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O ambulatório Municipal de Doenças Infecto Contagiosas (AMDIC) do município de Santa Bárbara d’Oeste, atua como CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), SAE (Serviço de Assistência Especializada à Pessoas Vivendo com HIV/Aids – PVHIV) e outras doenças de origem infectocontagiosas, através de um atendimento integral e de qualidade por meio de uma equipe multiprofissional. O tratamento antirretroviral (TARV) universal para todas as mulheres, também há as demandas reprodutivas e o direito ao exercício da paternidade/maternidade, planejados pelos casais, independentemente da condição sorológica, ou seja, de serem soroiguais ou sorodiferentes (um dos parceiros é soropositivo). Considerando a necessidade de oferecer assistência integrada às gestantes, com seus parceiros sexuais HIV+, realizamos um pré-natal em “paralelo” com Atenção Primária, onde não apenas o homem HIV+, faz seu acompanhamento com consultas, exames e TARV (terapia antirretroviral) no SAE, sua parceria gestante (HIV- ) é assistida, realizando exames mensais para testagem de HIV, recebe orientações sobre suas práticas sexuais com seu parceiro sorodiferente de forma segura, sem colocar em risco sua saúde e a saúde do seu filho, continuidade da prevenção no puerpério e amamentação. Orientando sobre de métodos protetivos nas relações sexuais com seu parceiro HIV+ e realizando testes mensais para diagnóstico do HIV, no caso de uma possível infecção, além de poder optar em fazer uso da PrEP (profilaxia pré-exposição).
Contribuir para a qualidade na atenção especializada das gestantes soronegativas expostas e do recém-nascido, resultando em uma erradicação das taxas de transmissão vertical do HIV através do fortalecimento vinculado à Rede Cegonha e maternidade do município. Ampliar o acesso dos casais sorodiferentes ao SAE, estimulando a adoção de medidas de prevenção mais viáveis para cada usuário e reduzir o impacto emocional dos diagnósticos, proporcionando adesão, desmistificando o HIV em relação a vida reprodutiva e assim efetuar segurança e qualidade de vida ao casal.
Este estudo teve como cenário um serviço de atendimento especializado (SAE) na cidade de Santa Bárbara d’Oeste, no qual tivemos contato com gestantes soronegativas para o HIV que optaram por decisão de engravidar do seu parceiro de forma planejada ou não. A participação do caso exposto foi multiprofissional com atuação do enfermeiro no acolhimento; o médico desenvolvendo ações individuais e coletivas, resultados de exames e coleta de dados, tratamento da PREP com antirretrovirais; realiza ações educativas; o farmacêutico integra a equipe multiprofissional orientando a gestante em relação a aceitação do tratamento com antirretrovirais, esclarecendo dúvidas, evitando a automedicação, possíveis efeitos colaterais, apurando dados de periodicidade nas retiradas dos medicamentos. Gestante,18 anos e seu parceiro com 23 anos de idade, ambos naturais do Maranhão, encaminhados ao SAE pela Atenção Primária. Estiveram na UBS para iniciarem o pré-natal, realizou-se a testagem para HIV e Sífilis em ambos. Após a realização dos Testes Rápidos, o parceiro recebeu um resultado reagente para HIV. No SAE, fizemos os testes confirmatórios e constatamos o HIV. A gestante já havia sido informada pelo parceiro, tornando mais fácil as ações propostas em relação a profilaxia da transmissão vertical e outros cuidados. De forma multidisciplinar, humanizada e educativa a gestante por decisão continuará sua rotina pré-natal normalmente na Atenção Primária.
A situação de vulnerabilidade vivida, especialmente pela mulher e pelo filho e a tensão do profissional que assistiu o casal no contexto deste estudo de caso, mostraram com clareza que a vida está em constante mudança e que as coisas e as pessoas estão em constante relação recíproca. Entende-se que os profissionais, na assistência a sujeitos em situações semelhantes ao caso estudado, devem priorizar a escuta aos casais em idade fértil nas suas manifestações claras ou implícitas. Para nortear a compreensão das singularidades de cada casal, os profissionais devem considerar: a força e a importância da história e das relações existentes entre os parceiros, as questões de gênero e o poder entre homens e mulheres; a força do desejo do casal, principalmente da mulher, na decisão de ter um filho; o potencial de solidariedade e gratidão das pessoas e a capacidade das mesmas para desafiar normas sociais. Os problemas e dificuldades inerentes à assistência a pessoas com aids são inegavelmente complexos e demandam uma relação humanitária, compreensiva, baseada em valores éticos e em conhecimentos técnicos necessários a este fazer. Os achados deste estudo apontam para a necessidade de mais pesquisas na área com o objetivo de melhorar a assistência prestada a essa população, favorecendo a compreensão e a autonomia dos sujeitos na perspectiva da integralidade do cuidado.
Para os casais, a gestação faz parte do seu vivido quando têm vontade, desejam e querem ter o filho do casal, mesmo quando um ou ambos já têm filhos de relacionamentos anteriores. É consenso que o casal deve tomar decisões conscientes sobre os riscos e benefícios a respeito das opções de concepção seguras, sempre tendo em vista suas características e necessidades individuais. O indicado é que o casal deva ser informado dos riscos, monitoramento clínico e laboratorial frequente e as condições muito específicas para que ocorra com sucesso. O último ponto de discussão dos resultados traz à tona a contribuição dos profissionais nas informações fornecidas aos casais e como isso impacta nos direitos sexuais e reprodutivos das PVHIV e suas parcerias.
Transmissão Vertical, Casais Sorodiferentes, HIV
Janaína Felício, Débora Bignotto Rosane Battaglia, Renata Poletto Bandera Moura