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O envelhecimento populacional impõe ao Sistema Único de Saúde (SUS) o desafio de garantir continuidade terapêutica a usuários com doenças crônicas e condições de alta complexidade, cuja qualidade de vida depende do acesso regular a medicamentos (BRASIL, 2017). Nesse contexto, o Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) assume papel estratégico para assegurar o direito à saúde de forma equitativa e integral, especialmente para a população idosa, frequentemente acometida por múltiplas comorbidades crônicas (BRASIL, 2019; SÃO PAULO, 2021). No âmbito regional, fragilidades nos fluxos de trabalho, ausência de monitoramento sistemático e crescente judicialização comprometiam a eficiência da gestão do CEAF. A experiência iniciada no Departamento Regional de Saúde (DRS III Araraquara), em 2024 envolveu equipe técnica regional e municípios vinculados ao departamento, com foco na reorganização estrutural dos processos e na institucionalização do monitoramento e da avaliação como práticas permanentes de gestão. A relevância do projeto é reforçada pelo contexto do envelhecimento da população, que exige garantia contínua de medicamentos de alta complexidade para manutenção da funcionalidade e da autonomia dos usuários. Ao qualificar fluxos técnicos e logísticos, ampliar a capacidade operacional e fortalecer a rastreabilidade de processos administrativos e judiciais, a iniciativa contribui diretamente para a promoção da equidade, integralidade e segurança do cuidado no SU
Descrever a experiência de reestruturação da gestão regional do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), destacando as ações implementadas para institucionalizar o monitoramento e a avaliação como práticas permanentes, qualificar fluxos técnicos e logísticos, ampliar a capacidade operacional, fortalecer a rastreabilidade de processos administrativos e judiciais, reduzir vulnerabilidades que comprometiam a continuidade terapêutica e promover equidade no acesso a medicamentos de alta complexidade no SUS, com ênfase nos impactos para a população idosa, frequentemente acometida por múltiplas doenças crônicas.
A experiência foi conduzida a partir de um diagnóstico situacional, que permitiu identificar gargalos operacionais, inconsistências nos fluxos de trabalho e ausência de instrumentos sistemáticos de monitoramento na gestão do CEAF. Com base nesse diagnóstico, foram planejadas e implementadas ações estruturantes, visando à reorganização e qualificação dos processos, incluindo: reorganização das etapas de análise técnica, padronização de rotinas, criação de fluxos formais, implantação de dupla checagem na separação e conferência de medicamentos, fortalecimento do controle de estoques e acompanhamento sistemático de demandas judiciais. Com a ampliação da equipe por meio do Projeto FESIMA, tornou-se possível consolidar o monitoramento contínuo de indicadores operacionais e logísticos, com avaliação periódica dos resultados e ajustes estratégicos quando necessário. O processo envolveu a participação ativa de farmacêuticos, equipe administrativa e coordenação regional, mantendo interface direta com os 24 municípios da região DRS III Araraquara, o que permitiu alinhar as ações às necessidades locais e fortalecer a integração entre áreas técnica, administrativa e jurídica. Essa metodologia permitiu não apenas reorganizar a gestão do CEAF, mas também transformar o monitoramento e a avaliação em práticas institucionais permanentes, promovendo maior previsibilidade, eficiência e segurança na assistência farmacêutica de alta complexidade.
A iniciativa ampliou significativamente a capacidade operacional do serviço e fortaleceu a autonomia regional na condução dos processos, observou-se melhoria expressiva na rastreabilidade logística, maior controle de prazos judiciais e redução de inconsistências na separação e entrega de medicamentos, aspectos essenciais para garantir a continuidade terapêutica de usuários, especialmente a população idosa, frequentemente acometida por diversas doenças crônicas simultâneas. O monitoramento sistemático transformou-se em ferramenta de governança, permitindo maior previsibilidade no abastecimento e mitigação de riscos de descontinuidade terapêutica, favorecendo a manutenção da funcionalidade e autonomia desses indivíduos. A integração entre áreas técnica, administrativa e jurídica reduziu retrabalhos e qualificou a resposta às demandas municipais, assegurando um cuidado mais eficiente e centrado nas necessidades de uma população. Dessa forma, a experiência consolidou um modelo de gestão mais resolutivo, seguro e orientado por evidências, com impacto direto na qualidade de vida de usuários com doenças crônicas, garantindo continuidade do tratamento, promoção da autonomia e fortalecimento dos princípios de integralidade e equidade no SUS frente ao desafio do envelhecimento populacional.
A experiência evidencia que a qualificação da gestão regional, aliada à institucionalização do monitoramento e da avaliação, transforma fragilidades estruturais em estratégias de fortalecimento do SUS. Ao reorganizar processos e consolidar práticas de governança, o Núcleo de Assistência Farmacêutica (NAF) passou a atuar de forma mais equitativa, segura e sustentável, garantindo continuidade terapêutica, funcionalidade e autonomia dos usuários, com impacto especial na população idosa, frequentemente acometida por múltiplas doenças crônicas. A iniciativa reafirma o papel estratégico da Assistência Farmacêutica na promoção de uma longevidade digna, fortalecendo os princípios de integralidade e equidade no SUS. O modelo implantado evidencia que a integração entre monitoramento, avaliação e gestão estruturada permite não apenas maior eficiência operacional, mas também um cuidado centrado nas necessidades da população, contribuindo para um SUS mais resiliente, resolutivo e orientado por resultados.
Assistência Farmacêutica, Longevidade saudável
DIANA BRANQUINHO, MARIA JOSÉ DE MORAES FREITAS YASHUDA, ERICA MACHADO RAMALHO, TATIANE MARTINS MELHADO, VALERIA MARIA FRANCISCO PONCE, SHIRLEY SATOMI MORI MEYAGUSKU