Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A vigilância da mortalidade fetal, infantil e materna é uma das prioridades do Ministério da Saúde, dada a relevância desses índices como indicadores de saúde e desenvolvimento populacional¹. No ano de 2024, foram registrados 119 óbitos fetais/infantis e 4 óbitos maternos em São Bernardo do Campo (Fonte Comitê Municipal de Vigilância de Mortalidade Materna, Fetal e Infantil). A Linha de Cuidado Materno Infantil desempenha um papel essencial na Rede de Atenção à Saúde (RAS). Além de fortalecer a Atenção Básica como centro ordenador do cuidado, destaca-se a importância da implementação dos Comitês de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, que têm como objetivo identificar os óbitos dentro dessa linha de cuidado e propor intervenções para reduzir esses eventos. Esses comitês se mostram como uma ferramenta eficaz na avaliação das políticas públicas e das ações de assistência prestadas pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Considerando que a UBS Vila União conta com uma profissional do Núcleo de Vigilância em Saúde (NEVS), treinada em todas as áreas de vigilância, para articular, apoiar e executar, in loco, as ações de vigilância na unidade, a articuladora do NEVS promove o engajamento necessário para a realização das reuniões. Estas reuniões são conduzidas em conjunto com a coordenadora da unidade, a Equipe de Estratégia de Saúde da Família (EESF) e a Equipe Multidisciplinar (eMulti), visando impactar positivamente os indicadores de morbimortalidade materna e fetal.
Realizar reuniões com a participação da articuladora do NEVS e da equipe multiprofissional da UBS, com o objetivo de identificar, monitorar e acompanhar os óbitos infantis, fetais e maternos. Nessas reuniões, propõem-se estratégias a serem incorporadas aos processos de trabalho, visando qualificar a assistência ao pré-natal, puericultura e, consequentemente, influenciar a redução dos índices de mortalidade².
A articuladora do NEVS realiza o levantamento dos casos com base nos dados fornecidos pela Divisão de Vigilância Epidemiológica do Departamento de Proteção à Saúde e Vigilâncias (DPSV), que integra o Comitê de Mortalidade Materna e Infantil do município. Esses dados são apresentados e estudados mensalmente nas reuniões do comitê da UBS, sendo registrados em livro ata e divulgados para os demais profissionais da unidade. São analisados os óbitos fetais, infantis e maternos entre residentes do município, segmentados por UBS e território. Além disso, investigam-se agravos de saúde entre gestantes, como sífilis, toxoplasmose e infecções do trato urinário, bem como o acompanhamento quantitativo de gestantes por equipe.
De acordo com a planilha de monitoramento da UBS, em 15 de outubro de 2024, havia 170 gestantes em acompanhamento, com uma média de 21 pacientes por equipe entre as 8 EESF. O diferencial da atuação do articulador do NEVS é a visão abrangente, que permite avaliar os dados da unidade como um todo, ao contrário dos profissionais da UBS, que tendem a focar nas suas respectivas equipes. Isso possibilita a preparação e realização de levantamentos para as reuniões do Comitê, onde são identificados óbitos infantis por causas evitáveis, permitindo apontar problemas de acesso e/ou qualidade da assistência à mãe e ao bebê durante o pré-natal, parto e período perinatal. A partir dessas discussões, são elaboradas estratégias de qualificação da assistência, como o “Termo de Ciência da Gestante”, que orienta gestantes que não aderem aos serviços quanto à importância da continuidade do pré-natal e da realização dos procedimentos e consultas. O termo também deixa claro que a falta de adesão pode comprometer negativamente a gestação e a saúde do recém-nascido.
A articulação entre a Equipe de Estratégia de Saúde da Família (EESF), a equipe multiprofissional e a articuladora do Núcleo de Vigilância em Saúde (NEVS) tem se mostrado fundamental na identificação e prevenção de óbitos fetais, infantis e maternos em São Bernardo do Campo. A implementação de ações coordenadas, como as reuniões do Comitê de Mortalidade e o uso de instrumentos de acompanhamento, reforça a importância do monitoramento contínuo e da adoção de medidas preventivas. A qualificação da assistência ao pré-natal e puericultura, com enfoque no acesso e qualidade dos serviços, contribui diretamente para a redução dos índices de morbimortalidade, promovendo uma melhora significativa na saúde materna e infantil do município. Dessa forma, o modelo de trabalho integrado fortalece a rede de cuidados e impacta positivamente os indicadores de saúde local.
Articulador, vigilância, mortalidade
FABIANA APARECIDA TONETO PANIAGUA, ADRIANE CAMPOS GAINO, HELAINE BALIEIRO DE SOUZA, ANDRESSA BEZERRA SOBRAL LIMA