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Atualmente, a mortalidade neonatal é responsável por aproximadamente 70% dos óbitos no primeiro ano de vida e a assistência adequada ao recém-nascido tornou-se um dos desafios para minimizar os índices de mortalidade infantil no Brasil. Em busca de aprimoramento desse importante indicador, o município de São Paulo estimulou as unidades a buscarem esse monitoramento através dos contratos de gestão do município com as organizações sociais de saúde (OSS). A Enfermagem dentro da Atenção Primária à Saúde, tem um papel essencial e atua em todas as fases do ciclo de vida dos indivíduos, com intuito de realizar promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde. No aspecto da saúde da criança, a enfermagem, especialmente, vem acompanhar o desenvolvimento infantil e ampliar as competências e responsabilidades com os familiares, construção da rede de apoio e orientar sobre os cuidados em saúde desde o nascimento, até o seu desenvolvimento em todas as fases. A garantia de assistência integral voltada ao recém-nascido de baixo risco, até o décimo dia de vida, apresentava fragilidade no que se refere ao cumprimento do período para realizar atendimento, monitoramento ineficaz e impacto nas ações de promoção da saúde e prevenção de possíveis agravos. Diante desse cenário, a equipe elabora uma análise crítica e propõe desdobramentos para processos de melhoria contínua e elaboração de planos de ação/monitoramento da assistência em tempo oportuno, buscando um desfecho favorável.
Garantir atendimento para 100% dos recém-nascido de baixo risco até o décimo dia de vida.
Diante desse cenário, elaboramos um plano de ação com foco no fortalecimento do vínculo materno-infantil desde o pré-natal, a fim de garantir um acompanhamento mais efetivo no período neonatal. A equipe já havia planejado a centralização das informações das gestantes em um único local, facilitando o monitoramento contínuo. Para isso, duas colaboradoras da área administrativa, que prestam apoio à equipe de enfermagem, foram alocadas dentro da sala da chefia de enfermagem, sob a responsabilidade de apoiar na gestão dos aspectos relacionados ao acompanhamento das gestantes. Esse modelo possibilitou a criação de um vínculo precoce com as mães ainda no pré-natal, permitindo um acompanhamento mais próximo e personalizado, inclusive apoiando nos casos de faltas ou abandonos desde o pré-natal, através de uma busca ativa efetiva aos pacientes. A equipe administrativa monitora as datas prováveis do parto (DPP) através de uma planilha específica, criada em Julho de 2024, e mantêm contato contínuo com as gestantes por telefone e pelo aplicativo de conversas “WhatsApp”, o que possibilita a identificação imediata do nascimento. Dessa forma, antes que o recém-nascido complete 10 dias de vida, é realizado o agendamento da consulta de retorno para mãe e para o bebê. Além disso, são mantidas as ações de monitoramento das faltas e reagendamentos, garantindo maior adesão ao acompanhamento neonatal e a qualidade do serviço ofertado.
Após implantação de todo processo de monitoramento, no mês de Julho de 2024, realizamos reuniões de equipe com as categorias administrativo, de enfermagem e médica, havendo um grande envolvimento de toda equipe em busca de otimizar os atendimentos/monitoramentos dos recém nascidos. Avaliamos a série histórica do indicador e encontramos a unidade com apenas 19% dos RN’s atendidos até o décimo dia de vida em julho de 2023. Após a implantação do novo fluxo, identificamos uma evolução gradativa no início do segundo semestre de 2024 (76%) e final do semestre de 2024 (82%). Ao analisar os motivos do não atingimento da meta, observamos que a classificação de alguns recém-nascidos pela prefeitura de São Paulo indicavam RN’s internados ou com riscos diversos, como baixo peso, mãe adolescentes, etc, o que colaborou para o não atingimento dos 100% esperados. Após essa percepção da equipe da UBS Vila Guilherme, bem como das demais unidades de saúde da região, foram realizadas reuniões com as áreas técnicas da Secretaria da Saúde de São Paulo (SMS-SP), a fim de melhorar a classificação dos RN’s de baixo risco e conceder um indicador mais fiel, de acordo com os casos atendidos. Portanto, após essas adequações, no segundo semestre de 2024, a unidade atingiu 100% dos atendimentos aos RN’s de baixo risco até o décimo dia de vida, mantendo um monitoramento diário dos casos e buscando melhoria contínua desse indicador.
O acompanhamento e monitoramento do RN nos primeiros 10 dias de vida, é considerado o eixo norteador da assistência à saúde da criança, com ênfase na vigilância de fatores que podem contribuir na identificação precoce do processo saúde/doença, que necessitam de intervenção, encaminhamentos e acompanhamento. Assim, o monitoramento desse indicador pela unidade de saúde é configurado como uma atividade muito importante para a redução do coeficiente de mortalidade infantil e para o alcance de melhor qualidade de vida da saúde materno infantil. Após essa experiência, observamos que o envolvimento da equipe de saúde, sendo técnica ou administrativa, é fundamental desde em todo processo, trazendo clareza e efetividade ao time condutor. Também destacamos a importância da manutenção do processo, mesmo após atingimento das metas, com objetivo de melhoria contínua e governança clínica sobre o indicador, em busca da manutenção de um desfecho favorável à prevenção e promoção da saúde do recém-nascido.
atenção a saúde; mortalidade neonatal
ROBERTA BORGES DOS SANTOS, FELIPE CARDIM GOMES DA SILVA, JANE KELY ROSA LEITE