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A violência no ambiente de trabalho afeta diretamente a saúde mental dos profissionais da saúde. Para enfrentar essa questão, o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET Saúde-Equidade), iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação, promove a integração entre ensino, serviço e comunidade, aprimorando a formação de profissionais e estudantes. Segundo Barros e Silva (2017), a violência no ambiente de trabalho é uma realidade para muitos profissionais da saúde, sendo frequentemente associada ao estresse ocupacional e à deterioração das condições de trabalho. Os autores destacam que, além dos danos físicos, a violência psicológica, como humilhações e ameaças, pode ser ainda mais prejudicial à saúde mental desses trabalhadores, resultando em transtornos como depressão e ansiedade. O programa foca na redução das desigualdades no acesso à saúde mental, garantindo suporte psicológico e psiquiátrico a grupos vulneráveis. Em razão do elevado número de registros de atendimentos em saúde mental aos profissionais da saúde, o município de Assis abraça a proposta do PET SAÚDE-Equidade, com o objetivo de expandir o acesso ao cuidado e fortalecer as redes de apoio. O projeto foi implementado em junho de 2024, fruto da parceria entre a UNESP, FEMA e a Secretaria Municipal da Saúde.
O PET SAÚDE-Equidade busca compreender e intervir nas situações de violência vivenciadas pelos profissionais da saúde, promovendo prevenção, acolhimento e suporte. Para isso, atua em: •Mapeamento das violências no ambiente de trabalho; •Sensibilização de gestores e trabalhadores para identificação e denúncia; •Criação de espaços de escuta e acolhimento; •Campanhas educativas sobre o tema; •Propostas de intervenção para mitigar a violência nos serviços de saúde.
A abordagem qualitativa adotada no projeto com metodologias participativas e extensionistas é fundamentada em abordagens teóricas que priorizam a participação ativa dos envolvidos, a construção coletiva do conhecimento, e a promoção de um espaço de aprendizado e desenvolvimento contínuo. A busca não é apenas transformar a prática de acolhimento, mas também fomentar um ambiente de colaboração entre os diferentes atores da saúde. O uso de estratégias participativas, extensionistas e formativas é uma forma eficaz de melhorar a prática do cuidado e o enfrentamento da violência, ao mesmo tempo em que fortalece a relação entre a academia e a comunidade. As etapas realizadas foram: •Levantamento de dados: Questionários e entrevistas com trabalhadores da saúde que foram ofertados pelo aplicativo Google Forms. •Grupos de discussão: Encontros para troca de experiências e reflexões entre alunos, preceptores, professores e profissionais da saúde do município. A partir dos dados obtidos nos questionários estabelecemos uma trajetória dos trabalhos a serem desempenhados, sendo eles: •Oficinas e capacitações: Formação sobre prevenção e enfrentamento da violência. •Parcerias interinstitucionais: Ampliação das ações de acolhimento. As atividades envolveram estudantes, docentes e profissionais da Secretaria Municipal da Saúde, fortalecendo a integração ensino-serviço.
A pesquisa com profissionais da saúde identificou as seguintes violências mais frequentes: •Assédio moral •Discriminação de gênero •Racismo religioso •Assédio sexual •Outros tipos de violência Desde sua implementação, o PET SAÚDE-Equidade trouxe avanços importantes: •Maior visibilidade do problema, estimulando denúncias e medidas preventivas. •Engajamento dos profissionais na busca por um ambiente mais seguro. •Diálogo fortalecido com gestores, incentivando políticas institucionais. •Integração ensino-serviço, promovendo soluções práticas para o problema.
Diante do fortalecimento e ampliação das ações do PET-SAÚDE-Equidade observamos a necessidade criação de um programa de mentoria contínua focado no apoio emocional e no desenvolvimento profissional dos trabalhadores da saúde. Este programa poderia envolver profissionais mais experientes (como preceptores e docentes) atuando como mentores de novos trabalhadores ou aqueles que se sentem vulneráveis em relação às situações de violência. A mentoria poderia ser uma combinação de acompanhamento individual, grupos de apoio e espaços para discussões reflexivas sobre a vivência no ambiente de trabalho. Além disso, a ampliação da formação sobre a prevenção e enfrentamento de violências específicas – como o assédio moral, discriminação de gênero, racismo religioso, entre outras – poderia ser feita por meio de cursos e workshops periódicos, atualizados conforme as novas demandas e desafios identificados pelos próprios profissionais. A ideia é manter um ciclo constante de capacitação e troca de experiências, para que todos os envolvidos possam se atualizar e se engajar cada vez mais no processo de transformação do ambiente de trabalho e complementa-la com a criação de plataformas digitais para compartilhar experiências.
PET SAÚDE, VIOLÊNCIA PROFISSIONAL, ASSÉDIO MORAL
ANACELY GUIMARÃES COSTA