Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O automonitoramento glicêmico (AMG) é uma ferramenta fundamental para o manejo do diabetes, possibilitando ao paciente e aos profissionais de saúde um acompanhamento mais preciso da resposta glicêmica ao tratamento. No entanto, a adesão efetiva a esse monitoramento depende de diversos fatores, incluindo a compreensão da doença e o estabelecimento de um vínculo entre o paciente e a equipe de saúde. Em 2019, foi realizado um diagnóstico situacional no Programa de Automonitoramento Glicêmico (PAMG) da unidade de saúde pelo profissional Farmacêutico, no qual foram revisados os prontuários e identificados, em parceria com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), os pacientes insulino dependentes, gestantes e demais participantes elegíveis conforme os critérios estabelecidos. A partir dessa análise, foram organizados e planilhados os dados clínicos pertinentes, viabilizando a estruturação de uma abordagem mais eficiente no acompanhamento dos pacientes.
O presente trabalho teve como objetivo principal fortalecer o vínculo entre os pacientes e o profissional Farmacêutico, de modo a proporcionar uma compreensão mais clara da fisiopatologia do diabetes e do impacto do automonitoramento glicêmico na eficácia terapêutica. Como consequência, buscou-se promover uma melhor adesão ao tratamento e a adoção de práticas de autocuidado mais efetivas.
A estratégia adotada consistiu na organização sistemática dos dados clínicos dos pacientes, incluindo o tipo de diabetes, regime terapêutico e posologia da insulina. Paralelamente, um aplicativo foi utilizado para complementar as informações necessárias ao acompanhamento. A partir dessas informações, foi iniciado um processo de adequação dos pacientes aos critérios do programa, com foco na criação de um hábito de retorno mensal à unidade de saúde. Durante os encontros realizados com Farmacêutico, foram realizadas discussões individualizadas sobre a evolução glicêmica no período anterior, introduzindo-se gradualmente orientações voltadas à otimização da alimentação, da qualidade das medições, uso adequado das medicações e da gestão do diabetes de forma geral.
Os dados coletados ao longo da implementação dessa abordagem indicam um aumento progressivo na frequência de retorno dos pacientes ao programa. A adesão em 2018 estava em média em torno de 55%, no final de 2019 já contávamos com 62%, 2020 atingimos 68%chegando em 2024 com 69%. Observou-se, ainda, uma melhora na percepção dos participantes quanto aos padrões glicêmicos (melhora de 20% na qualidade de medidas dentro da normalidade), permitindo-lhes distinguir episódios de hiperglicemia e hipoglicemia e compreender melhor a influência de seus hábitos sobre os níveis de glicose. Além disso, verificou-se um envolvimento mais ativo dos pacientes na busca por melhores indicadores glicêmicos. Muitos relataram esforços deliberados para melhorar seus resultados no mês subsequente, enquanto aqueles que apresentaram piora demonstraram preocupação e motivação para reverter a situação. De forma geral, observou-se uma tendência à melhora nos parâmetros glicêmicos da maioria dos participantes.
Os achados deste estudo evidenciam a relevância do vínculo entre pacientes e Farmacêutico como fator determinante para a adesão ao automonitoramento glicêmico e para a melhorados indicadores metabólicos. A implementação de estratégias que promovam o engajamento ativo do paciente pelo Farmacêutico, associadas a um acompanhamento contínuo e orientações personalizadas, demonstrou impacto positivo na compreensão da doença e na adoção de práticas de autocuidado mais efetivas. Por fim, destaca-se que o vínculo estabelecido do profissional Farmacêutico ao longo do processo não apenas favorece a aceitação das recomendações médicas e de enfermagem, mas também contribui para a manutenção do acompanhamento a longo prazo, aspecto essencial para o manejo adequado do diabetes. Dessa forma, reforça-se a necessidade de estratégias contínuas de educação em saúde, que estimulem a autonomia do paciente e sua corresponsabilização no controle da doença.
Diabético, atenção farmacêutica, glicêmico.
CHRISTIANE FANGANIELLO ZAGNI, RICARDO VITORINO MARCOS, FABIANA COSTA DE OLIVEIRA CARVALHO, FERNANDO GABRIEL CARDOSO