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A Estratégia de Saúde da Família de Tibiriçá (ESF), gerida pela SORRI-BAURU e Secretaria Municipal de Saúde, desempenha papel vital na saúde da comunidade local, com foco em cuidados biopsicossociais, incluindo saúde mental. Transtornos mentais são um desafio global, impactando a saúde, custos e qualidade de vida. A necessidade de acompanhamento contínuo foi destacada após o atendimento de uma usuária do CAPS, que, apesar de cuidados, sentia falta de acolhimento periódico. As ações da ESF visam prevenir e reduzir problemas emocionais, com foco em grupos vulneráveis, como crianças, adolescentes, idosos e gestantes. O farmacêutico desempenha papel crucial, conduzindo encontros e oficinas para desmistificar doenças mentais e promover aceitação do diagnóstico. As atividades incentivam a busca por apoio da equipe multiprofissional, capacitada para orientar no autocuidado, tratamento e desmame medicamentoso, além de realizar monitoramento contínuo, com atenção especial a quadros depressivos e de ansiedade.
Atender, acompanhar e monitorar a população com um ou mais sintomas relacionados à saúde mental de forma integral e centrado na pessoa, considerando não apenas as questões clínicas e medicamentosas, mas também os aspectos sociais e emocionais dos usuários do serviço de saúde e a sua autonomia, o que é essencial para a promoção, prevenção, tratamento e reabilitação da saúde mental na Estratégia da Saúde da Família, considerando este espaço como um ambiente acolhedor e a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os pacientes foram acompanhados por meio de atendimentos individuais e coletivos, criando um ambiente de diálogo e acolhimento, desmistificando doenças mentais e fortalecendo a união entre os usuários. A experiência começou com a paciente R.B.S, sendo expandida para outros. Observando os resultados, decidiu-se implementar monitoramento contínuo, com consultas individuais e dois encontros coletivos, para acompanhar evolução do tratamento. As informações coletadas incluíram: medicamentos, prescrição médica, nome do usuário e tempo de tratamento. O farmacêutico explicou a ação dos medicamentos, organizou os horários de administração e monitorou o progresso do tratamento. Foram acompanhados 379 usuários, com dispensações a cada dois meses, conforme prescrição médica. Durante os atendimentos, avaliaram-se adesão ao tratamento, efeitos colaterais, evolução clínica, aspectos emocionais e a escuta qualificada. O vínculo entre usuários e profissionais foi fortalecido, garantindo 100% de adesão ao tratamento com psicotrópicos.
Usuários relatam através de consultas farmacêuticas e em atendimentos coletivos, a melhora, disposição e mudanças de humor, após os atendimentos realizados, tais como melhora na socialização sendo em média mais de 50% dos participantes, 100% dos usuários ampliaram o vínculo com a equipe e como referência o profissional farmacêutico a qual procuram para auxiliá-los em momentos de dificuldades e até mesmo para demandas simples como agendamento para renovação das receitas, melhora na adesão ao tratamento e autocuidado em 75% dos usuários, 20% de participação dos familiares no apoio ao tratamento dos usuários. Também, a usuária R.B.S, a qual motivou o olhar mais humanizado ao público de usuários em tratamento de Saúde Mental, tem seguido a organização dos medicamentos, criou um mural com todas as cartelas e medicamentos que utiliza, principalmente os fármacos psicotrópicos, melhorando o entendimento e valorizando sua vida como preciosa. Os dados analisados indicam que o consumo de fármacos psicotrópicos mais utilizados foram 22 opções, sendo o mais consumido a sertralina com 137 pessoas, 67 pessoas utilizam a amitriptilina e o clonazepam 53 pessoas, entre outros.
O apoio em Saúde Mental na Estratégia Saúde da Família, com a equipe multidisciplinar e o farmacêutico como referência, é essencial para promover o autocuidado, melhorar a adesão ao tratamento, ampliar o vínculo com a equipe de saúde e envolver a família. Isso favorece a aceitação do diagnóstico, participação em atividades coletivas e autonomia do indivíduo sobre sua saúde. Apesar da ausência de psicólogo, o acompanhamento contínuo da equipe tem gerado sucesso, melhorando não apenas os indicadores de saúde mental, mas também os hábitos de vida. Palestras realizadas em Tibiriçá, com participação de Agentes Comunitários, Assistente Social, Nutricionista e Farmacêutica, demonstraram o interesse dos pacientes, sua desenvoltura em público e atenção aos temas, como medicamentos. Essas ações empoderam os usuários, incentivando autoestima e autonomia dentro da comunidade. A continuidade e expansão do monitoramento em Saúde Mental são fundamentais para consolidar os avanços, ampliar os resultados e tornar a unidade de saúde ainda mais inclusiva.
Saúde Mental, APS, Assistência Farmacêutica.
SABRINA ALBANEZ OLIVIER, RAFAELA FERNANDA RODRIGUES FAUSTINO, JÉSSICA FARIA BARBOSA