendo o trabalho manual e criativo como uma importante tecnologia de cuidado em saúde mental. Configura-se como uma prática de promoção da saúde, ao estimular habilidades, ampliar a circulação social das usuárias e possibilitar experiências de geração de renda e cidadania. Nesse sentido, a experiência dialoga com os princípios da Política Nacional de Promoção da Saúde e com as diretrizes da atenção psicossocial no SUS, ao valorizar práticas territoriais, o cuidado em liberdade e a ampliação das estratégias de cuidado para além do modelo clínico tradicional.
Objetivo Geral: Promover a autonomia, o fortalecimento de vínculos e a inclusão social das usuárias do CAPS Adulto por meio de uma ocupação terapêutica baseada em atividades artesanais e rodas de diálogo. Objetivos Específicos: •Estimular a expressão subjetiva e a convivência coletiva por meio da produção artesanal; •Fortalecer o vínculo das usuárias com o CAPS e entre si; •Incentivar processos de autonomia financeira e protagonismo social; •Possibilitar espaços de diálogo sobre saúde mental e cotidiano de vida; •Ampliar a participação das usuárias em atividades comunitárias e eventos externos ao CAPS.
O grupo Arte no Pano ocorre semanalmente, com participação média de 20 usuárias do CAPS Adulto. A condução do grupo é realizada por profissional assistente social, contando frequentemente com o apoio de técnicas de enfermagem e, em alguns encontros, com a participação de profissional da psicologia, especialmente na condução das rodas de conversa. Durante os encontros, são utilizados materiais como tintas, pincéis, agulhas, linhas de crochê e panos de prato. Um aspecto central da metodologia é que todo o material utilizado é adquirido com recursos provenientes da venda das produções do próprio grupo, realizadas em bazares internos do CAPS e em eventos externos, como apresentações artísticas e feiras de empreendedorismo. As atividades manuais ocorrem de forma integrada às conversas em grupo, possibilitando que, enquanto produzem, as participantes compartilhem experiências, sentimentos e reflexões sobre suas vidas, fortalecendo o cuidado em saúde mental de maneira horizontal, participativa e territorializada.
Ao longo do desenvolvimento do grupo, observam-se resultados significativos no fortalecimento do vínculo das usuárias com o CAPS e entre elas, bem como no estímulo à autonomia e ao protagonismo. O saldo financeiro positivo das vendas tem possibilitado a compra contínua de materiais, a realização de encontros comemorativos, com lanches e celebração de datas festivas, além do planejamento de passeios externos ao CAPS, financiados pelo próprio grupo. Destaca-se a participação ativa das usuárias na organização dos bazares, desde a exposição dos produtos até a venda, bem como a inserção em eventos externos, ampliando o contato com o território e com práticas de geração de renda. Em nível subjetivo, observa-se aumento da autoestima e do sentimento de pertencimento. Muitas usuárias demonstram orgulho de suas produções, optando por presentear familiares ou guardar o primeiro pano confeccionado como marco de conquista pessoal. Ademais, algumas participantes passaram a desenvolver iniciativas próprias de empreendedorismo, com produtos artesanais ou alimentos, como pães e doces.
A experiência do grupo Arte no Pano evidencia o potencial das práticas de promoção da saúde mental baseadas na criatividade, na convivência e na participação social. O grupo se consolidou como um espaço potente de cuidado, no qual o fazer manual se articula ao cuidado subjetivo, à construção de vínculos e ao fortalecimento da autonomia. Ao possibilitar geração de renda, circulação no território e protagonismo das usuárias, a experiência reafirma a importância de práticas territoriais, sensíveis às realidades locais e orientadas pelos determinantes sociais da saúde. Trata-se de uma estratégia que amplia o cuidado em saúde mental para além do espaço institucional, promovendo cidadania, inclusão e novas possibilidades de vida.
Saúde mental, autonomia, CAPS
THAMIRES PEREIRA SANTOS FERREIRA, VALDEIDE JESUS DE OLIVEIRA EGYDIO, JANAINA APARECIDA RODRIGUES, LIZAMARA DE AQUINO, SONIA REGINA MARQUES