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O Programa Melhor em Casa (PmeC) foi criado em 2011, pelo governo federal, através do Ministério da Saúde, em que a atenção domiciliar (AD) é definida como uma “modalidade de atenção à saúde substitutiva ou complementar às já existentes, caracterizada por um conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação prestadas em domicílio, com garantia de continuidade de cuidados e integrada às Redes de Atenção à Saúde” (BRASIL, 2011). O PmeC foi implementado em São Roque/SP em outubro de 2022, iniciando os trabalhos com a EMAD ( equipe multidisciplinar de atenção domiciliar). Este trabalho vem demonstrar as qualidades do atendimento domiciliar no processo de reabilitação. O traumatismo cranioencefálico (TCE) é um grave problema de saúde pública, sendo a maior causa de morte e incapacidade em adultos. Pode ser classificada em leve, moderada e grave, de acordo com a Escala de Coma de Glasgow (ECG), sendo capaz de gerar incapacidades físicas, psicológicas e/ou sociais (SANTOS, 2020). Apresenta grande incidência em jovens adultos, em especial na população na faixa etária entre 20 e 39 anos (CARTERI, 2021). Pelo exposto, faz-se necessária a criação de protocolos que previnam estes eventos e minimizem o seu impacto na população. Diretrizes de atenção à reabilitação da pessoa com TCE são de suma importância para nortear o trabalho da equipe de Saúde em todas as etapas do processo do cuidado. (MENDES, 2001).
O objetivo deste trabalho é o de relatar, a partir de um estudo de caso, os benefícios e dificuldades relacionados à atenção domiciliar do PmeC no município de São Roque/SP.
Indivíduo do sexo feminino, 22 anos, vítima de acidente motociclístico, com hipótese diagnóstica de TCE grave e politraumatismo, em fevereiro de 2023. Permaneceu internada por 114 dias, sob intubação orotraqueal de 83 dias. Devido à refratariedade ao tratamento, tornou-se elegível em cuidados paliativos, em menor nível de pontuação de 10% no Palliative Performance Scale (PPS). Seguiu-se uma melhora em sua condição clínica, atingindo uma pontuação entre 30-40% no PPS no momento da alta hospitalar. Foi liberada para domicílio apresentando fraqueza muscular adquirida na UTI (FAUTI), alteração na fala, alteração no Glasgow com 11 pontos e acentuada deformidade em tornozelo bilateral. Foi realizada visita pela equipe do PmeC no hospital para início do processo de desospitalização. A primeira visita da equipe multidisciplinar do PmeC no domicílio ocorreu no quinto dia pós alta hospitalar da paciente e foi composta por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, nutricionista, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e assistente social sendo elaborado um plano de tratamento. Houve, também, encaminhamento a especialidades, ao Centro de Atenção Psicossocial e ao Centro de reabilitação Lucy Montoro e, através da parceria deste município, iniciou a equoterapia. Ressalta-se que todo o tratamento foi ofertado via SUS. Em janeiro de 2024 a paciente recebeu alta do programa domiciliar com uma pontuação de 70% na escala PPS, e segue o tratamento no centro de reabilitação deste município.
Durante o tratamento observou-se a melhora clínica da paciente, com ganho de função e capacidade de realizar atividades do dia a dia como levar alimento à boca, mudança de decúbito no leito, transferência para sedestação, controle de tronco, melhora na disposição e no humor. Outro ponto importante foi o fortalecimento do vínculo familiar que desenvolveu maior segurança, e assim pode participar ativamente no processo do cuidar. Segundo SILVA et al. (2010) a AD, por ser realizada no domicílio do paciente, expõe as equipes à realidade social na qual a família está inserida, à sua rotina, seus valores e às formas de cuidar instituídas no senso comum e na memória falada, passada de geração em geração. Um dos diferenciais das equipes de atenção domiciliar com relação às demais equipes de saúde da rede de atenção é o fato de que as mesmas constroem sua relação com o sujeito que necessita de cuidados no domicílio, e não em um estabelecimento de saúde. Dessa forma, “a potencialidade inovadora da atenção domiciliar se dá pela maior permeabilidade das equipes aos diferentes aspectos vivenciados pelos usuários e suas famílias e pela produção de um cuidado ampliado que não se restringe aos aspectos biológicos da doença” (caderno MEC).
Conclui-se que o PmeC é um programa que promove resultados rápidos e eficientes na reabilitação de pessoas com trauma cranioencefálico, auxilia na desospitalização, minimiza reinternação e promove fortalecimento no vinculo familiar e auxilia o engajamento familiar nos cuidados. Outro ponto é interação entre os serviços de forma dinâmica, entre profissionais que possibilita agilizar interação entre os serviços e especialidades. O PmeC está em constante evolução, mas ainda destacamos pontos negativos como o transporte, pois existe dificuldade entre número de profissionais, horário restrito no atendimento e isso gera dificuldade no transporte, que dificulta agilizar ou ofertar maior número de atendimentos.
EMAD, Melhor em Casa, Equoterapia, TCE
Cristian Carla do Nascimento, Francine Cristina Rodrigues, Ana Cláudia Diniz Zara, Fúlvia E. de Oliveira Corrêa E Silva, Cleberton Segundo dos Santos, Patrícia Borsari Ferreira Monteiro