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O papel do fisioterapeuta no âmbito da AB reforça a importância do acompanhamento contínuo de pacientes com dores crônicas e perda de mobilidade. É reconhecida como imprescindível para a equipe de saúde e para a oferta integral de saúde à população. A inserção da fisioterapia corrobora a reorganização da dinâmica da atenção básica para a garantia desse cuidado integral como princípio do (SUS). A UBS como local de contínuo cuidado preventivo e de recuperação da saúde, inserida no território e na vida comunitária, se torna o cenário de transformação de problemas, por intermédio de profissionais de saúde e seus saberes. O relato das intervenções da fisioterapia a usuária do serviço, atendida na modalidade de atividade coletiva. Paciente feminino, 63 anos. Histórico de trauma de coluna vertebral por consequência de acidente com veículo automotor ocorrido no ano de 2010, com fratura de primeira vértebra lombar (L1). À época do trauma foi tratada de modo conservador, através de imobilização com colete ortopédico por 2 anos, sendo 9 meses de forma ininterrupta e o restante do período com retirada para dormir. Passou por reabilitação em centro especializado por 3 anos. Procurou atendimento por persistência do quadro de dor lombar irradiada para MMII, perda de amplitude de movimentos e desequilíbrio. Impacto em sua qualidade de vida pela restrição de atividades, inclusive de trabalho, e influenciando na sua saúde mental pelo isolamento social e perda de autonomia.
Melhorar a qualidade de vida de usuária do serviço de saúde através do alívio da dor e da recuperação de funções motoras básicas para as atividades de vida diária no contexto domiciliar, social e laboral.
Vale ressaltar que o alcance das metas traçadas para um paciente, a depender de vários aspectos, demandam um tempo considerável, e os resultados são atingidos a longo prazo. Tal experiência se iniciou em meados de 2017 e perdurou por pouco mais de três anos de acompanhamento. A terapia indicada foi à prática de exercícios assistidos, realizada de forma coletiva em grupo de dez pessoas com perfis semelhantes ao da paciente em questão, tanto na faixa etária quanto no quadro de dor e dificuldades motoras associadas a outras etiologias que não traumas. Inicialmente se fez necessário consulta fisioterapêutica realizada em atendimento individual com avaliação geral e do segmento específico do sistema locomotor. Paciente deambulava sem dificuldades e sem uso de auxílio, porém com receio de piora do quadro de dor e mobilidade, assumindo postura defensiva e excessivamente protetora em movimentos que requeriam pouco impacto e/ou esforço
Transcorrido o período de pouco mais de três anos pôde-se verificar excelentes resultados comparativamente à avaliação inicial e avaliações subsequentes, tanto nos achados relacionados à questão motora propriamente dita quanto ao ganho de confiança percebido pela melhor postura e equilíbrio, bem como na socialização com maior integração social, familiar e comunitária.
A melhora da qualidade de vida como objetivo principal da experiência foi evidenciada pela avaliação constante do profissional fisioterapeuta que assistiu a paciente, como também de forma objetiva através de testes específicos aplicados de forma a comprovar os avanços terapêuticos como o teste de Lasegue e de Adams negativos e Time Get Up And Go Test (TUGT) no decorrer do acompanhamento e no momento da alta do grupo terapêutico. Os resultados observados refletem as boas práticas desenvolvidas pela atenção básica nas quais o envolvimento dos diversos protagonistas do cuidado, juntamente com o apoio dos demais segmentos que compõem essa engrenagem: gestão, intersetorialidade e interdisciplinaridade, são capazes de promover a saúde como um direito de todos.
Fisioterapia, Dor Crônica, Socialização.
DAIANE PEREIRA COSTA