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A depressão pós-parto é um problema significativo de saúde pública, afetando negativamente o bem-estar materno e o desenvolvimento infantil. Estudos indicam que os primeiros três meses após o parto constituem um período crítico para o surgimento dessa condição, com maior incidência entre a quarta e oitava semana. Essa depressão pode comprometer a interação mãe-bebê, resultando em prejuízos na responsividade materna e no desenvolvimento emocional e cognitivo da criança. No município de Guarujá, uma pesquisa observacional abrangendo todos os nascimentos avaliou a saúde mental materna e identificou casos graves que necessitavam de encaminhamento imediato aos serviços municipais de saúde mental. Diante disso, tornou-se imperativo implementar estratégias que integrem pesquisa acadêmica e assistência em saúde, visando identificar precocemente casos de depressão pós-parto e proporcionar o devido encaminhamento, fortalecendo a rede de apoio municipal e promovendo a efetivação dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
Identificar casos de depressão pós-parto grave entre mães em situação de vulnerabilidade no município de Guarujá, participantes de um estudo longitudinal, e assegurar o encaminhamento adequado aos serviços de saúde mental. Além disso, busca-se fortalecer a rede de apoio municipal e promover a integração entre pesquisa acadêmica e prática assistencial no SUS, garantindo atendimento integral e equânime às mães afetadas.
O estudo Saúde e Mortalidade Materno-Infantil em Guarujá: Coorte de Nascimentos Guaru-Yá acompanha todos os nascimentos no município durante um ano, desde o parto até o primeiro ano de vida do bebê. As participantes são recrutadas nas maternidades locais e acompanhadas por entrevistas telefônicas aos 1 e 3 meses e presenciais aos 6 e 12 meses. As entrevistadoras são previamente treinadas e atuam diariamente nos três turnos, a fim de alcançar o maior número possível de participantes. No seguimento de 3 meses, é aplicado um questionário com duração média de 7 minutos, abordando a saúde do bebê, aleitamento materno, alimentação complementar e saúde mental materna. Para a avaliação da saúde mental materna, utiliza-se a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS), composta por 10 questões que avaliam sintomas depressivos. A última questão do instrumento é: A senhora tem pensado em fazer alguma coisa contra si mesma?. Respostas afirmativas ou escores elevados resultam, mediante consentimento, no encaminhamento para as Unidades de Atenção Primária à Saúde do município para suporte psicológico. Após um acordo entre a Secretaria de Saúde e a Coordenação do Projeto de Pesquisa, definiu-se que todos os casos graves seriam enviados diretamente à gerente responsável pela unidade de saúde de referência da puérpera. Em seguida, a equipe da unidade entra em contato para agendar o atendimento psicológico.
Até o momento, foram realizadas 1.000 avaliações no terceiro mês. Dessas, 36 mães foram encaminhadas para apoio psicológico devido a sinais de depressão pós-parto grave. Os encaminhamentos resultaram em agendamentos efetivos em até uma semana, demonstrando a eficiência da articulação entre pesquisa e serviços municipais de saúde mental. Além disso, observou-se maior conscientização das mães sobre a importância da saúde mental e adesão significativa aos serviços oferecidos.
A experiência destaca a importância da articulação entre pesquisa acadêmica e assistência em saúde mental no SUS para identificar e tratar casos de depressão pós-parto em populações vulneráveis. Essa integração promove uma abordagem mais abrangente e eficaz, fortalecendo a rede de apoio municipal e assegurando que as mães recebam o cuidado necessário de forma oportuna. Parcerias dessa natureza em diversas áreas podem beneficiar amplamente a população, promovendo inovações e melhorias nos serviços públicos de saúde.
depressão, pós-parto, desenvolvimento, cognitivo
FERNANDA BESSA LAFAYETTE ALVES