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Após realização do curso intitulado “Assistência Farmacêutica para o apoio técnico de nível médio”, foram abertas inscrições para os aprovados enviarem propostas de melhorias para o serviço de saúde no qual atuam, em que somente 47 foram aprovados, sendo apenas 4 projetos em São Paulo. O programa é oferecido pelo Hospital Oswaldo Cruz, através do PROADI-SUS com recursos federais, em parceria com o CONASEMS, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde. A partir dessa atividade e sua proposta, chegamos a conclusão de que o descarte de medicamentos ocorre de forma bastante desigual entre as unidades de saúde na mesma região, e através do sistema utilizado na tarefa criamos a matriz operativa para desenvolver ações que resultariam em uma mudança deste cenário em que os usuários do sistema de saúde pública da região passem a conhecer outros pontos de descarte de medicamentos além de serem orientados sobre o consumo consciente, a fim de evitar desperdícios e constante descarte dos mesmos.
Informar aos pacientes dos serviços de saúde, funcionários e equipe técnica sobre a importância do descarte correto de medicamentos sem uso e/ou vencidos, seus pontos de coleta na região e malefícios se descartados sem os devidos cuidados, além de uma abordagem no consumo consciente aos pacientes que venham realizar descartes nas unidades de saúde.
O método utilizado é o Planejamento Estratégico Situacional (PES), desenvolvido por Carlos Matus¹, que leva em consideração o momento atual, porém flexível para se adaptar às constantes mudanças de uma situação real organizacional. O PES contempla várias etapas: Momento Explicativo, Momento Normativo, Momento Estratégico e Momento Tático-Operacional.
Durante a construção, consultei diversos colegas técnicos em farmácia na mesma região que o CAPS AD III Penha se encontra, e um dado obtido que chamou bastante a atenção foi a quantidade/volume de descarte de medicamentos em uso e vencidos. Enquanto uma UBS recebe cerca de 10 a 15kg por semana para descarte, outros serviços de saúde próximos, como CAPS, UPA e AMA, chegam a receber o equivalente a 15kg a cada 6 ou 8 meses. Com esses dados e utilizando o PES, desenvolvi a Matriz Operativa com ações para promover o uso racional de medicamentos e consequentemente o descarte adequado quando for necessário. Iniciei a ação juntamente com a farmacêutica Marcela Castro informando através de reuniões gerais semanais no CAPS os profissionais do serviço sobre a importância do descarte correto, que os CAPS também são pontos de coleta de medicamentos vencidos e sem uso, e que repassem essa informação adiante aos pacientes atendidos.
Logo nas primeiras semanas, notei um maior volume de descarte de medicamentos em nossa unidade. Através dos dados lançados pela planilha online de PGRSS, notamos que realmente houve um volume maior nos 5 primeiros meses do ano de 2023, totalizando 22 Kg de medicamentos descartados no período, algo inédito. Pretendemos estender essas ações para que cheguem a mais moradores da região que o nosso CAPS se encontra, através de panfletagens, banners informativos, rodas de conversas em grupos de referências, reuniões do Conselho Gestor, ações coordenadas com o PAVS e o POT, dentre outras ações.
Assistência farmacêutica, descarte
Henrique Gomes Toth