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Em 2023, a cidade de São Paulo, por meio da Coordenadoria de IST/Aids, foi recertificada, pela terceira vez, por ter mantido a eliminação da transmissão vertical do HIV (TVHIV), em conformidade com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde. Sendo o aleitamento materno a principal via de TVHIV, uma das estratégias para o sucesso desta meta é o fornecimento de fórmula láctea e leite integral em pó para todas as crianças expostas ao HIV, do nascimento até 2 anos de idade. Além disso, durante a gestação, uma alimentação saudável favorece o bom desenvolvimento fetal e a saúde e o bem-estar da mulher e está associada a melhores condições de saúde na infância e na vida adulta.
Como parte da estratégia para manter a eliminação da TVHIV, na cidade de São Paulo, essa intervenção se propõe a, além de ofertar o suporte nutricional às gestantes vivendo com HIV, conscientizar sobre a importância do não aleitamento materno nesse cenário.
Em junho de 2024 iniciou-se, no SAE Vila Prudente, um fluxo de atendimento à gestante que engloba uma intervenção multiprofissional para todos os casos. Desse período até dezembro de 2024 foram registradas 15 gestantes no serviço. Em relação ao acompanhamento nutricional, foi pactuado que todas teriam, obrigatoriamente, uma avaliação do estado nutricional inicial, na qual são realizadas orientações específicas para essa fase da vida e uma avaliação de fechamento, realizada no último trimestre da gestação, ambas realizadas pelas nutricionistas do serviço. Esse último encontro tem como objetivo reforçar a importância do não aleitamento materno para impedir a TVHIV, orientar sobre a oferta e preparo da fórmula láctea infantil e sanar dúvidas sobre o aleitamento artificial e higiene de utensílios utilizados. Esse também é um espaço para a gestante falar sobre seus sentimentos em relação a não poder amamentar. Suas demandas são acolhidas e devidamente direcionadas.
No recorte avaliado, 100% (n=15) das gestantes tiveram, pelo menos, uma consulta com nutricionista; 40% (n=6) tiveram 2 ou mais. Durante esse período, foi percebido melhor adesão ao tratamento e às orientações fornecidas pelas nutricionistas e pela equipe. Dessas mulheres, 60% (n=9) já passaram pelo parto, sendo que 33% (n=5) optaram por seguir o seu acompanhamento e do recém-nascido em outros serviços. As demais permaneceram no SAE Vila Prudente, sendo que 100% (n=4) dos recém-nascidos também estão em acompanhamento nutricional regular. Nesse período não tivemos nenhum caso de lactação entre as puérperas, nem de TVHIV.
Nesse período foi possível observar um fortalecimento do vínculo tanto da gestante quanto da puérpera com as nutricionistas, o que pode favorecer a adesão às orientações. Além disso, a totalidade de não aleitamento e nenhum caso de TVHIV nesse recorte, pode sinalizar a importância de implementar tal intervenção rotineiramente nos serviços de atendimento à gestante vivendo com HIV.
Nutrição, gestante, HIV
AMANDA TONETTO GONZALEZ, NATALIA TEIXEIRA HONORATO SOARES, MARCIA TSUHA MORENO