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A Atenção Domiciliar (AD) deve estar integrada a Rede Assistencial de Saúde (RAS), por ser um modelo de atenção à saúde que possui ações de prevenção e tratamento de doenças, reabilitação, paliação e promoção a saúde. Indicada para pessoas que estão restritas ao leito ou domicílio, vulnerabilidade ou condições clínicas, temporárias ou permanentes.¹ ² A Equipe Multiprofissional de Atendimento Domiciliar (EMAD) segue os princípios da AD, sendo a abordagem integral da família uma premissa do atendimento, tendo em vista que a Equipe se depara com as relações instituídas e deve buscar a construção de um ambiente favorável para a recuperação e estabilidade clínica do indivíduo.³ Paciente acompanhada da EMAD Jardim Japão, após internação devido acidente vascular encefálico (AVE). No início o paciente se encontrava acamado, com lesão por pressão (LP) em região sacral e afasia. A equipe se deparou com a cuidadora (esposa) com dificuldades relacionadas aos cuidados e sem autonomia para gestão financeira da família. O Plano Terapêutico Singular (PTS) foi planejado visando a cicatrização da LP, melhora motora, da afasia e das comorbidades; melhor articulação dos cuidados, organização domiciliar e capacitação da esposa para gerir o papel de cuidadora e autonomia para a gestão financeira. A equipe de AD deve buscar fortalecer a rede de apoio do paciente e identificar as possíveis fragilidades e potenciais de cada membro da família, tendo em vista a particularidade de cada indivíduo.
Reabilitar o paciente e trabalhar o emponderamento da esposa para realizar o papel como cuidadora e protagonista do domicílio.
Discussão de Plano Terapêutico para direcionar os cuidados multiprofissionais, assim como organizar as visitas semanais. Com programação de visitas domiciliares de Enfermagem e Fisioterapia semanais e acompanhamento do Serviço Social a cada 15 dias inicialmente para reajuste familiar e orientações, após os resultados obtidos retorno mensal.
Paciente apresenta melhora significativa da LP com diminuição de extensão e profundidade, atualmente em condições de domiciliado e não mais acamado. Mantendo o acompanhamento de Enfermagem e Fisioterapia semanal, com ganhos significativos, além disso a esposa do paciente consegue exercer o papel como cuidadora e com empoderamento para tomar as decisões referentes a gestão familiar. Inicialmente a cuidadora / esposa desconhecia o fluxo de gestão financeira familiar, bem como os serviços disponíveis para o auxílio, após orientações e direcionamento para órgãos e serviços relacionados as expressões das questões sociais, passou a apresentar autonomia para solucionar os problemas voltados para organização domiciliar, além de desenvolver os cuidados com paciente com mais segurança e autonomia.
Um dos princípios da AD é a abordagem integral à família, pois a Equipe acessa as residências e se deparam com as relações e particularidades de cada indivíduo e cada domicílio. Os profissionais que realizam as visitas devem ser treinados e instigados a desenvolver um olhar crítico e amplo para que cada indivíduo possa ser cuidado respeitando a característica de cada família e membro pertencente deste núcleo. Quando há envolvimento de toda rede familiar do paciente, fica evidente que estes exercem um papel importante no processo saúde-doença, e quando há o fortalecimento dessas relações identifica-se uma melhor evolução e um acompanhamento mais seguro do paciente.
atenção domiciliar, reabilitação
Cláudia Ayumi Oshiro, Rita de Cássia Magalhães Belmiro, Alexandre Ligeiro da Costa, Gabriela Roberta da Silva, Flávio Carlos Cardoso