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As epidemias de dengue ocorrem anualmente e trazem desafios constantes para a saúde pública. O Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso (HMPB), como referência no atendimento de urgência e emergência, atende uma grande população de Guarulhos e municípios vizinhos, como Itaquaquecetuba e Arujá. Com o aumento expressivo de casos de dengue, o impacto nos atendimentos do pronto-socorro se intensificou. Dados de janeiro a março mostram um crescimento no número de atendimentos: 13.024 em janeiro, 18.103 em fevereiro e 21.834 em março. Paralelamente, os casos notificados de dengue saltaram de 14 em janeiro para 1.327 em março, apontando para uma possível subnotificação, que levou à revisão de procedimentos em parceria com a SMS/VE. Diante desse cenário, foi formado um grupo de trabalho multidisciplinar, coordenado pela Diretoria do HMPB, com apoio das Gerências, Escritório da Qualidade e CCIRAS. O objetivo foi implementar uma linha de cuidado específica para pacientes com dengue, abrangendo desde a triagem, identificação de casos graves e sinais de agravamento até a internação rápida e segura. Além disso, foram desenvolvidas estratégias de orientação para os pacientes que não necessitavam de internação, melhorando o manejo em casa. Essa abordagem, com base no protocolo do Ministério da Saúde, trouxe benefícios ao otimizar o atendimento dos pacientes com outras condições no pronto-socorro e qualificar o atendimento aos casos de dengue.
O HMPB é responsável pelo atendimento a nível hospitalar e de pronto socorro para a população abrangendo a região 4 da SMS, e de outros municípios vizinhos. Atendemos em nosso pronto socorro: janeiro 13.024 pessoas, fevereiro 18.103 e março 21.834. Números importantes também os de notificação de dengue onde observamos em Janeiro 21 casos em fevereiro 524 e em março 799. Foi evidenciado que uma parcela do aumento de número de atendimentos era vinculado à dengue. Diante disto, foi proposta uma linha de cuidado específica para pacientes de dengue consistindo em triagem dos casos possíveis, seguido da identificação dos pacientes de risco, verificação dos sinais de agravamento, estabelecendo fluxos ágeis para a internação e por fim oferecendo informações e medidas de cuidados para casa quando dos pacientes que não recebem internação. Desta forma a abordagem seria mais sistematizada e como benefício, otimizaríamos o atendimento dos pacientes com outras condições em nosso Pronto Socorro.
Para criar a linha de cuidado Dengue Já, houve uma negociação com a Prefeitura de Guarulhos e SMS para viabilizar o orçamento. Com a autorização, foi estabelecida uma área e fluxo exclusivos com equipe capacitada para atendimento. O fluxo incluiu: 1.Recepção por auxiliar de enfermagem das 7h às 19h, acolhendo pacientes com sinais de dengue. 2.Encaminhamento ao setor Dengue Já com senha numerada. 3.Triagem exclusiva e abertura de ficha, com recepção direta para casos sensíveis ou graves. 4.Atendimento em sala específica, equipada com consultório, área de hidratação, pias, poltronas e biombos, monitorada por equipe médica. 5.Notificação dos casos suspeitos, coleta de sangue para exames (Hemodengue e testes rápidos) com tempo máximo de espera de 4 horas. 6.Enquanto aguardavam, os pacientes recebiam medicação sintomática e hidratação oral/endovenosa. 7.A classificação de risco seguiu as diretrizes da SMS, com 75-95% de resolutividade para o grupo A e rápida recuperação para casos mais graves. 8.Após os resultados, nova avaliação médica definia internação ou alta, com agendamento de retorno em até 72h ou orientação para retorno imediato em casos de risco.
Entre fevereiro e março, o aumento das notificações de dengue trouxe um alerta e gerou reflexões na Secretaria de Saúde sobre a possibilidade de subnotificação, especialmente devido à discrepância em relação a outras regiões do município. Isso levou a ajustes na sistematização das notificações, com maior envolvimento da equipe de enfermagem do pronto-socorro e supervisão do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia. A criação do programa Atende já Dengue aperfeiçoou ainda mais o processo, com a designação de um técnico de enfermagem exclusivo para as notificações. Qualidade da assistência: Com a nova linha de cuidado, enfrentamos o aumento dos casos de forma mais segura durante os picos da epidemia. A abordagem precoce e correta classificação dos pacientes permitiu um manejo clínico adequado, evitando a evolução para casos graves e óbitos. Impacto na assistência: A separação dos pacientes com dengue possibilitou que a equipe se dedicasse mais aos pacientes com outras condições. Isso trouxe mais equilíbrio na classificação de risco, já que os sintomas da dengue, como febre e desidratação, anteriormente impactavam o código amarelo. Satisfação: Embora difícil de mensurar, a percepção geral da equipe e dos pacientes foi positiva, refletindo o sucesso dessa linha de cuidado.
O projeto Atende Já Dengue foi uma resposta eficaz à epidemia de dengue em Guarulhos, com fluxos diferenciados para pacientes suspeitos, melhorias no gerenciamento de risco e integração constante com órgãos de vigilância, reafirmando o compromisso do HMPB com a saúde pública. Foram atendidos 5.507 pacientes, com 2.353 notificações no HMPB, em comparação às 79.739 notificações no município. Ocorreram 1.949 internações por dengue no município, sendo 184 no HMPB. Dos 104 óbitos, 7 ocorreram no HMPB. Oportunidades de melhoria: A pandemia de Covid-19 trouxe lições importantes. A separação de fluxos entre casos de dengue e não dengue otimizou o acolhimento e o gerenciamento de risco. Legado: O planejamento detalhado, a preparação para emergências futuras, para enfrentar novos desafios epidemiológicos, a implementação de notificações compulsórias e a integração entre HMPB, SMS e Vigilância Epidemiológica são legados valiosos, garantindo uma resposta ágil e coordenada em crises de saúde pública. Atende Já Dengue destaca o avanço na capacidade de resposta do HMPB durante a epidemia.
Dengue Epidemia SUS saúde gerenciamento de risco
MARCOS JOSÉ MONTEIRO LEMOS, ADALBERTO PEREIRA, VANESSA DOMINGUES IMAMOTO, BEATRIZ DUARTE, LINDIANE SANTOS SOUZA, CRISTIANE FÉLIX DE OLIVEIRA