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Este trabalho apresenta um relato de experiência sobre formação acerca dos aspectos sociais, biológicos relacionados ao fenômeno da adolescência e uso de substâncias ilícitas para profissionais da saúde e educação, bem como uma reflexão sobre os desafios da prática da intersetorialidade. Após isolamento social pela Pandemia de Covid 19, observou-se a chegada no município de uma nova droga ilícita, chamada inicialmente de “maconha sintética” ou “droga zumbi”. O fenômeno alertou os profissionais da saúde, educação e assistência social , por seus efeitos rápido no corpo, e uso em sua maioria de jovens em seus primeiros usos de substâncias ilícitas, ainda sem saberem dos efeitos em seus corpos. Os profissionais também se preocuparam e rapidamente foram comparando ao momento da chegada do crack no município. Uma droga desconhecida e devastadora. Provocava a dependência rapidamente e deixava os adolescentes fora de si, parecidos com zumbi. Essas eram as falas dos profissionais de um modo geral. Alguns adolescentes começaram acompanhamento no CAPS Infanto juvenil e foram relatando seus percursos, em especial pela educação, por um programa municipal chamado Adolescente Aprendiz. A relação entre os adolescentes do programa e os educadores era a potência para aproximar o cuidado, as UBS e os núcleos do programa eram a capilaridade que precisávamos para a aproximação com os territórios. O desafio foi compreender esse fenômeno no contexto do município e do fenômeno adolescer.
Promover aprimoramento profissional para trabalhadores da saúde de Diadema, além dos da educação inseridos no Programa Jovem Aprendiz, para que estes possam perceber os fenômenos sociais e biológicos associados à adolescência e contextualizá-los dos principais riscos relacionados ao uso de substâncias ilícitas e suas consequências. ● Entender o contexto do uso das drogas e sobretudo do K2 ● Pensar em metodologias e estratégias de prevenção, acolhimento envolvendo articulação territorial como arte, cultura, esporte e família. ● Discutir os efeitos e alterações do funcionamento das substâncias ilícitas no organismo, modificação das funções e dependência. ● Preparar os profissionais para acolher os adolescentes e suas famílias em estado de sofrimento psíquico, dentro do seu contexto social, realidade, otimizando as ferramentas disponíveis na rede de saúde a território.
A prevenção relacionada ao uso de drogas e dirigida aos adolescentes tem natureza interdisciplinar, o que implica levar em consideração o fenômeno da adolescência, o contexto histórico, cultural, classe social a que pertence o adolescente, sem perder de vista suas características singulares – de personalidade e trajetória de vida para depois entender melhor as drogas, manejo, território e ferramentas que serão envolvidas neste processo. Para dar conta da tarefa e entender qual a concepção sobre droga e adolescência, foi necessário percorrer a teoria com profissionais da academia e pesquisadores que fizeram esta abordagem com os profissionais da saúde da atenção básica, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), dos Prontos Atendimentos e Hospitais Municipais, além de educadores inseridos no Programa Adolescente Aprendiz. Os profissionais da saúde e educação foram escolhidos por apresentar um perfil de afinidade com o tema, além de ter a capacidade de multiplicar para os demais profissionais das unidades de saúdes a que estes são lotados. Poderemos chamar este profissional que irá fazer a formação inicial de conteudista, estes da saúde de multiplicadores. Foram planejados três encontros com a metodologia expositiva dialogada e assuntos complementares: 1º encontro: K2 – Esclarecer, compreender e evidenciar para cuidar. 2º encontro: Escuta ação e limites profissionais. 3º encontro: Dia municipal de redução de danos
Participaram dos encontros aproximadamente 100 pessoas. O conteudista, após a formação inicial com os demais, lançou o desafio para que estes, junto com os educadores do programa Adolescente Aprendiz, possam ser multiplicadores por região de saúde, além de articuladores com as possíveis potencialidades do território como cultura, esporte etc… trabalhando não só na prevenção, mas no acolhimento à jovens e famílias que já estão inseridos no contexto de drogas.
Pesquisadores, profissionais, instituições e entidades que trabalham com essa questão no Brasil são praticamente unânimes em apontar que a prática da intersetorialidade é fundamental para entender, prevenir e conduzir as questões relacionadas ao uso de substâncias ilícitas. Um primeiro ponto que deve ser ressaltado em relação às práticas intersetoriais nessa experiência é que, a despeito de haver um objeto e objetivos comuns, há dificuldades em planejamento, definição de atribuições, diferenças no envolvimento, expectativas e adesão das instituições . Apesar dos aspectos positivos dos encontros, discussões e formação, há um grande desafio da multiplicação de saberes dentro da rotina dos serviços e da prática do planejamento entre os setores e da gestão, reconhecendo a importância e atribuição de cada um.
saúde, adolescente, drogas
Denise Miyamoto de Oliveira, Poliana Poian Souza, Analdeci Moreira dos Santos, Maria Luiza Leao Salerno Malatesta, Maria Regina Torin