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Os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) integram a Rede de Atenção em Saúde Bucal ao complementar a Atenção Primária por meio de referência, contrarreferência, apoio matricial e educação permanente, favorecendo a integralidade do cuidado [1]. A Estomatologia no CEO é fundamental para o diagnóstico precoce, manejo das lesões bucais e integração com a APS, desempenhando papel estratégico na detecção de lesões potencialmente malignas e articulação com a rede oncológica [2,3]. O câncer bucal é um relevante problema de saúde pública, com diagnóstico tardio associado a pior prognóstico e menor sobrevida, influenciado por barreiras de acesso e dificuldades diagnósticas [4–6]. Estudos também demonstram que a ampliação da cobertura em saúde bucal e a qualificação da rede assistencial favorecem a detecção precoce dessas neoplasias [7]. A experiência ocorreu no Centro de Especialidades Odontológicas de Taboão da Serra (SP), a partir de janeiro de 2025, com a inserção de cirurgiã-dentista estomatologista na rede municipal. Participaram profissionais do CEO, cirurgiões-dentistas da atenção básica, estagiários e serviços de apoio diagnóstico, beneficiando usuários do SUS. A proposta visa qualificar o diagnóstico, reduzir atrasos no cuidado oncológico e fortalecer a integração da rede em saúde bucal.
Relatar a experiência da inclusão do serviço de Estomatologia na melhoria do acesso e da resolutividade no atendimento de lesões orais e maxilofaciais, destacando a importância do diagnóstico precoce do câncer bucal e do tratamento eficaz para a promoção da saúde e melhores desfechos clínicos.
A experiência foi desenvolvida no CEO de Taboão da Serra (SP) com a implantação do atendimento em Estomatologia a partir de janeiro de 2025. O serviço passou a integrar formalmente o fluxo de referência da atenção básica, com ficha clínica padronizada e protocolos baseados em diretrizes nacionais de saúde bucal. Os atendimentos ocorreram semanalmente, contemplando avaliação clínica, diagnóstico, biópsias, tratamento de lesões de mucosa oral e encaminhamento oncológico quando necessário. Foi estabelecida parceria com serviço universitário para análise histopatológica das biópsias e articulação com programa de navegação do paciente oncológico, visando reduzir o tempo até o tratamento. Foram realizadas duas capacitações presenciais para cirurgiões-dentistas da rede e estagiários, abordando reconhecimento de lesões suspeitas, critérios de encaminhamento e condutas clínicas. Os dados foram obtidos do sistema municipal de regulação e prontuário eletrônico, considerando número de atendimentos, perfil dos pacientes, biópsias realizadas, diagnósticos e tratamentos executados no período de janeiro a dezembro de 2025.
Entre 30 de janeiro e dezembro de 2025, foram realizados aproximadamente 316 atendimentos em Estomatologia no CEO de Taboão da Serra, considerando média de cerca de 40 atendimentos mensais no último trimestre. Observou-se predominância do sexo feminino e média etária em torno de 51 anos. No período, foram executadas 47 biópsias, permitindo o diagnóstico de lesões benignas, potencialmente malignas e neoplasias. Entre os achados histopatológicos destacaram-se 10 casos de carcinoma epidermóide, além de outras alterações como leucoplasias, hiperplasias fibrosas inflamatórias, mucoceles e demais lesões benignas. Todos os casos confirmados de malignidade foram encaminhados via sistema de regulação para tratamento oncológico, garantindo continuidade do cuidado. O serviço também realizou manejo clínico ambulatorial de condições frequentes, como candidíase, lesões traumáticas, líquen plano oral, xerostomia medicamentosa, síndrome da ardência bucal e infecções virais, resolvidas no próprio CEO. As capacitações promovidas contribuíram para maior segurança dos profissionais da atenção básica no reconhecimento de lesões suspeitas e no encaminhamento oportuno, fortalecendo a integração da rede e ampliando a resolutividade local. Observou-se redução de barreiras de acesso ao diagnóstico especializado e melhor organização do fluxo assistencial em saúde bucal no município.
Os resultados mostram que as mudanças implementadas aumentaram a resolutividade local e aproximaram o serviço especializado da realidade do território, apesar de limitações estruturais e da necessidade de capacitação contínua. A integração com a APS foi essencial para manter a continuidade do cuidado. Das 47 biópsias realizadas no CEO, 25,5% foram malignas, com predomínio do carcinoma epidermóide (CEC), neoplasia mais prevalente, totalizando 10 casos (21,3%). Houve ainda 1 caso de melanoma oral (2,1%), raro e agressivo [8], e 1 metástase de outro sítio primário (2,1%), também incomum e de diagnóstico desafiador [9]. O CEC oral apresenta comportamento agressivo e baixa sobrevida em cinco anos quando diagnosticado tardiamente [10]. Esses achados reforçam a importância da biópsia como ferramenta essencial para confirmar lesões benignas e detectar precocemente condições malignas e raras, com impacto direto no prognóstico e no encaminhamento terapêutico. A experiência contribuiu para reduzir barreiras de acesso, fortalecer a rede oncológica e ampliar a equidade em saúde bucal. As capacitações em Estomatologia aumentaram a segurança dos cirurgiões-dentistas no reconhecimento e encaminhamento de lesões suspeitas.
CEO, câncer, estomatologia, odontologia
FABIANA DA SILVA DE OLIVEIRA, GABRIEL EDVAL ARAUJO DA SILVA, JESSICA SCHMIDT GONÇALVES TOGNI, ALEXANDRE RAFAEL DINIZ, ALESSANDRA PIZZATTO, AILTON GARCIA BOGALHO JUNIOR