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Atenção primária à saúde (APS) é o primeiro nível de contato dos indivíduos, família e comunidade com o sistema municipal de saúde, alocada preferencialmente próxima aos locais onde as pessoas vivem e trabalham, a fim de que seja elemento de um processo de atenção contínua à saúde. A APS é considerada o pilar da organização do sistema de saúde, propiciando cuidado de qualidade, integral e integrado, com racionalização da utilização dos recursos. O fortalecimento da APS permite que os cidadãos a identifiquem como porta de entrada do sistema de saúde, de forma que seu papel de coordenação do cuidado e integração com os demais níveis seja adequadamente exercido, garantindo melhor experiência do usuário ao longo de sua jornada de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. Este trabalho apresenta o relato de experiência do Componente de Auditoria Interna quanto a necessidade de avaliar em que medida problemas estruturais, de processos e de gestão vêm comprometendo o funcionamento e alcance dos resultados propostos na Estratégia Saúde da Família no município de Bastos/SP. Mais especificamente, para delimitar tal escopo, buscou-se avaliar se a gestão da atenção primária proporciona qualidade nos serviços prestados. Garantir ações que visam à equidade de acesso, a integralidade e a harmonização progressiva dos perfis da oferta das ações e qualidade dos serviços de saúde, de acordo com as realidades epidemiológicas e disponibilidade de recursos humanos, físicos e financeiros.
Tendo em vista o papel essencial da Atenção Primária à Saúde (APS) enquanto pilar organizacional do sistema de saúde, o objeto desta Auditoria consistiu na avaliação da rede de atenção básica na APS do município de Bastos/SP. Para isso, foram utilizados os aspectos referentes à estrutura da rede de serviços básicos e o aperfeiçoamento da gestão pública, por meio da produção de informações atualizadas e independentes, bem como apontamento de sugestões e soluções de acordo com as legislações vigentes, de modo que seja avaliado se a referida gestão da atenção primária propicia a devida qualidade objetivada quando da prestação dos serviços, a fim de garantir a equidade de acesso e qualidade dos serviços dentro de suas especificidades e realidades epidemiológicas, bem como os recursos disponíveis.
O presente relato trata de Auditoria Integrada na Atenção Primária à Saúde, da qual o levantamento preliminar e o respectivo relatório foram elaborados após a realização dos trabalhos de fiscalização nas Unidades de Saúde no município de Bastos/SP. O recorte temporal que abrange a descrição deste relato foi de 07 meses, mais especificamente de junho à dezembro de 2023. Foram realizadas visitadas em 06 Unidades Básicas de Saúde da Família/UBSF, 01 Unidade de Serviço de Atenção Domiciliar/SAD e a Central de Medicamentos/CEME. O método de trabalho foi dividido em duas fases: a primeira como Planejamento dos Trabalhos em Auditoria e a segunda como Planejamento e Execução da Auditoria. Para otimizar a fase de execução foi elaborado um instrumento com a finalidade de conduzir o trabalho de auditoria, a fim de que fosse realizado o registro das situações encontradas, denominado de checklist, que, por sua vez, serviu de base para a elaboração deste relatório, de modo que se mostrou essencial para a obtenção de evidências e o tratamento das informações coletadas. As visitas foram realizadas em dois turnos, com o objetivo de garantir o mais curto lapso temporal para a coleta de informações, utilizando-se a força de trabalho de dois Auditores de Controle Interno. Considerou-se, portanto, que a qualidade é decorrente, dentre outras variáveis, das ações gerenciais (processos de gestão) implantadas para a atenção primária.
O relatório destacou gargalos e oportunidades de desenvolvimento através de avaliações e discussões que tornem mais efetiva a ação e sejam garantidas melhorias para os usuários dos serviços, a gestão e colaboradores. Não obstante a diversidade de indicadores propostos na atenção primária, que deveriam ser utilizados e amplamente divulgados, constatou-se que os processos de gestão carecem de mensuração, como os que envolvem estratégia, planejamento, tomada de decisões, alocação de recursos, gestão do conhecimento, comunicação e gestão de desempenho. É indispensável que os agentes responsáveis pela condução tenham consciência de que devem agir com maior zelo e correição possíveis, para que as demandas dos usuários possam ser atendidas com tempestividade e eficiência. A APS não é ponto de “triagem” ou regulação, mas sim focal, onde a maioria das questões da saúde dos usuários é resolvida. Nela, o participante deve ser acolhido para estabelecer relações de vínculo com os profissionais e receber continuidade do cuidado. Quanto a não conformidades relacionadas à infraestrutura, são necessidades de recursos humanos, materiais e adequações físicas, que demandam resolução em longo prazo, devido à previsão orçamentária e aplicação de recursos. As não conformidades relacionadas à documentação institucional incluem prontuários físicos e relacionam a falta de organização, armazenamento/arquivamento, revisão, alguns registros ilegíveis e/ou não realizadas ou incorretos e sem assinaturas.
A análise realizada revelou que a auditoria, por se tratar de um instrumento de verificação e monitoramento da qualidade do serviço por meio do cumprimento de normas e de verificação do funcionamento adequado, desempenha um papel contínuo e fundamental na garantia da qualidade dos serviços de saúde, promovendo equidade no acesso e orientando os processos gerenciais. Dessa forma, pode sinalizar uma segurança adequada nos processos de trabalho e é indispensável para que sejam realizadas melhorias e adequações para os usuários do serviço, a gestão e os colaboradores e o método 5S foi orientado para a implantação nas unidades, visando redução de custos, melhoria na qualidade de produtos e serviços, motivação dos trabalhadores e segurança. A auditoria, portanto, além de cumprir um papel de análise técnica, reorienta os processos gerenciais, regulando a assistência e equidade no acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), de forma que é essencial que as recomendações identificadas sejam implementadas, a fim de que seja garantida uma atenção primária eficaz e centradas nas necessidades dos usuários.
Auditoria Interna, Atenção Primária, Qualidade
Regina Aparecida Pereira Mazzi, Érika Doreto Blasques da Silva, Joziane Fagundes de Souza, Jussara Moraes Hatae Campoville, Yara Baldin Mesquita Jaqueto